7º dia de guerra no Irã: Teerã ameaça Europa e países que apoiam os EUA e Israel

Por Mateus Omena 7 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
7º dia de guerra no Irã: Teerã ameaça Europa e países que apoiam os EUA e Israel

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, fez um alerta a países europeus que decidam apoiar os Estados Unidos e Israel no conflito no Oriente Médio.

A declaração ocorreu durante entrevista ao canal France 24, após uma manifestação conjunta de países europeus em apoio à ofensiva conduzida por Washington e pelo governo israelense.

“[Nós já tínhamos] informado aos europeus e todos os demais que deveriam ter cuidado para não se envolverem nessa guerra de agressão contra o Irã”, disse Majid Takht-Ravanchi.

“Se [algum país] se juntar aos Estados Unidos e a Israel na agressão contra o Irã, também se tornará alvo legítimo de retaliação iraniana”, disse Majid Takht-Ravanchi.

Em posicionamento conjunto, Alemanha, França e Reino Unido cobraram o fim dos “ataques imprudentes” atribuídos ao Irã. Os três governos afirmaram que poderão adotar medidas “defensivas” consideradas necessárias para “destruir a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones em sua origem”.

A Alemanha também declarou que não é momento de oferecer “lições” aos aliados envolvidos na ofensiva contra o Irã. A diplomacia alemã indicou que compartilha dos objetivos dos Estados Unidos e de Israel de derrubar o governo de Teerã e afirmou estar disposta a contribuir para a “recuperação econômica do Irã”.

Possível vantagem contra os EUA

Autoridades com acesso à inteligência dos Estados Unidos afirmaram que a Rússia repassou ao Irã dados que poderiam auxiliar Teerã a atacar navios de guerra, aeronaves e outros alvos americanos na região, informou a agência de notícias Associated Press.

As duas fontes, que não têm autorização para comentar publicamente o tema e falaram sob condição de anonimato, disseram que os serviços de inteligência dos EUA ainda não identificaram evidências de que Moscou esteja orientando o Irã sobre como utilizar essas informações.

Mesmo assim, o episódio é descrito como o primeiro sinal de que o governo russo pode ter tentado se envolver no conflito iniciado há uma semana pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã. Nos últimos anos, a Rússia ampliou sua cooperação com Teerã para obter mísseis e drones, considerados equipamentos estratégicos na guerra que Moscou trava há quatro anos contra a Ucrânia.

O Irã enfrenta isolamento internacional há anos em razão de seu programa nuclear e do apoio a grupos paramilitares como o Hezbollah, o Hamas e os Houthis, organizações que atuam em diferentes frentes de conflito no Oriente Médio.

Ataques de Israel contra Teerã e Isfahan

O Exército de Israel afirmou nesta sexta-feira, 5, que lançou uma nova série de ataques contra o Irã, com alvos nas cidades de Teerã e Isfahan.

"As Forças de Defesa de Israel iniciaram uma onda de ataques contra a infraestrutura do regime terrorista iraniano em Teerã e Isfahan", disseram as forças armadas em comunicado.

Mais cedo, o Exército israelense também havia indicado que realizaria um ataque a uma zona industrial em Qom, ao sul da capital iraniana, e divulgou uma "advertência urgente" direcionada às pessoas que estavam na região.

"Advertência urgente a todas as pessoas presentes na zona industrial de Shahkuhiyeh. Nas próximas horas, as FDI operarão na zona, como têm feito nos últimos dias em todo o Irã, para atacar a infraestrutura militar do regime iraniano", afirmou o porta-voz em persa das FDI, o tenente-coronel Kamal Penhasi.

Ainda nesta sexta-feira, segundo outra nota das forças armadas, cerca de 50 caças israelenses participaram de um ataque que destruiu o bunker militar subterrâneo do já falecido ex-líder do regime iraniano, Ali Khamenei.

De acordo com Israel, a estrutura subterrânea continuava "constituindo uma importante infraestrutura para os altos funcionários do regime iraniano".

Os novos ataques ocorreram após Teerã registrar, durante a madrugada, a noite mais intensa de bombardeios no centro da cidade desde o início do conflito, o que provocou pânico e tensão entre os moradores.

Os bombardeios contra a capital iraniana têm se repetido desde que Israel e Estados Unidos iniciaram, em 28 de fevereiro, a ofensiva militar contra o Irã. Até agora, mais de mil iranianos morreram e milhares de edifícios foram destruídos em diferentes regiões do país.

ONU teme que situação saia do controle

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou nesta sexta-feira que os ataques no Oriente Médio têm provocado “um enorme sofrimento” e pediu o início de “negociações diplomáticas sérias”, alertando que a situação “pode sair do controle”.

“Todos os ataques ilegais no Oriente Médio e em outros lugares estão causando enorme sofrimento e danos à população civil de toda a região, e representam um grave risco para a economia mundial, em particular para as pessoas mais vulneráveis”, afirmou Guterres em um comunicado.

O chefe da ONU também declarou que “é hora de parar os combates e iniciar negociações diplomáticas sérias”.

Na quinta-feira, o secretário-geral já havia alertado para as “múltiplas consequências” da guerra no Irã. Segundo ele, os ataques realizados por Estados Unidos e Israel têm provocado “deslocamentos internos em massa” e pressionado os preços do petróleo e do gás.

Questionado sobre o risco de ampliação da crise, o porta-voz da Secretaria-Geral da ONU, Stephane Dujarric, afirmou que “é urgente cessar a violência, garantir o acesso humanitário e proteger os civis”.

“O secretário-geral mantém contato permanente com líderes da região, incluindo representantes de países do Golfo e Irã, para reforçar a diplomacia e evitar que a crise se transforme em um conflito global de maior magnitude”, declarou.

Mortes no Líbano

O número de mortos causado pela ofensiva aérea de Israel contra o Líbano, iniciada há cinco dias, chegou a 217 nesta sexta-feira. O total de feridos também aumentou e já se aproxima de 800, indicando uma elevação no registro de vítimas nas últimas 24 horas.

De acordo com o Centro de Operações de Emergência do Ministério da Saúde Pública do Líbano, desde o começo da campanha de bombardeios, na madrugada da última segunda-feira, 217 pessoas morreram e outras 798 ficaram feridas em diferentes áreas do país.

O novo balanço representa uma duplicação do número de mortos em menos de 24 horas. Na noite de quinta-feira, o último levantamento divulgado pelo órgão governamental indicava 123 vítimas fatais.

Entre os ataques registrados nesta sexta-feira está um bombardeio contra um edifício na cidade de Sídon, no sul do país, que deixou cinco mortos. A cidade não costuma figurar entre os alvos frequentes. Outro ataque, ocorrido na localidade de Nabi Chit, no leste do Líbano, provocou pelo menos três mortes.

Israel mantém uma campanha intensa de bombardeios contra o sul e o leste do Líbano, além da região sul de Beirute. No início da ofensiva, os ataques eram realizados principalmente após avisos de evacuação. Desde a noite de quinta-feira, no entanto, os bombardeios passaram a ocorrer sem alerta prévio, após Israel ter solicitado a retirada em massa da população dessas áreas.

Enquanto isso, o grupo xiita libanês Hezbollah segue realizando ataques de impacto limitado contra o norte de Israel.

*Com informações das agências EFE e AFP.

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