A clínica que surfa a onda do Ozempic e mira R$ 50 milhões

Por Bianca Camatta 31 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A clínica que surfa a onda do Ozempic e mira R$ 50 milhões

Gustavo Sá, fundador da LongLife: “A gente já está vivendo uma onda da medicina, que é a medicina preventiva" (Divulgação)

O mercado de wellness é avaliado globalmente em R$ 10,5 trilhões, segundo relatório de 2025 da consultoria McKinsey & Company. Quando essa tendência ainda começava a emergir, o nutrólogo mineiro Gustavo Sá apostou em uma clínica que promove o bem-estar, integração e medicina preventiva com base na ciência.

Assim, nasce a LongLife, em 2022, em São Paulo (SP), especializada em endocrinologia, nutrologia e medicina do esporte. Hoje, a empresa apresenta novas frentes de atuação, com uma unidade voltada à dermatologia, e fatura R$ 15 milhões ao ano.

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O timing não é por acaso. A explosão dos medicamentos para emagrecimento, como os análogos de GLP-1 (como Ozempic e Mounjaro), reposicionou o setor e trouxe uma nova leva de pacientes.

“Estamos vivendo uma onda da medicina, que é a medicina preventiva”, afirma Sá.

O plano é continuar crescendo, alcançando um faturamento de R$ 50 milhões até 2030. Na mira está a expansão para o interior de São Paulo e a abertura de uma frente voltada ao espectro autista.

Da Covid ao consultório

Antes de unir medicina e empreendedorismo, o mineiro Gustavo Sá produzia brownies para complementar a renda na faculdade. Após se formar, deixou sua cidade natal, Caratinga (MG), e foi para São Paulo (SP).

A ideia para a LongLife nasceu dentro de um hospital, durante a pandemia. A maioria dos casos graves que ele atendia estava associada a comorbidades como obesidade, diabetes e hipertensão. Gustavo Sá orientava os pacientes em relação ao tratamento da Covid-19 e também das doenças crônicas.

Ele passou a orientar os pacientes, ainda internados, sobre mudanças no estilo de vida após a alta. A demanda surgiu dali. “A gente não esperava essa pandemia. E nada impede que outras venham. Por isso, é preciso ter uma base de saúde mais forte”, diz o profissional.

Os pacientes se interessaram pela metodologia e passaram a buscar atendimento particular. Ele não tinha escritório nem secretária, mas improvisou.

Comprou um chip de celular, tornou-se sua própria secretária e alugou salas em um coworking médico em São Paulo (SP). Em menos de um mês, a agenda lotou. Três meses depois, deixou o hospital para se dedicar integralmente ao negócio.

Como os clientes já não cabiam na sala de espera do coworking, começou a idealizar o Instituto LongLife, inaugurado em 2022 com foco em nutrologia, bem-estar e longevidade.

“O nosso diferencial é o atendimento humano. Trouxemos a humanização para dentro da clínica como estratégia, não como discurso”, diz Sá.

A expansão veio principalmente por indicação dos próprios clientes. Hoje, entre 70% e 80% dos pacientes chegam por recomendação, segundo o fundador.

A clínica estruturou programas formais de indicação e criou dinâmicas para aumentar o engajamento, incluindo desafios entre pacientes.

“Tem dinâmicas muito interessantes em que gamificamos o processo do paciente e conseguimos dar incentivos para que ele não desista do tratamento”, afirma.

Um ano depois, em 2023, o médico apostou em uma segunda unidade. O foco era o mesmo do primeiro instituto, mas foi difícil sustentar as duas operações. Acabou pivotando o modelo e montando um espaço voltado para estética e dermatologia.

“Atuamos com estética corporal e facial, com dermatologistas, cirurgiões plásticos e clínicos. É um dos pilares mais fortes da operação hoje”, diz.

O efeito Mounjaro e a diversificação dos clientes

Sá foi um dos pioneiros no uso de Mounjaro, um medicamento injetável para perda de peso. “Começamos a acompanhar pacientes com Mounjaro há três anos e meio, quando isso ainda nem era difundido no Brasil”, afirma.

A liberação pela Anvisa e a chegada às farmácias ampliaram o acesso, mas também abriram espaço para o uso irregular. “Hoje, somos procurados não apenas para uso do medicamento, mas também para tratar o uso indiscriminado”, diz.

Com a popularização da medicação, o instituto teve um boom de crescimento, saindo de um faturamento de R$ 500 mil por mês para R$ 3 milhões.

O médico acredita que a próxima onda no setor de emagrecimento já está no radar: a retatrutida, nova molécula em fase avançada de estudos clínicos. A expectativa é que o medicamento seja liberado ainda neste ano.

“É um medicamento que já mostra perdas de mais de 24,2% em 48 semanas. É muito expressivo", diz o empresário.

A expansão da clínica pelo Brasil

A LongLife aposta em três frentes para crescer: expansão física, planos recorrentes de acompanhamento e novos serviços ligados à medicina preventiva.

O mercado, no entanto, deve ficar mais competitivo — e mais desorganizado, com o avanço de práticas informais. “O desafio hoje é perder pacientes para o mercado informal, para quem vende sem acompanhamento”, diz.

Ainda assim, a meta do instituto é crescer, chegando a um faturamento de R$ 50 milhões até 2030. Para isso, Sá já tem planos de abrir novas unidades.

A expansão deve começar pelo interior de São Paulo, em São José do Rio Pardo, com inauguração prevista para os próximos dois meses. “Escolhemos o interior de São Paulo por ser um mercado muito rico e com potencial de crescimento”, diz.

A segunda unidade fora da capital paulista deve ser instalada no Rio de Janeiro (RJ). O médico já realizou operações temporárias na cidade, que resultaram em alta demanda, com clientes que chegam a ir até São Paulo para serem atendidos.

Enquanto isso, na capital paulista, a aposta é uma terceira unidade, uma flagship com foco no atendimento de pessoas autistas.

“Vejo o autismo como uma condição epigenética. Existe uma predisposição genética, mas fatores ambientais podem ativar esse processo e isso exige mais atenção do mercado”, afirma.

O instituto já está em obras, mas deve levar cerca de oito meses para ser finalizado e inaugurado. A proposta é criar um ambiente com forte presença de natureza, em contraste com a rotina urbana.

“A ideia é criar um ambiente de desconexão, onde o paciente sai da rotina da cidade para focar no cuidado com a saúde.”

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