A família do interior de São Paulo que fatura R$ 210 milhões com papelaria

Por Bianca Camatta 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A família do interior de São Paulo que fatura R$ 210 milhões com papelaria

Em 1944, no interior de São Paulo, na cidade de Itajobi, quatro irmãos apostaram em uma produção artesanal das impressões de um jornal local. Nascia a empresa Animativa, que se especializou no ramo da papelaria e hoje fatura R$ 210 milhões.

Em 2021, a empresa passou por uma mudança de gestão para reestruturar processos e planejamentos estratégicos. Neste momento, a Animativa vem aumentando o seu contato com o público final, com a abertura de quiosques para entender o comportamento do consumidor e se adaptar de maneira mais ágil.

Para 2026, a Animativa entra em um ano de consolidação e expansão estratégica. O foco está na ampliação do portfólio de maior valor agregado.

Mais de 80 anos de história

O negócio foi idealizado pelos irmãos José, Antônio, Pedro e Octacílio Boso em Itajobi, no interior de São Paulo, em 1944. Foi com uma máquina tipografia manual que começaram a produzir as remessas do jornal local.

O negócio se expandiu pela região, com a produção de receituários, notas, cartazes e folhetos. Em 1952, a empresa se mudou para Catanduva (SP), ampliando sua atuação para impressos padronizados para cartórios, igrejas e prefeituras em todo o Brasil.

O principal desafio foi escalar em âmbito nacional. Na época, não havia estrutura logística própria nem canais digitais.

“Toda a distribuição era realizada via Correios, assim como a maior parte dos pedidos, que chegavam por carta ou, posteriormente, por telefone”, diz Djalma Nunes, atual CEO da Animativa. É neste segmento que a empresa segue crescendo.

A divulgação também exigiu criatividade. A empresa utilizava anúncios em jornais de grande circulação enviados por mala direta a cartórios, igrejas e prefeituras de todo o Brasil.

Já na década de 1980, a Animativa entrou para o segmento escolar, com a produção de cadernos e agendas. “Esse movimento inaugurou uma nova fase de negócios e consolidou a empresa em um mercado estratégico”, afirma Nunes.

Desafios e estratégias

Em 2020, a empresa iniciou um processo estruturado de profissionalização da gestão. Com a intenção de manter os valores da Animativa a família dos fundadores segue na gestão.

“Passamos a ter processos mais estruturados, maior integração entre áreas, investimentos consistentes em tecnologia e, principalmente, um olhar muito forte para as pessoas. Isso nos permitiu ganhar agilidade e clareza estratégica”, afirma Nunes.

Entre as estratégias da nova gestão está a inauguração do primeiro quiosque físico da marca, localizado no Shopping Iguatemi, no município de São José do Rio Preto.

“O quiosque nasceu como um laboratório de marca e comportamento de consumo. Ele nos permite testar produtos, precificação, giro e percepção de valor em tempo real”, diz Nunes.

Mais do que um canal para o aumento de faturamento, a iniciativa busca contato direto com o consumidor final. O B2B segue sendo o principal canal de vendas da Animativa, com atendimento de redes, atacadistas e papelarias independentes.

O mercado de papelaria é altamente competitivo, com a entrada frequente de novas marcas. O desafio para crescer não se resume ao preço, mas à capacidade de diferenciar produtos e marcas de forma consistente, mantendo relevância no ponto de venda e junto ao consumidor.

Para conquistar o consumidor, a empresa tem apostado em licenciamentos, como Moranguinho, Turma da Mônica, Disney, Manual do Mundo e Ursinhos Carinhos, e inovação sensorial, com cadernos decorativos e com aroma.

“A papelaria deixou de ser apenas um item utilitário. Hoje ela é expressão de identidade, estilo e comportamento. E é justamente nesse território que a Animativa atua e se fortalece”, diz o CEO.

O ano de 2026 será marcado pela estruturação de um varejo direto. “Intensificamos ações regionais de sell-out e branding, aproximando ainda mais a marca do consumidor final e fortalecendo nossa presença junto aos parceiros do varejo.”

Com isso, o faturamento entre março de 2025 e março de 2026 deve alcançar R$ 210 milhões, crescimento de 13% em relação ao período anterior.

Assista ao novo episódio do Choque de Gestão

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: