76% das redes brasileiras da DE-CIX já operam em alta capacidade para IA
O Brasil chegou a 76% das redes conectadas à DE-CIX operando com portas de 100 GE, padrão de alta capacidade usado para ampliar o tráfego de dados em larga escala. O dado faz parte do Relatório Anual 2025 da companhia, que atua como operadora de IXs, que são os pontos de troca de tráfego da internet, e indica uma aceleração da infraestrutura digital brasileira em meio à maior demanda por IA generativa e cloud computing, computação em nuvem.
A leitura da empresa é que o país deixou de ser apenas um mercado que acompanha tendências globais para adotar, em ritmo mais rápido, estruturas de ultra-alta capacidade.
"A DE-CIX descreve esse movimento como salto de etapa quando um mercado pula fases intermediárias de adoção tecnológica e passa diretamente para padrões mais avançados", afirma Darwin da Costa, diretor regional da DE-CIX.
Segundo o executivo, a demanda não se concentra em apenas um tipo de cliente. Operadoras de rede, que atendem milhares de usuários finais, tendem a consumir capacidade de forma contínua. Já empresas de setores como financeiro, automotivo e entretenimento buscam conexões flexíveis para projetos específicos, picos de audiência ou acesso a diferentes provedores de nuvem.
Em três meses, o país conectou 41 redes de alta performance à infraestrutura da empresa, ritmo que a DE-CIX diz superar sua média global. Para a companhia, esse avanço mostra que parte do mercado brasileiro tenta antecipar gargalos antes de uma nova onda de aplicações intensivas em dados.
“Isso demonstra que o Brasil não é só um mercado maduro do ponto de vista de interconexão e referência de internet mundial, mas também que está se preparando para muita coisa que vem aí, especialmente com workloads periódicos, treinamento e inteligência artificial”, diz Darwin.
Portas de 100 GE, sigla para 100 Gigabit Ethernet, permitem transportar volumes maiores de dados entre operadoras, provedores de conteúdo, plataformas digitais e serviços corporativos. Na prática, esse tipo de conexão ajuda a reduzir congestionamentos e melhora a resposta de serviços que dependem de baixa latência, tempo de resposta entre sistemas.
O avanço também está ligado ao crescimento do uso de nuvem por empresas brasileiras, especialmente em segmentos que dependem de estabilidade e resposta rápida. Darwin cita fintechs, empresas de tecnologia financeira, como um dos grupos que têm aumentado a contratação de múltiplas conexões de 10 GE, usadas para acessar diferentes ambientes de nuvem com maior flexibilidade.
São Paulo-Nova York reforça papel do Brasil como hub regional
Outro ponto destacado pela DE-CIX é a consolidação do corredor de dados entre São Paulo e Nova York. A rota conecta o maior mercado digital da América Latina a um dos principais centros financeiros e tecnológicos do mundo, o que pode reduzir a dependência de caminhos mais longos para aplicações consumidas em tempo real.
A empresa afirma que o Brasil já funciona como hub, centro regional de conexão, para parte relevante do tráfego digital da América Latina. Esse papel é reforçado pela presença de data centers, centros de processamento de dados, em diferentes localidades do país e pela existência de rotas redundantes entre redes.
A empresa também vê diferença entre capacidade instalada e uso efetivo dessa infraestrutura. Após a pandemia, parte das operadoras passou a trabalhar com folga de capacidade, o que pode ser negativo em termos de eficiência financeira, mas ajuda a absorver eventos com picos de audiência, como competições esportivas, transmissões ao vivo e grandes volumes de vídeo.
Darwin cita a parceria global da DE-CIX com a Google como exemplo de mudança na forma de distribuir conteúdo. Segundo ele, em períodos de alto consumo, como o Carnaval, parte relevante do tráfego do YouTube passou a ser entregue localmente, com foco em qualidade e latência para usuários brasileiros.
No cenário global, a DE-CIX reportou receita de € 70,9 milhões no ano fiscal de 2025. A companhia também registrou crescimento de 120% na adoção de portas de 400 GE e lançou a primeira porta de 800 GE em Frankfurt, na Alemanha, em um sinal da escalada internacional por redes de maior capacidade.
Para o Brasil, o avanço técnico ainda depende de fatores fora da camada de interconexão. O executivo cita regulação, investimentos em novos data centers, cabos submarinos e substituição de ativos próximos ao fim da vida útil como temas necessários para sustentar a expansão. A avaliação da empresa é que impasses regulatórios podem atrasar decisões de investimento e reduzir a velocidade de crescimento do setor.
A DE-CIX afirma que sua operação brasileira ainda está em fase inicial e, por isso, não detalha resultados financeiros por país. Mesmo assim, a companhia diz que o Brasil deve ganhar peso no desempenho internacional do grupo, hoje próximo de 30% da receita fora do mercado doméstico.
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