A aposta da John Deere na retomada do agro para chegar a US$ 5 bilhões em 2026

Por César H. S. Rezende 21 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A aposta da John Deere na retomada do agro para chegar a US$ 5 bilhões em 2026

A John Deere está otimista com a retomada do agro em 2026. A empresa de maquinários agrícolas projeta lucro líquido entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões no ano fiscal de 2026, reforçando a aposta de que o próximo ano marcará o ponto mais baixo do ciclo atual do agronegócio.

A sinalização ao mercado veio acompanhada de revisão positiva das estimativas e desencadeou uma reação imediata nas ações. Na quinta-feira, 19, os papéis da companhia chegaram a subir até 13%, renovando o recorde de março de 2020 — a ação da empresa acumula valorização de 44% em 2026.

Parte do otimismo está ancorada na retomada das exportações americanas de soja para a China neste ano. A projeção é de que os EUA embarquem 26 milhões de toneladas para o país asiático.

A estimativa vem na esteira de um 2025 decepcionante para o agro dos EUA. No ano passado, os embarques do grão dos EUA para o país asiático caíram em razão da guerra tarifária do presidente Donald Trump. Com isso, a soja brasileira ganhou espaço em relação ao grão americano.

Além da retomada da soja, o governo dos Estados Unidos anunciou um pacote de apoio de US$ 12 bilhões aos agricultores, reforçando a liquidez no curto prazo. Os EUA são um dos principais mercados para a John Deere, uma vez que o país é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, principalmente de milho, com 400 milhões de toneladas.

Para John May, presidente do conselho e CEO da companhia, embora o setor agrícola global em larga escala continue enfrentando desafios, há sinais de melhora.

“Estamos encorajados pela recuperação contínua da demanda tanto nos segmentos de construção quanto de agricultura de pequeno porte”, disse, em nota.

Segundo o executivo, 2026 deve representar o piso do ciclo atual, criando base para um crescimento acelerado nos próximos anos.

Em novembro, a John Deere estimou um lucro líquido entre US$ 4 bilhões e US$ 4,7 bilhões. Na nova projeção, inclusive, o lucro ajustado por ação no primeiro trimestre fiscal superou amplamente as previsões dos analistas.

Segundo Josh Beal, diretor de relações com investidores, a estabilização dos fundamentos deve estimular a reposição de máquinas nos EUA.

Para o executivo, a idade média da frota americana de tratores e colheitadeiras está elevada, após anos de postergação de investimentos — a expectativa é de retorno gradual da demanda por substituição de equipamentos.

Outro vetor potencial é a política de biocombustíveis nos Estados Unidos. O setor aguarda maior clareza regulatória em 2026, com possível elevação das metas de mistura de combustíveis renováveis.

A ampliação do uso de etanol, inclusive com a eventual liberação da venda anual da mistura com 15% de etanol na gasolina, pode impulsionar a demanda por milho e soja — movimento já observado no Brasil, onde cresce a destinação do milho para etanol.

O otimismo da companhia contrasta com a visão dos produtores americanos. Segundo levantamento da Universidade Purdue, em parceria com o CME Group, a proporção de agricultores que esperam enfrentar dificuldades financeiras neste ano subiu de 47%, em dezembro, para 59%, em janeiro.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) estima que a dívida agrícola total aumentará 5,2%, atingindo o recorde de US$ 624,7 bilhões em 2026.

Uma pesquisa do Federal Reserve (Fed) mostra que os empréstimos agrícolas cresceram 40% no último trimestre de 2025.

Além disso, o valor médio desses financiamentos foi 30% maior do que no ano anterior, indicando que os produtores estão tomando empréstimos mais elevados para cobrir custos operacionais, segundo o banco central americano.

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No primeiro trimestre fiscal encerrado em 1º de fevereiro de 2026, a Deere & Company registrou lucro líquido de US$ 656 milhões, queda de 24,5% em relação aos US$ 869 milhões apurados no mesmo período do ano anterior — o lucro por ação recuou de US$ 3,19 para US$ 2,42.

Apesar da retração no resultado, as vendas líquidas e a receita global cresceram 13%, totalizando US$ 9,611 bilhões no trimestre. Considerando apenas as vendas líquidas, o montante foi de US$ 8,001 bilhões, alta de 17,5% na comparação anual.

O principal segmento da companhia, produção e agricultura de precisão — voltado aos grandes produtores — segue sob pressão.

As vendas de máquinas agrícolas e soluções de agricultura de precisão avançaram 3%, para US$ 3,163 bilhões, refletindo efeitos positivos do câmbio. Ainda assim, o lucro operacional da divisão caiu 59%, para US$ 139 milhões, impactado por tarifas mais elevadas e maiores despesas com garantias.

Em contraste, a área de agricultura de pequeno porte e gramados apresentou desempenho mais robusto. As vendas líquidas somaram US$ 2,168 bilhões no trimestre, crescimento de 24% em relação ao ano anterior.

O lucro operacional da divisão subiu 58%, para US$ 196 milhões, impulsionado pelo maior volume de embarques e pela realização de preços, parcialmente compensados por custos tarifários.

Para 2026, a empresa projeta queda de 5% nas vendas de tratores e colheitadeiras na América do Sul — revisão frente à expectativa de estabilidade divulgada em novembro de 2025.

Nos Estados Unidos e no Canadá, a previsão é de retração entre 15% e 20% nas vendas de máquinas agrícolas de grande porte, enquanto a comercialização de equipamentos para agricultura de pequeno porte e gramados deve variar entre estabilidade e alta de até 5%.

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