A Copa do Mundo em números: 48 seleções, 104 jogos e US$ 13 bilhões

Por Tamires Vitorio 9 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A Copa do Mundo em números: 48 seleções, 104 jogos e US$ 13 bilhões

A Copa do Mundo começa nesta quinta-feira, 11, e os números que descrevem o torneio são tão grandes que precisam de contexto para fazer sentido.

Gianni Infantino, presidente da Fifa, resumiu o tamanho do evento em uma frase. "São 104 Super Bowls em pouco mais de um mês."

A declaração foi feita numa entrevista ao Fox Sports em abril de 2025 e virou o slogan não oficial do torneio.

O mercado financeiro levou o comentário a sério: a receita total da Fifa no ciclo 2023-2026 deve chegar a US$ 13 bilhões — alta de 72% em relação ao ciclo anterior.

A Copa de 2026, sozinha, deve gerar US$ 8,9 bilhões, segundo a S&P Global Market Intelligence. É o evento mais lucrativo da história do esporte.

São 48 seleções e 104 partidas, 16 estádios, 3 países-sede e 39 dias de competição — de 11 de junho a 19 de julho.

É a primeira Copa da história disputada em três nações simultaneamente e a primeira com uma nova fase eliminatória de dezesseis avos de final antes das oitavas. A Copa de 2022 tinha 32 seleções e 64 jogos.

Os 16 estádios já existiam antes do torneio e nenhuma arena foi construída especificamente para a Copa de 2026. Onze ficam nos Estados Unidos, três no México e dois no Canadá.

O maior é o Estádio Azteca, na Cidade do México, com 83 mil lugares e terceira Copa do Mundo realizada ali. A final é no MetLife Stadium, em Nova Jersey, com capacidade para 82,5 mil torcedores.

Os ingressos

Mais de 500 milhões de pedidos de ingressos foram submetidos para um estoque de cerca de 7,1 milhões de assentos — o que torna o torneio mais de 30 vezes sobrevendido em relação à oferta disponível, segundo dados da Fifa.

Nas primeiras duas semanas da fase de sorteio aleatório, aberta em dezembro de 2025, foram recebidos mais de 150 milhões de pedidos de torcedores de mais de 200 países.

Antes mesmo do início do torneio, 2 milhões de ingressos já haviam sido vendidos antecipadamente, segundo o presidente da Fifa.

A receita com ingressos e hospitalidade deve ultrapassar US$ 3 bilhões, mais que o triplo do ciclo anterior. O preço médio dos ingressos subiu 56% em relação à Copa do Catar.

O dinheiro

A receita total da Fifa no ciclo 2023-2026 — que inclui a Copa do Mundo, a Copa do Clube do Mundo de 2025 e outras competições — deve chegar a US$ 13 bilhões, alta de 72% em relação ao ciclo anterior de US$ 7,57 bilhões, segundo a S&P Global Market Intelligence e a The Global Statistics.

A Copa de 2026 sozinha deve gerar US$ 8,9 bilhões, ancorados por US$ 3,9 bilhões em direitos de transmissão, US$ 3 bilhões em ingressos e hospitalidade e US$ 1,8 bilhão em patrocínios, segundo a SportsPro.

A premiação distribuída às seleções chega a US$ 871 milhões — um recorde. O campeão embolsa US$ 50 milhões.

Os custos de realização do torneio são estimados em US$ 3,76 bilhões, segundo análise conjunta da Fifa e da Organização Mundial do Comércio. A diferença entre o que entra e o que sai — mesmo na projeção mais conservadora — é expressiva. É o evento mais lucrativo da história do esporte.

A audiência

A Copa de 2022 no Catar foi acompanhada por cerca de 5 bilhões de pessoas em todo o mundo, em televisões, plataformas de streaming, dispositivos móveis e zonas de torcedores.

A final entre Argentina e França reuniu 1,5 bilhão de espectadores, tornando-se a partida mais assistida da história do esporte, segundo a S&P Global Market Intelligence. A Fifa projeta que a Copa de 2026 deve atingir 6 bilhões de engajamentos globais em TV, streaming e plataformas digitais.

O programa comercial da Copa de 2026 já foi descrito pelo próprio diretor comercial da Fifa, Romy Gai, como "o programa comercial mais bem-sucedido da história da Fifa." Entre os patrocinadores americanos estão Visa, Coca-Cola, McDonald's, Bank of America e Anheuser-Busch.

O que tudo isso custa ao torcedor

O outro lado dos recordes financeiros é a acessibilidade. Promotores dos estados de Nova York e Nova Jersey abriram investigações para apurar os preços praticados na venda de ingressos.

Organizações de torcedores afirmam que acompanhar uma seleção até a final ficou muito mais caro do que em 2022.

A Fifa criou uma categoria de ingresso popular chamada "Supporter" para tentar reduzir as críticas, mas os preços dinâmicos, que sobem conforme a demanda, continuam sendo alvo de contestação.

A Copa de 2026 é a maior da história do futebol em quase todos os critérios mensuráveis. O único em que ainda há debate é o que não aparece em nenhum balanço financeiro: se o maior torneio de todos os tempos ainda é acessível para os torcedores que sempre foram o motivo de sua existência.

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