A Berkshire de Greg Abel já não parece a de Warren Buffett

Por Ana Luiza Serrão 2 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A Berkshire de Greg Abel já não parece a de Warren Buffett

Por décadas, investidores souberam exatamente o que esperar da Berkshire Hathaway. Sob o comando de Warren Buffett, o conglomerado mantinha distância de setores difíceis de prever e concentrava capital em negócios que considerava simples e capazes de gerar caixa de forma consistente.

A saída de Buffett do cargo de CEO, porém, deixou uma pergunta sem resposta: Greg Abel seria apenas o guardião desse legado ou colocaria sua própria marca na companhia agora sob sua gestão?

Segundo análise publicada pelo INC., a resposta pode ter começado a aparecer. A decisão da Berkshire de ampliar sua participação na Alphabet, controladora do Google, foi interpretada pelo mercado como o sinal mais claro até agora de que Abel pretende conduzir o conglomerado por um caminho próprio.

Mais do que uma aposta em uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, o movimento sugere uma mudança de postura em relação a setores que Buffett tradicionalmente tratava com cautela. Os BDRs da ação da Berkshire negociados na B3 subiam 0,32% por volta das 11h45 (horário de Brasília).

A primeira grande decisão da era Abel

A compra adicional de US$ 10 bilhões em ações da Alphabet elevou a participação da Berkshire na empresa para mais de US$ 26 bilhões, uma das maiores posições da carteira do conglomerado. O tamanho da aposta chama atenção, mas o que mais interessa aos investidores é o seu significado.

Durante boa parte de sua trajetória, Buffett evitou investir em empresas de tecnologia. O megainvestidor costumava argumentar que não possuía conhecimento suficiente para projetar quais companhias continuariam dominantes em um setor sujeito a mudanças rápidas.

A grande exceção veio em 2016, quando a Berkshire iniciou uma posição na Apple, investimento que se transformaria em um dos maiores acertos da história da companhia, na avaliação de fontes consultadas pelo INC.

A Alphabet, no entanto, representa uma aposta diferente. Embora seja uma gigante consolidada, seu futuro está diretamente ligado ao avanço da inteligência artificial (IA), um mercado marcado por investimentos elevados, competição intensa e incertezas sobre quem serão os vencedores.

"Isso torna o portfólio maior do que as participações de longa data da Berkshire no Bank of America e na Chevron, e reforça a guinada para o setor de tecnologia liderada por Abel", escreveu a INC.

A compra e um recado para Wall Street

A movimentação também ajuda a responder outra questão que acompanhava a sucessão sobre qual seria o grau de autonomia de Abel na condução da Berkshire. Desde que foi escolhido para substituir Buffett, parte do mercado acreditava que o novo CEO manteria uma postura conservadora.

Mas a aposta na Alphabet sugere algo diferente. Ao permitir que uma empresa tão ligada às transformações tecnológicas ganhe peso crescente na carteira, Abel sinaliza que está disposto a adaptar a Berkshire a outras dinâmicas do mercado.

A ampliação da posição ocorreu em um período em que as ações da Alphabet negociam próximas de máximas históricas, indicando uma disposição maior para investir em empresas de crescimento mesmo sem esperar uma oportunidade perfeita, conforme o INC.

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