93% das jovens brasileiras querem mudar o próprio corpo — e as redes sociais são culpadas

Por Letícia Ozório 27 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
93% das jovens brasileiras querem mudar o próprio corpo — e as redes sociais são culpadas

93% das jovens entre 18 e 24 anos já tiveram vontade de realizar algum procedimento estético ou cirurgia plástica. O dado, por si só, expõe a força da pressão estética sobre essa geração — alimentada pela comparação constante nas redes sociais, pela imposição de padrões irreais e por uma rotina marcada por sobrecarga e sensação de atraso.

O número faz parte da pesquisa “Tudo no Seu Tempo”, realizada pela companhia de beleza État Pur em parceria com o Instituto Plano de Menina. O estudo ouviu meninas e jovens mulheres entre 14 e 30 anos entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

A maioria é formada por estudantes ou jovens em início de carreira, muitas conciliando trabalho, estudo e tarefas domésticas.

Redes sociais e autoestima

Entre as principais causas do desejo por mudanças estéticas está o ambiente digital. A pesquisa mostra que 57% passam três horas ou mais por dia conectadas e 69% acreditam que ficam tempo demais nas redes.

O impacto é direto na forma como se enxergam:

Ao todo, 66% já mudaram hábitos, comportamentos ou até objetivos de vida por influência do conteúdo consumido online.

Uma das jovens entrevistada resume essa percepção: “Você olha e sente que nunca está no mesmo nível. Parece que mudar o corpo é o único jeito de se sentir melhor", diz.

Corpo como resposta à pressão

O estudo aponta que, diante da cobrança por performance e perfeição, o corpo acaba se tornando um “território” onde muitas tentam resolver inseguranças emocionais e pressões externas. Nesse contexto, procedimentos estéticos passam a ser vistos como solução rápida.

Entre os mais citados estão rinoplastia (22%), próteses de silicone (19%) e lipoaspiração (15%). A normalização dessas intervenções ajuda a explicar por que 93% já cogitaram alterar o próprio corpo.

O levantamento também cita outros fatores de impacto na vida das jovens, como aparência (24%) e saúde mental (13%), mostrando como esses aspectos se entrelaçam.

Sensação de estar 'atrasada'

A pressão não vem apenas da estética. A rotina intensa também contribui para a vulnerabilidade emocional. Para 67%, o cotidiano é corrido; apenas 13% o consideram tranquilo. O tempo é ocupado principalmente por trabalho (63%) e estudo (17%).

Quase metade (49%) afirma sentir frequentemente ou sempre que está “atrasada” em relação aos próprios objetivos ou às expectativas externas; outras 47% dizem sentir isso às vezes. “Parece que tudo precisa acontecer rápido demais, e nunca é suficiente”, relata uma participante.

O impacto aparece também no autocuidado: 56% dizem que só às vezes conseguem reservar tempo para si, enquanto 14% raramente ou nunca têm esse espaço.

Autoestima, ansiedade e contradições

Quando o tema é autoestima, 55% classificam a própria percepção como mediana, e 17% como baixa ou muito baixa. Ansiedade (52%) e pressão (25%) são apontadas como os principais fatores que influenciam essa avaliação.

Embora 88% descrevam a saúde mental como boa ou muito boa, os dados revelam tensão: 42% sentem ansiedade semanalmente e 22% diariamente. “Na teoria está tudo bem. Mas, na prática, a cobrança não para”, diz outro depoimento.

O material ainda traz um recorte importante sobre meninas em contextos de vulnerabilidade social, que enfrentam uma dupla pressão: corresponder a padrões de beleza irreais enquanto lidam com limitações estruturais de acesso a descanso, cuidados e apoio emocional.

Mercado, excesso e proposta de mudança

A pesquisa também dialoga com o mercado de beleza. A État Pur destaca que 70% das pessoas têm pele geralmente saudável e que o uso indiscriminado de ativos pode ser prejudicial. A marca afirma buscar “romper com o tratamento excessivo da pele”, questionando promessas milagrosas que reforçam a ideia de que sempre é preciso corrigir algo.

A partir dos resultados, a iniciativa “Tudo no Seu Tempo” vai implementar uma jornada de impacto social com workshops online para cerca de 250 meninas atendidas pelo Instituto, produção de conteúdos educativos e uma campanha de arrecadação de livros em lojas da Beleza na Web, destinados às participantes do projeto.

A proposta é transformar os dados da pesquisa em ações concretas de fortalecimento emocional, educacional e social, ampliando o debate sobre autoestima, saúde mental e o direito de cada jovem viver no próprio ritmo.

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