A fantástica fábrica de IA: Nvidia transforma chips em lucro histórico
A Nvidia provou por A+B que a inteligência artificial (IA) é capaz de gerar receita e lucro, apesar dos temores do mercado.
A empresa registrou receita de US$ 81,6 bilhões no primeiro trimestre do ano fiscal 2027, alta de 85% na comparação anual, de 20% em relação ao trimestre anterior e acima do consenso de Wall Street de US$ 79,2 bilhões.
O lucro líquido foi de US$ 58,3 bilhões, alta de 211% ano a ano. Para o próximo trimestre, a projeção é de US$ 91 bilhões, superando a estimativa de analistas de US$ 87,4 bilhões em US$ 3,6 bilhões.
"A demanda disparou. O motivo é simples. A IA agêntica chegou. A IA agora consegue realizar trabalhos produtivos e valiosos", disse o CEO Jensen Huang na teleconferência de resultados desta quarta-feira, 20.
A CFO Colette Kress completou o argumento. "A IA não é mais um diferencial. É agora uma necessidade para aumentar a produtividade em todos os setores e funções."
O motor imbatível
O núcleo do resultado está no segmento de data centers, que gerou US$ 75,2 bilhões, alta de 92% ano a ano e de 21% em relação ao trimestre anterior. Dentro do segmento, a receita de computação cresceu 77% na comparação anual, chegando a US$ 60,4 bilhões.
O destaque foi o negócio de redes, que disparou 199% no mesmo período, totalizando US$ 14,8 bilhões, um reflexo da aceleração da adoção da arquitetura NVLink e das interconexões dentro das chamadas "fábricas de IA", infraestruturas de grande escala dedicada à inteligência artificial.
A Nvidia afirma que seu segmento de Ethernet já é maior do que todos os concorrentes combinados, segundo a Morningstar.
A companhia também projeta US$ 20 bilhões em receita com seus chips de CPU (os processadores Vera) em 2026, o que potencialmente a tornaria a maior vendedora de CPUs para servidores do mundo.
Desse total de data centers, US$ 37,9 bilhões vieram de clientes hiperescaladores — as grandes empresas de nuvem como Microsoft e Alphabet —, alta de 115% em relação ao ano anterior.
Os outros US$ 37,4 bilhões vieram de nuvens de IA, clientes industriais e corporativos, crescimento de 74% no mesmo período, segundo a Morningstar.
Na teleconferência, Huang afirmou que a Nvidia "deve crescer mais rápido do que os gastos de capital dos hiperescaladores" — e que startups de tecnologia são uma categoria a observar, à medida que aumentam seus investimentos em IA.
Lucro e margens
O lucro por ação diluído não-GAAP foi de US$ 1,87, acima da estimativa de US$ 1,76 do mercado.
A margem bruta GAAP ficou em 74,9%, ligeiramente abaixo dos 75,0% do trimestre anterior, mas bem acima dos 60,5% registrados no primeiro trimestre do ano fiscal anterior, quando a empresa sofreu o impacto de US$ 4,5 bilhões em inventário de chips H20 bloqueados para a China.
As despesas operacionais cresceram 52% na base anual, para US$ 7,6 bilhões, refletindo investimentos em pesquisa, desenvolvimento e infraestrutura.
China: zero receita de data center pelo segundo trimestre consecutivo
Nenhuma remessa de produtos Hopper para a China ocorreu no trimestre.
O guidance para o segundo trimestre também assume zero receita de computação de data center proveniente do país.
Huang participou da delegação de Donald Trump em visita a Pequim em maio, gerando expectativas no mercado quanto a uma eventual reabertura comercial, mas nenhum avanço concreto foi anunciado.
Além dos chips
A Nvidia reestruturou seu modelo de reporte de resultados para refletir o que chamou de "futuros motores de crescimento".
A empresa passará a operar com duas plataformas — data center e computação de borda —, com o data center subdividido entre clientes hiperescaladores e clientes de nuvem de IA, industriais e corporativos.
"A Nvidia não é mais uma empresa de chips", disse Dan Newman, CEO do Futurum Group, à Axios.
A Morningstar elevou sua estimativa de valor justo para a ação de US$ 260 para US$ 280, mantendo classificação de fosso econômico amplo — o que significa que a vantagem competitiva da empresa deve se sustentar por pelo menos 20 anos.
Retorno ao acionista e reação do mercado
No trimestre, a Nvidia retornou US$ 20 bilhões aos acionistas na forma de recompra de ações e dividendos.
O conselho aprovou autorização adicional de US$ 80 bilhões para recompras, sem prazo de vencimento. O dividendo trimestral foi elevado de US$ 0,01 para US$ 0,25 por ação — aumento de 25 vezes —, com pagamento previsto para 26 de junho de 2026, segundo dados publicados na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês).
Apesar do resultado expressivo, as ações operavam ligeiramente abaixo do fechamento anterior no after-hours. Às 5h48, no horário de Brasília, no entanto, as ações subiam 1,30% no pré-mercado.
Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers, avaliou que o movimento indica quanto de boas notícias já estava precificado nas ações antes do anúncio.
A receita da Nvidia saltou de US$ 27 bilhões no ano fiscal de 2023 para US$ 216 bilhões no ano fiscal encerrado em janeiro de 2026.
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