5 lições para negócios que cresceram sem controle financeiro
Crescer rápido é uma ambição comum entre pequenos negócios. O problema surge quando a expansão acontece antes da organização — e o aumento do faturamento não vem acompanhado de controle, previsibilidade e margem.
Esse é o pano de fundo do novo episódio do Choque de Gestão, reality show da EXAME com patrocínio de Santander Empresas e Claro Empresas. O programa acompanha a rotina da Crums, confeitaria criada há sete anos no Rio de Janeiro, que ampliou cardápio, horários e frentes de atuação, mas ainda enfrenta dificuldades para entender, na prática, se o negócio é lucrativo.
À frente da operação estão os sócios Joel Ferreira e Fernando César, que acumulam funções que vão da produção ao atendimento, das compras ao financeiro. Para ajudá-los a organizar esse próximo passo, o episódio traz um diagnóstico direto do empresário Guilherme Lemos, CEO e cofundador do Grupo Rão.
A seguir, as principais lições do episódio válidas para qualquer PME que cresceu sem colocar os números na lupa.
1. Faturar não é lucrar
A primeira constatação é simples, mas frequentemente ignorada. A Crums vende, cresce e tem fluxo constante de clientes, mas não consegue enxergar com clareza quanto sobra no fim do mês.
Sem um demonstrativo de resultados (DRE) atualizado e fiel à realidade da operação, decisões estratégicas passam a ser tomadas no escuro.
“Se o resultado líquido não chega perto de 20%, alguma coisa está errada”, afirma Lemos.
Na maioria dos casos, o problema está no CMV, na mão de obra ou no custo de ocupação.
2. Métricas básicas evitam improviso
Outro alerta do episódio é a ausência de indicadores simples, mas decisivos, como quanto cada funcionário precisa faturar para que a operação seja saudável.
Sem esse número, o empreendedor não sabe se tem equipe demais, de menos ou mal alocada.
“Número não é burocracia. É ferramenta de decisão”, diz Lemos.
3. Estar na operação não pode impedir a gestão
Na Crums, os sócios tentam organizar o financeiro, mas precisam interromper o trabalho constantemente para atender clientes, resolver problemas na cozinha ou correr atrás de compras emergenciais.
O resultado é uma gestão fragmentada, sempre apagando incêndios. Para Lemos, em negócios de alimentação, estar na operação é inevitável, mas isso não pode significar abrir mão do controle. Estoque, custos e compras precisam ser acompanhados de perto, inclusive pelos donos.
4. Falta de equipe e de controle
Um dos recados mais duros do episódio é sobre usar a falta de pessoal como justificativa para não avançar na gestão. Segundo o mentor, esse raciocínio cria um ciclo vicioso: sem controle, não há margem; sem margem, não há recursos para estruturar o time.
“Não existe ‘daqui a seis meses eu faço’. Não tem seis meses”, afirma.
O crescimento sustentável exige urgência na organização, mesmo com recursos limitados.
5. Testar, medir e corrigir rápido
Localizada em uma região turística, a Crums ainda explora pouco horários alternativos, como a madrugada — um período que, segundo Lemos, pode representar uma fatia relevante do faturamento em negócios de alimentação.
A recomendação é clara: testar novas frentes, medir resultados rapidamente e corrigir rotas sem apego. Para isso, os números precisam estar organizados e acessíveis.
Ao longo do episódio, o mentor resume a lógica da gestão em uma fórmula simples: mais receita, menos despesa e NPS alto. Colocar custos “na lupa”, entender quanto custa cada produto e quanto pequenas ineficiências corroem o caixa é o primeiro passo para transformar crescimento em lucro.
A história da Crums deixa uma lição direta para quem empreende: crescer sem controle financeiro pode transformar uma boa ideia em um risco. Profissionalizar a gestão não é um luxo — é condição para continuar avançando.
Empresas interessadas em participar dos próximos episódios do Choque de Gestão podem se inscrever gratuitamente no site do programa.
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