A capital mais poluída do mundo paga até mil dólares para quem trocar veículos por elétricos

Por Sofia Schuck 1 de Julho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A capital mais poluída do mundo paga até mil dólares para quem trocar veículos por elétricos

No inverno, quem mora em Nova Delhi convive com um ar tão denso e cinza que muitas vezes não dá para ver os prédios do outro lado da rua.

A poluição que se acumula nessa época do ano, presa por um fenômeno de estagnação atmosférica, é uma mistura de gases de escapamento de veículos, poeira de obras e fumaça da queima de resíduos agrícolas nos estados vizinhos.

Moradores relatam sentir um "gosto cinza" no ar e dificuldade para respirar após poucos minutos do lado de fora, uma situação que já levou escolas a suspenderem aulas e o governo a paralisar atividades e serviços em prol da saúde pública.

Com um índice de qualidade do ar considerado perigoso e caracterizado como "infernal e mortal", a capital da índia é considerada a mais poluída do mundo.

É nesse contexto que o governo anunciou a aposta mais recente para tentar mudar esse cenário dramático: trocar carros, motos e caminhões movidos a combustão por veículos elétricos e anunciou um incentivo financeiro.

Pelo novo programa, donos de veículos comprados antes de abril de 2020 poderão receber até US$ 1.000 para se desfazerem deles em troca de um elétrico.

A política conta com um investimento do governo indiano de US$ 1,59 bilhão, distribuídos ao longo de quatro anos.

Compradores de scooters e motocicletas elétricas vão receber US$ 317 no primeiro ano de vigência do programa, valor que cai para US$ 105 até o terceiro ano.

A medida também inclui recursos para quem instalar pontos de recarga, com a meta de chegar a 32.000 carregadores espalhados pela cidade para melhorar a infraestrutura da mobilidade elétrica.

Prazos para sair dos combustíveis fósseis

A partir de 1º de abril de 2028, Nova Delhi só vai registrar veículos novos de duas rodas que forem elétricos. Na prática, representa o fim da venda de motos e scooters movidos à combustão.

Para veículos de três rodas e caminhões leves da categoria N1, o prazo é mais curto: a obrigatoriedade da eletricidade entra em vigor já em 1º de janeiro de 2027.

A decisão não é casual e impacta diretamente nas emissões. Segundo dados da Reuters, 46% da poluição de Nova Delhi é atribuída a veículos de duas e três rodas e 33% a veículos comerciais de transporte de carga.

Recuo no protagonismo climático

A nova política contrasta com outros sinais recentes da Índia na agenda climática. Em março de 2026, com mais de um ano de atraso, o país apresentou sua nova contribuição determinada nacionalmente (NDC) para 2035, se comprometendo a reduzir as emissões de carbono em 47% em relação aos níveis de 2005 e a elevar para 60% a participação de fontes limpas na matriz elétrica.

O plano aposta em inovações tecnológicas, mas foi avaliado como conservador por especialistas.

Após a COP30 em Belém, a Índia também retirou discretamente sua candidatura para sediar a a grande conferência climática da ONU (COP33) prevista para 2028 .

A decisão foi comunicada a outras nações do grupo Ásia-Pacífico no início de abril e deixou o processo de escolha do país anfitrião de volta à estaca zero, reacendendo dúvidas sobre o protagonismo do Sul Global nas negociações climáticas.

O recuo chama atenção pelo peso indiano na conta do clima: o país é hoje o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, atrás apenas de China e Estados Unidos, e desempenha papel decisivo no sucesso ou fracasso das metas do Acordo de Paris que tenta limitar o aumento da temperatura a 1.5ºC em relação aos níveis pré-industriais.

1/10 Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas (Museu das Amazônias: espaço de cultura pensado para ser um dos principais legados da COP30. Foca temas como meio ambiente, preservação e mudanças climáticas)

2/10 Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros (Estação das Docas: inaugurada em 2000, é um dos principais pontos turísticos da cidade e esteve lotada durante todos os dias da COP30. Reúne restaurantes e terminal de passageiros)

3/10 Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30 (Porto Futuro: área portuária transformada em polo cultural como um dos legados da COP30)

4/10 (Nova Doca: parque linear inaugurado após a revitalização de um trecho de 1,2 quilômetro da Avenida Visconde de Souza Franco. O projeto inclui o tratamento de um dos tantos canais que cortam a cidade)

5/10 Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30 (Mercado de São Brás: o prédio foi inaugurado em 1911, no auge do ciclo da borracha, e reformado para a COP30.)

6/10 Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico (Ver-o-Peso: seu açaí com peixe frito continua sendo um ícone amazônico)

7/10 Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência (Ver-o-Peso: mercado símbolo de Belém, foi parcialmente reformado para a COP30 e foi um dos destinos preferidos dos visitantes durante a conferência)

8/10 Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas (Mercado de São Brás: reúne 80 espaços gastronômicos e é um novo point de paraenses e turistas)

9/10 Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém (Avenida Duque de Caxias: uma das vias reformadas para dar acesso ao Parque da Cidade e que fica de legado para Belém)

10/10 Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia (Porto de Outeiro: localizado a 20 quilômetros do centro de Belém, foi reformado para receber grandes navios durante a COP30 e será um hub de turismo para a Amazônia)

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: