5 peças de teatro para assistir em São Paulo em março de 2026
Los Angeles pode até ser o palco da vez nas próximas semanas, com O Agente Secreto no Oscar de 2026. Mas a cidade de São Paulo também será o cenário de novos espetáculos em março: várias peças de teatro continuam ou estreiam suas temporadas neste mês, com nomes como Eduardo Moscovis, Chay Suede e Gabriel Leone no elenco.
Entre os destaques está A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay, que marca a estreia de Chay Suede no teatro. O ator conta causos reais (ou não) de sua infância e adolescência, misturados a referências de obras clássicas da literatura. É um passeio cômico e filosófico pela formação e pelas histórias inacreditáveis de um personagem apresentado como Cavalheiro Roobertchay.
Gabriel Leone brilha em Hamlet, Sonhos de Virão, já em cartaz no Nu Cine Copan — recém-inaugurado na capital paulista após passar 40 anos fechado. A montagem recria a clássica dramaturgia de William Shakespeare, escrita entre 1599 e 1601. Com direção de Rafael Gomes, faz uma adaptação inédita e contemporânea da história.
Abaixo, separamos cinco peças para assistir em São Paulo no mês de março. Confira:
A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay
O espetáculo adulto e humorístico–filosófico recria — de forma livre e nada literal — passagens da infância e adolescência de Chay Suede. Inspirada em romances como ‘A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy’ (Laurence Sterne) e ‘Memórias póstumas de Brás Cubas’ (Machado de Assis), a peça transforma o conceito tradicional de biografia ou autoficção. Aqui, realidade e imaginação se entrelaçam, deslocando a figura pública e o indivíduo privado para um novo território: o do Cavalheiro Roobertchay.
Teatro Cultura Artística - Rua Nestor Pestana, nº 196 - Consolação, São Paulo - SP | De 7 de março a 3 de maio aos sábados, às 19h e às 21h30; e domingos, às 17h e às 19h | Ingressos a partir de R$ 160 no site oficial da Tickemaster.
Hamlet, Sonhos de Virão
Escrita entre 1599 e 1601 pelo britânico William Shakespeare, “Hamlet” é considerada a obra mais célebre da dramaturgia ocidental. A tragédia acompanha o príncipe da Dinamarca confrontado com o assassinato do pai, a ascensão ao trono de um tio usurpador e um mundo moralmente corrompido, no qual agir parece tão impossível quanto não agir. Ao longo da peça, Shakespeare constrói um retrato radical da dúvida, da crise de sentido e do conflito entre desejo, poder e responsabilidade — temas que atravessam mais de quatro séculos de história e seguem interpelando o presente.
É esse clássico que retorna à cena paulistana em Hamlet, sonhos que virão, uma adaptação inédita e contemporânea, com direção de Rafael Gomes e com Gabriel Leone no papel-título. A montagem desloca o teatro para fora do teatro, ocupa o canteiro de obras do Nu Cine Copan (desativado há décadas e atualmente em reforma para ser devolvido à cidade como um cinema de última geração, que será entregue à população em 2027) e oferece ao público uma experiência ‘site specific’ única, transformando o próprio edifício — suspenso entre abandono e reconstrução — no centro da dramaturgia.
Nu Cine Copan - Avenida Ipiranga, 200 - Centro, São Paulo - SP | Até 19 de abril às quartas (20h), quintas e sextas (20h, 20h30), sábado (16h e 20h) e domingo (17h) | Ingressos a partir de R$ 25 no site oficial do Cine Copan.
O Motociclista no Globo da Morte
O que leva um homem pacífico, que sente repulsa por qualquer tipo de violência, que aprendeu a viver evitando conflitos – para não ser alvo da agressividade de outras pessoas – a cometer um ato extremamente violento? A peça conta a história de Antonio, um matemático, um homem racional e sensato que, numa tarde de um dia qualquer, se vê envolvido numa espiral de violência quando almoçava em um bar. A partir daquele fato, a vida dele muda para sempre.
A obscura gênese da violência – seja ela inerente à natureza humana e, portanto, incontornável, ou fruto das relações sociais – é a principal premissa do monólogo inédito ‘O motociclista no globo da morte’, do dramaturgo, diretor e ator Leonardo Netto. O monólogo marca a primeira parceria de Eduardo Moscovis com o diretor Rodrigo Portella, e é o quinto espetáculo produzido pelo ator.
Teatro Vivo - Avenida Doutor Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi, São Paulo - São Paulo | de 6 a 29 de março, às sextas e aos sábados às 20h00, e aos domingos às 18h00 | Ingressos a partir de R$ 75 no site oficial da Sympla.
Gal, o Musical
Depois do enorme sucesso dos musicais Silvio Santos Vem Aí e Ney Matogrosso - Homem com H, Marília Toledo e Emilio Boechat repetem a parceria para homenagear a saudosa Gal Costa (1945-2022), uma das vozes mais marcantes da música popular brasileira.
O espetáculo biográfico narra como a pequena Maria da Graça Costa Penna Burgos, nascida no dia 26 de setembro de 1945, em Salvador (BA), tornaria-se uma das figuras mais importantes da Tropicália, esse movimento importantíssimo da cultura popular brasileira, um símbolo feminista e uma das maiores cantoras do mundo — tendo, inclusive, sido eleita uma das 10 maiores vozes femininas do mundo pela revista estadunidense Time.
033ROOFTOP - Av. Juscelino Kubtscheck, 2041 - Teatro Santander, São Paulo - SP | De 6 de março a 12 de abril, sextas às 20h30, sábados às 16h30 e 20h30, domingos às 15h30 e 19h30 | Ingressos a partir de R$ 25 no site oficial da Sympla.
Os Ignorantes
Os Ignorantes é um espetáculo sobre a ignorância que a pessoa tem de si mesma. O texto foi inspirado num suposto cordel intitulado Os Ingnorante, de suposta autoria de José de Oliveira. Diz o poeta:
“Nós sofre, coitados, da redundância De s’ignorá e num adnití Que todos nós vive na ignorância.”
A história é simples: Filho único, criado só pelo pai, é atingido por uma bala perdida disparada do bar em frente à casa onde mora. O comportamento dos personagens envolvidos neste incidente revela ignorância deles a respeito de suas mais profundas motivações. O destino do menino passa a ser determinado pela ação das pessoas ligadas à ele, sem que elas tenham consciencia de que suas atitudes estão subordinadas a regiões de suas psicologias sobre as quais elas não têm nenhum controle, e nem tão pouco, conhecimento disto.
Ainda que o fato em torno do qual se desenrole a trama seja um tragédia, a peça é um comédia leve, no estilo quase de uma comédia picaresca; que antes dá lugar à brincadeira própria do teatro do que às pretensões de profundidade intelectual.
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