5 câmeras para registrar sua rotina de forma 'aesthetic'
Informalmente chamada de 8ª arte, a fotografia feita por "pessoas comuns" sempre ocupou um espaço especial — reservada a momentos como aniversários e comemorações. Mas tudo mudou quando as câmeras foram integradas aos celulares.
Se antes era necessário parar, pensar, compor e só então registrar — ou simplesmente se render ao caos do momento e deixar a foto borrada documentar aquele segundo —, hoje basta tirar o smartphone do bolso.
O resultado? Imagens cada vez mais editadas e parecidas entre si, mesmo entre quem não faz da fotografia uma atividade comercial, em que esse apelo de perfeição tende a ser mais evidente.
Naturalmente, surge uma contracultura, que tenta se afastar desse padrão visual tão polido. Puxado sobretudo pela Geração Z, o movimento redefine o que é ser aesthetic: não uma imagem impecável, mas autêntica, que se expressa nas fotos com textura, cruas, intencionalmente imperfeitas.
Esse combate ao perfeccionismo preparou o terreno para a volta das câmeras analógicas e compactas. As buscas por esses equipamentos — principalmente a famosa Cybershot, da Sony — cresceram até 563% em 2024, segundo relatório divulgado no Pequenas Empresas & Grandes Negócios, com a geração Z puxando esse interesse.
Câmeras Analógicas: funcionários do Bellows Film Lab atendem em loja que revive a fotografia analógica, em 26 de maio de 2023. (Mary Mathis/The Washington Post/Getty Images)
Esse movimento também passa pelas pessoas comuns do começo do texto. Em vez da imagem corrigida demais pelo smartphone, cresce o interesse por câmeras digitais para registrar a rotina como ela é. A seguir, cinco modelos indicados para quem quer esse tipo de registro com um pouco mais de qualidade.
5 câmeras indicadas para quem quer fotografar no dia a dia
A Zf é a resposta da Nikon a um movimento que a Fujifilm ajudou a popularizar, dos equipamentos de corpo com estética retrô e sensor moderno. A diferença é que a Nikon equipou fotojornalistas por décadas antes de chegar a esse formato.
O sensor full-frame de 24,5 MP vem acompanhado de estabilização de 8 stops, o que a torna funcional em situações de pouca luz sem abrir mão do controle manual. É uma câmera para quem já tem alguma intimidade com fotografia e quer um equipamento que acompanhe tanto uma caminhada pela cidade quanto uma viagem. Custa entre R$ 12.000 e R$ 15.000 no Brasil (e cerca de US$ 2.000 nos Estados Unidos, apenas corpo).
Olympus PEN-F
Lançada em 2016 e descontinuada desde então, a PEN-F virou objeto de desejo no mercado usado, o que faz da sua procura uma verdadeira "caça ao tesouro" em brechós e bazares por aí.
É uma peça recorrente entre criadores que buscam uma imagem com mais personalidade, especialmente pelos perfis de cor e modos monocromáticos. Leve e compacta, funciona bem para fotografia de rua e uso cotidiano, principalmente para quem valoriza o processo e a construção da imagem.
Em termos técnicos, já não compete com modelos mais recentes, e isso aparece tanto no desempenho quanto no preço inflado no mercado de usados. Ainda assim, mantém apelo para um público específico, que pode encontrá-la na faixa de US$ 800 e US$ 1.200 lá fora (e a cerca de R$ 4.500 a R$ 7 mil aqui no Brasil).
A Leica existe desde 1914, em Wetzlar, na Alemanha, e construiu sua reputação abastecendo fotógrafos que documentaram o século XX. A Q3 carrega esse histórico em um corpo compacto com sensor full-frame de 60 MP e lente fixa de 28mm f/1.7. Quem não tem intimidade com o enquadramento aberto do 28mm vai lutar com ela.
Para quem domina, a combinação com vídeo em 8K e proteção IP52 entrega um equipamento que funciona tanto no estúdio quanto na rua com chuva. É a câmera mais cara desta seleção, entre R$ 33.000 e R$ 44.000, e compete diretamente com a Sony RX1R II, por exemplo.
Ricoh GR IIIx
A compacta APS-C de lente fixa da Ricoh se consolidou como uma das favoritas para registro cotidiano. Pequena o suficiente para caber no bolso, é feita para uso contínuo e perfeita para quem quer fotografar sem chamar atenção dos outros.
O sensor de 24 MP e a lente equivalente a 40mm ajudam a construir uma imagem mais próxima do olhar humano, enquanto o bom desempenho em ISO alto favorece cenas urbanas com luz variável. A limitação está na própria proposta, já que não há zoom, e o enquadramento exige adaptação. Funciona melhor para quem se dá bem com essa restrição. No Brasil, custa entre R$ 11 mil e R$ 12 mil (cerca de US$ 1.800 a US$ 2.000).
Sigma fp L
A Sigma é mais conhecida pelas lentes do que pelos próprios corpos de câmera, o que torna a fp L um produto curioso dentro do portfólio. Compacta e minimalista, ela abre mão de elementos tradicionais para funcionar como uma base sobre a qual o usuário constrói o que precisa.
A proposta é justamente essa: em vez de vir pronta, a câmera se adapta ao uso. Pode ser usada de forma simples, no dia a dia, ou virar parte de um setup mais robusto, com acessórios voltados para vídeo e produção mais elaborada. Isso explica por que atrai videomakers e fotógrafos que trabalham com configurações próprias.
Ao mesmo tempo, essa flexibilidade tem um custo. O que começa como uma câmera enxuta pode rapidamente se transformar em um conjunto maior — e mais caro — dependendo dos acessórios escolhidos. O corpo custa cerca de R$ 14 mil, mas o investimento raramente para por aí.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: