A estratégia da Mapfre para levar o ESG para quem fica entre seguradora e cliente
Em um setor em que a agenda de sustentabilidade costuma se concentrar nas seguradoras, a Mapfre testou, nos últimos seis meses, um modelo que coloca as corretoras e empresas parceiras no centro dessa discussão.
O Corretor + Sustentável, programa piloto lançado em setembro de 2025 e que chegou ao fim na última semana, levou capacitação em práticas ESG a corretoras de diferentes regiões do país — parceiros que, segundo a Mapfre, são o elo mais próximo do cliente final e, por isso, têm papel direto na forma como o setor de seguros responde a riscos climáticos crescentes.
Ao longo de seis meses, os participantes tiveram acesso a uma plataforma digital com conteúdos de capacitação e recomendações de iniciativas voltadas aos pilares Ambiental, Social, Governança e Negócios, acumulando pontis conforme implementavam ações em suas operações.
Os resultados consolidados do ciclo mostram uma economia estimada de 855 metros cúbicos de água por ano, redução de 404,1 quilos de emissões de gases de efeito estufa e economia de 10.496 quilowatts-hora de energia. As iniciativas sociais promovidas pelas corretoras ainda impactaram diretamente mais de 1.900 pessoas e mobilizaram quase 300 horas de trabalho voluntário.
Para Fátima Lima, diretora de Sustentabilidade da Mapfre, o programa nasceu da percepção de que a mudança na cadeia de valor exige engajamento de todos os elos do negócio. "A sustentabilidade só gera transformação quando consegue envolver toda a cadeia de valor. Com o Corretor + Sustentável, buscamos aproximar essa agenda da rede de corretoras, mostrando que práticas sustentáveis podem estar conectadas à gestão, à eficiência operacional, ao relacionamento com clientes e ao fortalecimento dos negócios", afirma.
Sustentabilidade no setor de seguros
Segundo a executiva, o maior desafio inicial foi de percepção. "Nas primeiras conversas com as corretoras, percebemos que muitas ainda associavam sustentabilidade a uma pauta distante da rotina do negócio ou restrita às grandes empresas. Esse foi o principal desafio do programa: mostrar que o tema também faz parte da gestão da corretora e pode trazer resultados concretos para a operação e geração de negócios", diz.
Por isso, conta, o programa foi desenhado de forma prática: "Em vez de discutir apenas conceitos, levamos recomendações e exemplos que pudessem ser incorporados ao dia a dia."
Além dos números, a Mapfre afirma ter identificado sinais qualitativos do impacto da iniciativa. "Os indicadores quantitativos ajudam a medir o alcance da iniciativa, mas os sinais mais relevantes apareceram nas conversas com os próprios participantes ao despertar neles o interesse para dar o primeiro passo", relata Fátima Lima.
"No encerramento do programa, por exemplo, ouvimos de diversos corretores que os clientes passaram a trazer com mais frequência dúvidas sobre mudanças climáticas e os riscos associados a esses eventos", conta. Ela explica que esse tema passou a fazer parte das reuniões e das negociações das corretoras.
A executiva também destaca que parte do trabalho do programa foi ajudar corretoras a reconhecer práticas que já adotavam. "Algumas corretoras comentaram, por exemplo, que já haviam digitalizado contratos, reduzido o consumo de papel ou criado práticas internas de governança, mas nunca tinham associado essas iniciativas à agenda de sustentabilidade", afirma. O programa ajudou justamente a fazer essa conexão e a organizar as práticas, mostrando que elas já contribuíam para a gestão do negócio.
Aprendizados do projeto piloto
Entre os aprendizados da primeira edição, Fátima Lima cita a diversidade regional como um dos pontos mais relevantes. O efeito de cada região a partir das mudanças climáticas também foi sentido.
"Foi interessante perceber como a percepção de risco muda de acordo com a realidade de cada região. Enquanto algumas convivem com enchentes e deslizamentos recorrentes, outras enfrentam secas prolongadas, ondas de calor ou tempestades cada vez mais intensas", explica.
Lima afirma que a troca de experiências mostrou que não existe uma única agenda de sustentabilidade para o setor de seguros, mas diferentes desafios que exigem respostas igualmente diferentes.
Para Karine Brandão, diretora-executiva comercial da Mapfre, o programa também serviu como aprendizado para a própria seguradora. "Criamos o programa para aproximar a sustentabilidade da realidade das corretoras, de forma prática e conectada ao dia a dia dos negócios", explica.
Ao longo dessa jornada, a diretora explica que foi possível entender melhor como apoiar a rede e como ampliar conhecimento e engajamento em torno de uma agenda que será cada vez mais relevante para o mercado.
Já Nelson Alves, COO da Mapfre, relaciona a iniciativa a uma mudança mais ampla no ambiente de negócios. "Os desafios climáticos, regulatórios e sociais exigem uma nova forma de pensar os negócios. A sustentabilidade deixou de ser uma agenda complementar para se tornar um elemento estratégico de competitividade e geração de valor", conta. "O Corretor + Sustentável nasceu dessa visão e reforça nosso compromisso de apoiar as corretoras na construção de um mercado de seguros mais resiliente e preparado para o futuro."
O evento de encerramento do programa contou com um diálogo entre David Canassa, especialista em sustentabilidade estratégica, sobre riscos climáticos, proteção, resiliência e o futuro dos negócios no setor de seguros.
Corretoras capacitadas
Cinco corretoras receberam a premiação principal do ciclo, uma viagem de ecoturismo ao Jalapão:
Também foram certificadas como corretoras sustentáveis a Segleme Cor Seguros, a MSV Corretora de Seguros e a Monte Solaro Corretora de Seguros.
Entre os próximos passos, Lima afirma que a Mapfre pretende ampliar a frente de capacitação nas próximas edições. "Queremos ampliar as oportunidades de capacitação, estimular a troca de experiências entre as corretoras e acompanhar de forma mais próxima como esse conhecimento se traduz em ações no dia a dia."
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