13º dia de guerra: Irã mira Israel enquanto conflito ameaça petróleo
A guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos entrou em seu 13º dia nesta quinta-feira, 12, marcada por novos ataques contra bases militares israelenses, bombardeios em países do Golfo e impactos diretos no mercado global de petróleo.
O conflito, iniciado em 28 de fevereiro após ataques de Israel e dos EUA contra instalações iranianas, ampliou-se para vários países do Oriente Médio e passou a afetar rotas estratégicas de energia e transporte marítimo.
Segundo relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia (IEA) nesta quinta-feira, 12, a situação também provoca a maior interrupção de oferta já registrada no mercado global de petróleo. O conflito já afeta cerca de 7,5% do suprimento mundial da commodity.
O aumento dos preços da energia, o cancelamento de voos e o aumento da incerteza econômica também começaram a afetar o consumo global.
Com isso, a IEA reduziu em cerca de 25% sua projeção de crescimento da demanda mundial de petróleo em 2026, para 640 mil barris por dia — a menor estimativa desde que o órgão começou a divulgar projeções para o período.
Irã ataca bases militares israelenses
O Exército do Irã afirmou ter lançado drones contra alvos militares em Israel.
Segundo comunicado divulgado pela televisão estatal iraniana, as forças iranianas atacaram as bases aéreas de Palmachim Airbase e Ovda Airbase, além da sede do Shin Bet, o serviço de segurança interno israelense.
O ataque ocorreu em meio à nova onda de confrontos entre os dois países, que vêm trocando bombardeios desde o início da guerra.
Israel amplia ofensiva no Líbano
O Exército de Israel informou que atingiu 70 alvos na região de Beirute, incluindo escritórios do Hezbollah e instalações da Guarda Revolucionária Islâmica.
Segundo o comunicado, cerca de 200 munições foram usadas em ataques contra depósitos de armas e quartéis militares.
Israel também afirmou que suas tropas continuam operações terrestres no sul do Líbano, onde localizaram posições defensivas e lançadores de foguetes do Hezbollah.
Nos últimos dez dias, os bombardeios israelenses no país já deixaram 634 mortos, mais de 1.586 feridos e cerca de 800 mil deslocados, segundo autoridades locais.
Ataques atingem países do Golfo
Durante a madrugada, drones e mísseis lançados a partir do Irã atingiram diferentes pontos da região do Golfo Pérsico.
Um edifício foi atingido em Dubai, enquanto instalações de combustível próximas à capital do Bahrein foram atacadas.
No Kuwait, um drone atingiu um prédio residencial no sul do país e deixou dois feridos.
A Arábia Saudita também informou ter interceptado ao menos 18 drones durante a noite.
Petróleo volta a subir
Os ataques contra infraestrutura energética provocaram nova alta no mercado internacional.
O barril do Brent, referência global do petróleo, voltou a superar US$ 100 nesta quinta-feira.
A escalada ocorre mesmo após uma intervenção inédita das grandes potências no mercado.
Os 32 países da Agência Internacional de Energia anunciaram a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, em uma tentativa de reduzir o impacto do conflito no abastecimento global.
Segundo o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, 172 milhões de barris devem começar a ser disponibilizados já na próxima semana.
Navios e rotas marítimas também são alvo
A tensão também se intensificou no Estreitode Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo.
Um cargueiro tailandês foi atingido por um projétil próximo à costa de Omã, provocando um incêndio a bordo.
Dos 23 tripulantes do navio, 20 foram resgatados pela Marinha de Omã, enquanto três marinheiros continuam desaparecidos.
A Guarda Revolucionária Islâmica reivindicou a autoria do ataque e também assumiu a responsabilidade por outra ação contra um navio ligado a Israel.
Segundo a agência marítima UK Maritime Trade Operations, pelo menos 17 incidentes envolvendo embarcações foram registrados na região desde o início da guerra.
Bases e tropas estrangeiras entram na zona de risco
A escalada também atingiu forças internacionais posicionadas no Oriente Médio.
Um drone atingiu uma base militar da Itália em Erbil, no Curdistão iraquiano.
A explosão provocou danos materiais e um incêndio, mas não deixou feridos entre os cerca de 120 militares italianos presentes no local.
Irã sinaliza possível trégua
Apesar da escalada militar, surgiram sinais de possíveis negociações.
Segundo a Bloomberg, autoridades iranianas indicaram que o país poderia considerar uma trégua caso Estados Unidos e Israel garantam que não voltarão a atacar o território iraniano após o fim da guerra.
Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã estaria “perto da derrota”, mas também indicou que os confrontos podem continuar por algum tempo.
De acordo com o jornal The New York Times, apenas a primeira semana de guerra já custou mais de US$ 11 bilhões aos Estados Unidos.
*Com EFE e AFP
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