2 mil pessoas e 3 toneladas de comida: por dentro do único resort all inclusive do sul do país

Por Daniel Giussani 7 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
2 mil pessoas e 3 toneladas de comida: por dentro do único resort all inclusive do sul do país

Antes do almoço ser servido, o Costão do Santinho já colocou uma operação digna de pequena cidade em movimento. São equipes espalhadas por cozinhas, vilas, piscinas e trilhas para receber, alimentar e entreter milhares de pessoas todos os dias. Mais especificamente, 2.000 pessoas.

A EXAME visitou o resort numa quinta-feira do início de janeiro. Mesmo com o tempo instável — as nuvens cinzas brigavam com o Sol o tempo inteiro — a movimentação era intensa. Vans e carrinhos levavam para cima e para baixo os milhares de turistas que passavam pelo espaço naquele dia. A maioria, famílias com crianças pequenas, carrinhos de bebê e uma agenda cheia de atividades incluídas no pacote.

O Costão do Santinho foi o primeiro resort all inclusive da região Sul, inaugurado em 1991 em Florianópolis, a capital de Santa Catarina.

Mais de três décadas depois, opera como uma pequena cidade turística à beira-mar, com tudo concentrado em um único território: hospedagem, alimentação, lazer, eventos e preservação ambiental.

“Quando você olha de fora, parece só lazer. Mas por trás tem uma operação enorme funcionando o tempo todo”, diz Daniela Rocco, diretora comercial e de marketing do Costão. Segundo ela, apenas a área de alimentos movimenta cerca de 85 toneladas por mês, o que equivale a algo próximo de 3 toneladas por dia, considerando cafés da manhã, almoços, jantares e lanches espalhados pelo resort.

O futuro passa por manter essa engrenagem rodando enquanto o empreendimento atravessa uma fase de transformação.

Desde 2019, o Costão vem passando por um retrofit gradual, com reformas no hotel, nos espaços de eventos e, nos próximos anos, nas vilas — o coração do resort.

A história do Costão

Antes de virar um resort, o Costão do Santinho já era um ponto central da história da região.

A área abriga um dos maiores sítios arqueológicos a céu aberto do Brasil, com inscrições rupestres e oficinas líticas deixadas por povos que ocuparam o litoral catarinense há cerca de 5.000 anos.

A virada veio no fim dos anos 1980, quando o economista e empresário catarinense Fernando Marcondes de Mattos enxergou potencial turístico em uma área ainda isolada do norte da ilha.

O projeto nasceu grande para a época e foi inaugurado em dezembro de 1991, apostando em um modelo pouco comum no Brasil: o all inclusive integrado à natureza.

A arquitetura horizontal, inspirada nas vilas açorianas, ajudou a diferenciar o resort de hotéis verticais tradicionais. A proposta sempre foi misturar escala, cultura local e preservação ambiental — uma equação que se tornaria cada vez mais central para a sobrevivência do negócio.

Qual é a estrutura do Costão hoje

Hoje, o Costão ocupa uma área de 1 milhão de metros quadrados, dos quais mais de 750 mil metros quadrados são de Mata Atlântica preservada. Dentro desse território, estão 699 apartamentos, com capacidade para até 1.916 hóspedes simultaneamente.

A operação inclui sete restaurantes, bares, quiosques, 11 piscinas, parque aquático infantil, teatro com mais de 500 lugares, trilhas, spa e um centro de convenções de 9 mil metros quadrados, capaz de receber até 6.000 pessoas em eventos corporativos.

Para dar conta da alimentação, o resort criou uma Central de Produção e Distribuição de Alimentos (CPDA), onde tudo é higienizado, pré-preparado e distribuído para os restaurantes.

“O principal motivador foi reduzir desperdício. Não faz sentido falar em preservação e jogar comida fora”, afirma Daniela.

Segundo ela, a mudança trouxe resultados concretos. “Em 2025, conseguimos reduzir o custo em cerca de 45% em relação a 2024, mesmo com aumento no preço dos insumos, e ainda assim aumentamos o NPS dos restaurantes”, diz.

A engrenagem envolve cerca de 1.420 funcionários, considerando também o Costão Estaleirinho. Em dias cheios, a logística vai além da comida. É preciso manter quartos, piscinas, trilhas e áreas comuns funcionando, além de uma programação contínua de lazer. No dia da visita da EXAME, fadas e princesas comandavam um café da tarde infantil no meio da tarde.

O perfil do hóspede também exige adaptação. No último verão, os argentinos chegaram a representar 40% do público. Neste ano, a participação caiu para algo próximo de 28%, enquanto o número de chilenos cresceu após a abertura de novos voos.

“Isso muda tudo: comunicação, atendimento, equipe. Você precisa ter gente que fale outros idiomas”, afirma Daniela.

Os desafios e os próximos passos

Manter o Costão relevante passa por três frentes principais:

O retrofit iniciado em 2019 segue em andamento. O Hotel Internacional e os salões de eventos já passaram por atualizações. As vilas, onde ficam a maioria dos apartamentos, são o próximo passo — um investimento alto, mas necessário para competir com resorts mais novos.

Ao mesmo tempo, o grupo olha para fora do Santinho.

Recentemente, Fernando Marcondes anunciou um investimento de 180 milhões de reais no Costão Estaleirinho, em Balneário Camboriú, sinalizando uma estratégia de crescimento além do ícone original.

“2025 foi um ano histórico em receita, resultado e satisfação”, diz Daniela. O desafio agora é transformar esse pico em padrão — sem perder o que fez do Costão um clássico do turismo brasileiro.

1/10 (1º lugar: Nvidia (NVDC34))

2/10 (2º lugar: Tesla (TSLA34))

3/10 (3º lugar: Advanced Micro Devices (A1MD34))

4/10 (4º lugar: KLA (K1LA34))

5/10 (5º lugar: Tokyo Electron (TYO: 8035))

6/10 (6º lugar: Pinduoduo (Nasdaq: PDD))

7/10 (7º lugar: Cadence Design Systems (C1DN34))

8/10 (8º lugar: Lam Research (L1RC34))

9/10 (9º lugar: Synopsys (S1NP34))

10/10 (10º lugar: Shopify (S2HO34))

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