A batalha dos maestros: por que o Oscar 2027 tem tudo para ser histórico

Por Luiza Vilela 9 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A batalha dos maestros: por que o Oscar 2027 tem tudo para ser histórico

Um veterano de 94 anos, um revolucionário de 68 e um fenômeno de 41. O público que se prepare, porque o Oscar de 2027 pode ter uma batalha épica pela categoria de Melhor Trilha Sonora com três gigantes na corrida pela mesma estatueta: Hans Zimmer, John Williams e Ludwig Göransson.

As indicações à 99ª edição do prêmio da Academia serão reveladas ao público somente em janeiro de 2027. Ou seja, ainda é bem cedo para dizer quem vai concorrer ou não. Mas a trajetória dos três compositores dá sinais de que, muito possivelmente, a disputa pela estatueta será uma das mais acirradas da história.

Zimmer, aos 68 anos, será responsável pela trilha sonora de Duna: Parte 3, dirigido por Denis Villeneuve, com estreia marcada para 17 de dezembro. O compositor alemão, indicado 12 vezes ao Oscar, já levou a estatueta para casa justamente pelo primeiro filme da trilogia, em 2021. Foi a segunda de sua carreira, após O Rei Leão, em 1994.

O cenário poderia ser mais promissor a Zimmer, se não fosse a possível presença do lendário John Williams no calendário de estreias do cinema de 2026. No auge dos 94 anos, o compositor americano acumula incríveis 49 indicações ao Oscar de Melhor Trilha Sonora — e outras cinco à categoria de Melhor Canção Original. É até hoje a pessoa que mais recebeu nomeações na história da premiação, com clássicos como Star Wars e Harry Potter no currículo.

Neste ano, ele será reponsável pela trilha de Dia D, que leva direção do icônico Steven Spilberg e chega aos cinemas em 11 de junho. Parceiros de longa data, os dois já fizeram 17 filmes juntos e saíram vitoriosos no Oscar de Melhor Trilha Sonora em três ocasiões: Tubarão (1975), E.T.: O Extraterrestre (1982) e A Lista de Schindler (1993) — este último também vencedor na categoria de Melhor Filme.

O problema é que, tanto Williams quanto Zimmer terão que lidar, muito possivelmente, com a nova geração de compositores — agora encabeçada pelo sueco Ludwig Göransson. Mais novo da trinca, com 41 anos, o compositor retoma a parceria com Christopher Nolan e assina a trilha de Odisséia, que estreia em 16 de julho. Ainda que entre os três seja o que menos recebeu indicações ao Oscar, é o que tem o melhor aproveitamento: venceu em todas as vezes nas quais foi indicado.

Encontro raro de gerações

Caso as indicações se confirmem, o Oscar 2027 marcará a primeira vez na história em que os três gigantes cruzam caminhos na mesma categoria. E a longevidade dessa disputa será curiosa, para dizer o mínimo. Quando Hans Zimmer recebeu a primeira indicação, em 1988 por Rain Man, Williams já tinha 22 indicações e quatro vitórias no currículo. O cenário fica mais cômico em relação a Göransson: o lendário compositor de Star Wars já era recordista de estatuetas e nomeações antes mesmo de o sueco nascer, em 1984.

A bem da verdade, a presença de Williams no Oscar é tão expressiva que ele já concorreu contra si próprio oito vezes (1972, 1977, 1984, 1987, 1989, 2001, 2005 e 2011). É o único entre eles a ter conquistado a proeza.

Idade e tempo de experiência, no entanto, não é tudo. Ainda que John Williams detenha o recorde de 54 indicações no total — quatro vezes mais do que Zimmer e Göransson somados —, o compositor sueco ostenta tem quase o mesmo número de vitórias que o americano. Göransson venceu três vezes o Oscar de Melhor Trilha Sonora (2018, 2023, 2026), ao passo que Williams venceu quatro (1975, 1977, 1982 e 1993). Zimmer vem em último lugar, com duas estatuetas (1994 e 2021).

Juntos, os três somam 65 indicações e 9 estatuetas do Oscar de Melhor Trilha Sonora ao longo de 59 anos.

Mesmo que os três nunca tenham competido no mesmo ano, um ou outro já esteve na disputa pela mesma estatueta. Williams e Zimmer já se encontraram outras seis vezes desde 1988 e nenhum deles, em todas as ocasiões, levou o prêmio naqueles anos. Göransson nunca concorreu com Zimmer, mas tirou a estatueta de Williams em 2023, quando venceu por Oppenheimer — que também venceu o prêmio de Melhor Filme.

A batalha de 2027, contudo, vai além dos números. Simboliza também o confronto entre o classicismo orquestral de Williams, o design de som eletrônico e industrial de Zimmer e a capacidade de Göransson de fundir gêneros de forma quase camaleônica. São três gigantes da música com três gigantescos cineastas. E — assim a indústria espera — três imensas possibilidades de grandes bilheterias.

O épico na busca pela bilheteria, em IMAX

Com exceção do filme de Spielberg, que pouco se sabe além do plot voltado para invasão espacial e alienígenas, tanto o último capítulo de Duna quanto a nova empreitada de Nolan são considerados "blockbusters épicos", com expectativa de alto faturamento nos cinemas. Ambos filmados em câmera e filme IMAX, inclusive, para garantir a "maior e melhor imersão possível", como diz o slogan da marca.

Odisseia, como o próprio nome já sugere, readapta a clássica história grega para as telonas com grande elenco. O filme foi "pensado para ser visto na maior tela possível", como disse o próprio diretor nas primeiras divulgações do longa. Nolan filmou com as lentes e o filme IMAX, de 70mm. Em 2023, quando fez o mesmo com Oppenheimer, o cineasta viu uma busca incessante em vários países por salas equipadas para exibição do longa.

O desfecho da história de Paul Atreides (Timothée Chalamet), de Villeneuve, seguiu um caminho bem parecido. Duna: Parte 3 foi filmado em grande parte com as lentes e o filme IMAX de 70mm, mas tem uma porcentagem digital. A diferença é que a Warner, distribuidora e produtora, já colocou ingressos à venda, 8 meses antes da estreia. As entradas estão tão disputadas nos Estados Unidos que, em alguns cinemas,já passaram dos US$ 900 (R$ 4.600, na cotação atual).

Evidentemente, a escolha dos cinemas preparados para essa experiência acabam focados na tela. Mas a verdade é que o público também escolhe pagar mais caro pela qualidade do áudio — e a trilha sonora dos compositores icônicos acaba contribuindo nesse valor. Segundo o estudo Moviegoing Trends & Insights, encomendado pelo Box Office Pro em 2025, 77% dos entrevistados preferem a experiência IMAX no cinema e ressaltam a qualidade do som.

Na prática, não dá para prever o futuro e cravar se os Göransson, Zimmer e Williams serão, de fato, indicados ao Oscar em 2027. Mas a disputa é interessante, em especial porque unirá três gerações completamente diferentes e consolidadas em uma batalha épica, imprevisível de definir o vencedor e, sem sombra de dúvidas, deliciosa de se ouvir.

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