A consolidação dos champanhes de produtores no mercado brasileiro
O lançamento da Cuvée Aline Serva, que aconteceu nesta semana no restaurante Fame, em São Paulo, marcou a chegada de um projeto que nasce da relação direta com alguns dos mais respeitados produtores de champanhe da atualidade. Idealizada por Aline Serva, a cuvée foi construída em colaboração com nomes como Champagne Leclerc Briant, Olivier Horiot e Aurélien Lurquin.
Mais do que uma colaboração pontual, trata-se de um projeto que nasce do vínculo com o território, do diálogo com o produtor e da intenção clara de expressar a essência da região.
Na degustação, ficou evidente o eixo que orienta a cuvée: vibração, profundidade e pureza. As uvas clássicas de Champagne — Chardonnay, Pinot Noir e Meunier — aparecem como protagonistas, trabalhadas com precisão e respeito ao terroir.
A acidez firme sustenta o conjunto, a textura revela cuidado na elaboração e o resultado são vinhos que privilegiam energia e transparência, evitando excessos e ressaltando identidade. A escolha da Aline é clara: menos intervenção, mais leitura de solo e safra.
Os preços dos rótulos variam de R$ 1.650, da Collection Aline Vincent Charlot Chardonnay 2015, até R$ 5.308, da Collection Aline Blanc de Maceration Aurélien Lurquin 2020.
Mercado brasileiro mais sofisticado
O projeto também dialoga com uma transformação estrutural do mercado brasileiro. Nos últimos anos, o país passou a figurar como destino relevante para pequenos champagne growers, muitos deles disputados em mercados tradicionais como Estados Unidos e Ásia.
Champagne growers, ou champanhes de produtores, são aqueles feitos por produtores que cultivam as suas próprias uvas em terrenos próprios.
A consolidação de um público mais informado, disposto a investir em autenticidade e produção limitada, criou espaço para esse perfil de vinho. O Brasil hoje reúne um dos maiores portfólios de produtores artesanais de Champagne fora da Europa, resultado de um ambiente mais maduro e especializado.
Esse movimento é sustentado por novas importadoras e casas de curadoria que priorizam identidade e seleção criteriosa. Nomes como Uva Vinhos, AnimaVinum, Maison Sirino e Cellar ajudam a formar público e dar lastro técnico a esse crescimento. Não se trata apenas de ampliar portfólio, mas de estruturar um ecossistema que conecta produtor, importador, formador de opinião e consumidor final.
Durante o jantar de lançamento, a cozinha romana de Marco Renzetti apareceu como cenário complementar à proposta dos vinhos. Pratos de sabores marcantes e técnica precisa dialogaram com a energia das cuvées, reforçando o caráter gastronômico de Champagne. No centro da noite, porém, esteve o vinho e o que ele representa: uma fase em que o Brasil consolida sua posição no mapa global de rótulos autorais, aproximando produtores e consumidores por meio de projetos que unem visão, mercado e sensibilidade.
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