A destilaria que George Washington abriu ao sair da presidência
Quando George Washington deixou a presidência em 1797, voltou para sua propriedade na Virgínia com planos concretos de ampliar os negócios. Com incentivo de seu administrador escocês, James Anderson, comprou um conjunto de alambiques de cobre para transformar o excedente de grãos da fazenda em uísque.
A escala foi grande desde o início. Em 1799, Mount Vernon produzia cerca de 11 mil galões do destilado, o que a tornava uma das maiores destilarias dos Estados Unidos na época.
Washington morreu naquele mesmo ano. O prédio pegou fogo pouco depois e ficou abandonado por dois séculos. Em 2001, um grupo de empresas do setor de bebidas se uniu ao Distilled Spirits Council of the United States para reconstruir a operação.
O conselho levantou US$ 1,5 milhão junto a seus membros, entre eles Diageo, Brown-Forman e Maker's Mark. Os master distillers Lincoln Henderson, da Woodford Reserve, e Dave Pickerell, da Maker's Mark, fizeram visitas durante os anos de reconstrução para garantir que o produto final fosse fiel ao original.
Cinco alambiques, os mesmos métodos
A destilaria reconstruída funciona com os mesmos equipamentos e técnicas do século 18. São cinco alambiques de cobre encomendados à Vendome Copper and Brass Works, empresa de Louisville, Kentucky, especializada em equipamentos de destilaria. Seguindo uma tradição do setor, todos receberam nomes femininos: Maggie, Anne, Elizabeth, Jane e Helen. Os grãos, centeio, milho e trigo, são comprados de produtores rurais da Virginia e moídos num moinho vizinho movido a água, equipado com maquinário do mesmo período. O moinho também produz farinha para os restaurantes da propriedade e para venda ao público.
A produção é pequena se comparada a grandes operações industriais, mas suficiente para sustentar uma linha de produtos vendida na loja de Mount Vernon, online e em alguns estabelecimentos na Virginia e em Washington, D.C. O uísque de centeio não envelhecido tem teor alcoólico de 43%, produzido a partir de uma receita do século 18 com 60% de centeio, 35% de milho e 5% de cevada maltada. A versão envelhecida fica dois anos em barris e sai com 46,5%.
Neste ano, em que os Estados Unidos comemoram 250 anos de independência, Mount Vernon marca também os 25 anos do início das obras de reconstrução da destilaria com lançamentos de edição limitada. Entre eles, um uísque de centeio single barrel envelhecido por oito anos, produzido e maturado no local.
Os escravizados que trabalharam na produção
A reconstrução incluiu também a recuperação histórica das pessoas que operaram a destilaria original. Centenas de pessoas escravizadas viviam em Mount Vernon, e Washington designou cinco delas para trabalhar na produção de uísque. Os tours guiados citam os nomes: James, Peter, Nat, Daniel e Timothy. O trabalho envolvia vapor escaldante, barris pesados e longas jornadas alimentando as fornalhas de madeira que aqueciam os alambiques.
Jeremy Ray, responsável pela interpretação histórica da propriedade, diz que os registros documentam tanto a escala da operação quanto as condições de trabalho. "Temos registros de 11 mil galões de uísque produzidos em Mount Vernon antes da morte de Washington", disse Ray ao New York Times. "Isso o tornava o maior destilador de uísque dos Estados Unidos."
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