3 números do balanço do Santander que podem azedar o humor do investidor
O primeiro trimestre de 2026 foi um período de pressão para os resultados do Santander Brasil. Juros elevados, famílias endividadas e um ambiente econômico adverso deixaram marcas no balanço do banco. Lucro, rentabilidade e inadimplência do banco se deterioraram.
A administração descreveu o cenário com uma expressão que se repete ao longo do relatório: "macro desafiador".
Três números traduzem bem o tamanho desse desafio.
O retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) encerrou o trimestre em 16,0%, com queda de 1,5 ponto percentual na comparação anual e de 1,6 p.p. em relação ao 4T25, quando havia chegado a 17,6%, o melhor nível em quatro anos.
Para entender por que esse recuo incomoda o investidor, é preciso lembrar de onde o banco veio. Em 2023, após o rombo bilionário causado pela crise das Americanas e um ciclo severo de inadimplência, o ROAE do Santander despencou para cerca de 12%, um dos piores momentos da instituição em anos.
Na época, o CEO Mario Leão sinalizou para uma recuperação gradual, com a rentabilidade mirando primeiro o patamar de 15%, depois a faixa entre 15% e 20%. A meta estrutural de 20% foi posteriormente adiada para 2027.
No acumulado de 2025, o banco registrou lucro de R$ 15,6 bilhões, crescimento de 12,6%, e o ROAE chegou a 17,6% no 4T25. A jornada de recuperação parecia nos trilhos. O resultado do 1T26 interrompe esse movimento e recoloca a meta de 20% no campo da incerteza.
2. O índice de inadimplência
O índice de empréstimos com atraso acima de 90 dias atingiu 3,3% no trimestre, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao 4T25 e de 0,6 p.p. na comparação anual.
Em pessoas físicas de menor renda, o índice chegou a 4,9%, e em pequenas e médias empresas, oo NPL alcançou 6,0% — a piora mais intensa, com avanço de 1,4 p.p. no ano.
A consequência direta é a provisão para devedores duvidosos, que totalizou R$ 6,344 bilhões no trimestre, alta de 3,9% em relação ao 4T25, consumindo diretamente o lucro.
Há ainda um elemento técnico que complica a leitura. Ao longo de 2025, o Santander revisou sua política de write-off, passando a antecipar a baixa a prejuízo de créditos irrecuperáveis. Com a mudança ainda em implementação, créditos que antes saíam da carteira mais cedo agora permanecem por mais tempo, pressionando os índices para cima.
O write-off do trimestre somou R$ 5,508 bilhões, alta de 31,9% em relação ao 4T25. O banco reconhece perdas mais rapidamente, o que é saudável no longo prazo, mas gera ruído nos indicadores no curto prazo.
3. O lucro
O Santander Brasil encerrou o trimestre com lucro líquido gerencial de R$ 3,788 bilhões, queda de 1,9% na comparação anual e de 7,3% em relação ao 4T25. É o menor resultado trimestral desde o 2T25, quando o banco registrou R$ 3,659 bilhões. E ficou abaixo da média das projeções do mercado, que previa lucro de R$ 4 bilhões.
O número é pressionado por uma combinação de fatores que se reforçam. A PDD consumiu R$ 6,344 bilhões do resultado, alta de 3,9% no trimestre, ainda que levemente abaixo do 1T25.
As provisões para contingências, reservas constituídas para cobrir eventuais perdas em processos judiciais e disputas regulatórias, avançaram 21,3% no ano, para R$ 1,126 bilhão, sem que o banco detalhe a origem do aumento. E a margem com mercado, sensível ao ciclo de juros, acumulou perda de R$ 771 milhões — o quarto trimestre consecutivo no campo negativo.
O lado positivo existe: despesas gerais ficaram estáveis no trimestre e cresceram apenas 0,9% no ano, bem abaixo da inflação, e a margem com clientes avançou 4,8% no ano. Mas esses fatores não foram suficientes para compensar as pressões vindas do ambiente macro.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: