10 dias de guerra: petróleo dispara e Irã retoma ataques a Israel
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã entrou no décimo dia nesta segunda-feira, 9, com novos ataques iranianos contra Israel, confrontos no Líbano, impacto crescente no mercado de petróleo e a primeira ofensiva militar após a nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país.
O Irã anunciou o lançamento de uma nova salva de mísseis contra Israel, a primeira desde que Mojtaba assumiu a liderança no domingo. Ele substitui seu pai, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
A televisão estatal iraniana exibiu imagens de um projétil com a frase “Às suas ordens, Seyyed Mojtaba”, em referência religiosa ao novo líder.
Em resposta, o Exército de Israel anunciou uma nova onda de bombardeios contra alvos que classificou como infraestrutura do regime iraniano no centro do país.
Ataques atingem Golfo e deixam civis feridos
A escalada também atingiu países do Golfo. O Ministério da Saúde do Bahrein informou que 32 civis ficaram feridos após um ataque iraniano com drones contra a ilha de Sitra.
Segundo o governo local, quatro pessoas estão em estado grave, incluindo crianças.
Horas depois, um bombardeio iraniano provocou um incêndio em uma instalação petrolífera em Al Ma'ameer, causando danos materiais.
Desde o início da guerra, o Irã lançou ataques contra países aliados dos Estados Unidos no Golfo, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e o próprio Bahrein.
A Arábia Saudita condenou os ataques e afirmou que eles “não podem ser aceitos nem justificados sob nenhuma circunstância”.
Confrontos entre Israel e Hezbollah no Líbano
No Líbano, o grupo Hezbollah afirmou ter enfrentado tropas israelenses após uma tentativa de incursão aérea no leste do país.
Segundo o movimento, cerca de 15 helicópteros militares israelenses sobrevoaram a região de Nabi Chit antes de desembarcar soldados.
Combatentes do Hezbollah afirmaram ter reagido à operação e enfrentado as tropas israelenses.
A incursão ocorre dois dias após uma operação semelhante que deixou cerca de 40 mortos na região.
Desde o início da ofensiva israelense no Líbano, autoridades locais relatam quase 400 mortos e mais de meio milhão de deslocados.
Petróleo dispara com risco de crise energética
O conflito também provocou forte impacto nos mercados de energia.
O barril do West Texas Intermediate, referência do mercado americano, ultrapassou US$ 118, com alta superior a 30% no mercado asiático.
Já o Brent, referência internacional, também superou a marca de US$ 118 por barril, acumulando avanço de cerca de 27%.
O aumento reflete temores de interrupções no fornecimento de petróleo no Golfo Pérsico, região responsável por uma parcela significativa da produção mundial.
Turquia mobiliza caças após ataques
A tensão regional também levou a Turquia a mobilizar seis caças General Dynamics F-16 Fighting Falcon para Chipre do Norte, território reconhecido apenas por Ancara.
A medida foi tomada uma semana após a ilha ter sido alvo de um ataque com drones em meio à escalada militar no Oriente Médio.
Baixas americanas sobem para sete
O United States Central Command anunciou a morte de um militar que havia ficado ferido em um ataque iraniano ocorrido em 1º de março.
Com isso, sobe para sete o número de soldados americanos mortos desde o início da guerra.
Irã ameaça infraestrutura de petróleo
O Exército iraniano também advertiu que poderá atacar instalações petrolíferas na região caso Israel continue bombardeando infraestrutura energética no país.
Segundo o porta-voz militar Ebrahim Zolfaghari, os mercados podem enfrentar uma disparada ainda maior nos preços do petróleo.
“Se podem tolerar que o petróleo suba para mais de 200 dólares por barril, continuem com esse jogo”, declarou.
Autoridades iranianas afirmaram que o país está preparado para sustentar um conflito prolongado.
O porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica, Ali Mohammad Naini, declarou que as forças armadas iranianas podem manter ao menos seis meses de guerra intensa no ritmo atual.
Acusações de uso de fósforo branco
Em meio à escalada militar, a organização Human Rights Watch acusou Israel de utilizar munições de fósforo branco em ataques contra áreas residenciais no sul do Líbano.
Segundo a entidade, projéteis com esse tipo de substância foram utilizados em bombardeios na localidade de Yohmor no dia 3 de março.
A organização afirma que o uso da arma em áreas habitadas pode provocar incêndios, queimaduras graves e mortes.
*Com AFP e EFE
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