‘A decisão é do ser humano’: ex-CEO da TAM defende IA com responsabilidade

Por Gabriella Uota 15 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘A decisão é do ser humano’: ex-CEO da TAM defende IA com responsabilidade

Líbano Barroso começou a trabalhar aos 15 anos, em bancos, ainda em Minas Gerais. Economista, com pós-graduação em Finanças e Direito da Economia da Empresa, construiu uma trajetória marcada por grandes movimentos do mercado brasileiro: privatizações, IPOs, fusões, turnarounds e transformações em empresas de infraestrutura, aviação, varejo, automotivo e serviços financeiros.

Foi CFO da CCR, CFO e CEO da TAM, liderou a Multiplus, participou da fusão entre LAN e TAM, comandou a Casas Bahia e, mais recentemente, esteve à frente da Rodobens. Hoje, é sócio-diretor da J2L Partners, boutique de M&A (fusões e aquisições), e atua também como conselheiro.

Depois de décadas em posições de alta liderança, Líbano voltou à sala de aula. Fez o Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul, o PIACC, e agora aprofunda seus estudos no SEER, Programa Avançado para CEOs, Conselheiros e Acionistas.

IA não decide sozinha

Para Líbano, a inteligência artificial não deve ser tratada como moda nem como ameaça absoluta. O ponto central está em entender seus usos, riscos e limites. “A decisão é do ser humano. Você não delega para a IA a sua decisão”, afirma.

Segundo ele, o PIACC ajudou a organizar essa visão. O programa trouxe não apenas letramento sobre inteligência artificial, mas discussões sobre governança, riscos, oportunidades, ética, aplicação nos negócios e futuro do trabalho.

Na visão do executivo, a IA deve começar por tarefas repetitivas, apoiar análises e criar mais embasamento para decisões. Mas a responsabilidade continua sendo dos líderes.

O que o PIACC trouxe para a prática

No curso, Líbano participou de módulos técnicos, laboratórios e discussões sobre aplicação da IA nas empresas. Em uma das atividades, chegou a envolver seu próprio time para debater como a tecnologia já estava sendo usada no negócio.

Para ele, o maior ganho foi sair do discurso genérico sobre IA e compreender como aplicá-la de forma produtiva.

A tecnologia, diz, pode apoiar líderes em análises, criação de cenários, automação de tarefas e construção de agentes. Mas exige cuidado com governança de dados e clareza sobre o que pode ou não ser delegado.

“Não é pensar em megaprojetos. É pensar em projetos objetivos, que substituam tarefas e gerem aprendizado”, diz.

Líbano Barroso, Sócio da J2L Partners

IA em M&A e conselhos

Na J2L Partners, onde atua em operações de fusões e aquisições, Líbano vê a inteligência artificial como ferramenta para ganhar eficiência, apoiar análises e estruturar informações em processos complexos.

O mesmo vale para sua atuação em conselhos. Segundo ele, conselheiros e executivos têm responsabilidade fiduciária sobre dados, riscos e uso da tecnologia.

Isso significa entender como a IA está sendo aplicada, quais informações alimentam os modelos e de que forma as decisões continuam sob responsabilidade humana.

“A decisão é do executivo, do C-level, nunca da plataforma”, afirma.

A força das conexões entre setores

A carreira de Líbano ajuda a explicar sua forma de olhar para a inovação. Ao transitar por diferentes setores, ele aprendeu a conectar problemas aparentemente distantes.

Na TAM, por exemplo, trabalhou com o desafio de ocupar assentos vazios em voos fora dos horários de pico. A solução passou por antecipação de compra, parcelamento e acesso de novos públicos ao transporte aéreo.

Anos depois, na Rodobens, identificou um problema semelhante nas concessionárias de caminhões: horários ociosos de mecânicos. A experiência na aviação ajudou a criar uma lógica de agendamento dinâmico, com benefício para clientes e para a operação.

“Quando você está em um negócio diferente, faz conexão com algo que já viu em outro negócio”, diz.

Lifelong learning como vantagem competitiva

Mesmo depois de liderar empresas relevantes no Brasil, Líbano afirma que continua movido pela curiosidade. Antes do PIACC, fez um programa em Harvard voltado a grandes transições globais. Depois, incentivado pela filha, decidiu estudar inteligência artificial na Saint Paul.

O executivo diz que as instalações e a experiência da Saint Paul o surpreenderam positivamente. Ao concluir o PIACC, foi convidado para ser embaixador da escola.

Do poder e controle à cooperação

Para Líbano, a inteligência artificial se insere em uma mudança mais ampla nas organizações. O modelo baseado em poder e controle perde espaço para ambientes de criação, cooperação e aprendizado contínuo.

Essa transformação também afeta os jovens profissionais. Eles já entram no mercado em um mundo marcado por redes sociais, desconexão entre tempo e espaço e acesso amplo a ferramentas digitais.

O desafio, segundo ele, é usar a IA para elevar a capacidade de criação, sem prejudicar o desenvolvimento cognitivo, a formação crítica e as relações humanas.

O novo papel da liderança

A trajetória de Líbano mostra que a alta liderança exige repertório técnico, visão humana e disposição para aprender continuamente.

A inteligência artificial amplia esse desafio. Ela pode aumentar a produtividade, apoiar decisões e transformar processos. Mas também exige governança, ética e responsabilidade.

No fim, a mensagem do executivo é direta: a IA pode ajudar empresas a decidir melhor, mas não substitui o discernimento de quem lidera.

A trajetória de Líbano Barroso mostra que, mesmo após décadas em cargos de alta liderança, aprender continua sendo uma vantagem competitiva. No PIACC da Saint Paul, executivos, conselheiros e acionistas desenvolvem repertório para aplicar IA com estratégia, governança e responsabilidade — sem delegar à tecnologia aquilo que cabe à liderança decidir. Conheça o programa que prepara líderes para usar IA com critério e impacto real

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