A fintech mineira que transforma dívida em investimento mira R$ 500 milhões
A Precato, fintech mineira especializada na compra e antecipação de precatórios, captou R$ 100 milhões com seu sexto FIDC e projeta mobilizar até R$ 500 milhões ao longo de 2026.
A ideia é transformar dívidas públicas em uma classe de investimento estruturada. O modelo cria uma ponte entre dois públicos: de um lado, credores que buscam antecipar valores com segurança; de outro, investidores em busca de ativos com retorno consistente e menor exposição às oscilações do mercado.
O novo fundo é gerido pela gestora TAG Investimentos e já atraiu assets e family offices, estruturas de gestão de grandes patrimônios, na primeira rodada de captação.
Problema jurídico, solução financeira
Fundada em 2019 por Bruno Guerra e André Sana, a Precato opera com um modelo inverso ao das fintechs tradicionais.
Em vez de conceder crédito, a empresa compra precatórios — dívidas judiciais reconhecidas e devidas pelo poder público — antecipando recursos a quem teria de esperar anos, ou até décadas, para receber.
Na Lei Orçamentária de 2026, esse passivo chega a R$ 69 bilhões, distribuídos a mais de 270 mil credores. A proposta é dar liquidez a esses ativos com segurança jurídica e velocidade.
Em alguns casos, as operações são concluídas em até 24 horas, com toda a análise e pagamento feita internamente.
A Precato cresce cerca de 50% ao ano e já intermediou mais de R$ 1,5 bilhão em operações desde a fundação.
Do lado do investidor, a narrativa é de diversificação. Os cinco fundos anteriores da Precato entregaram retornos acima do CDI em todos os períodos, segundo a empresa, sem histórico de atraso de pagamentos.
"Os precatórios reúnem características que raramente coexistem em uma única classe: lastro em dívida pública reconhecida judicialmente, previsibilidade no fluxo de recebimento e baixa correlação com os demais ativos tradicionais, como, por exemplo, ações, fundos imobiliários e crédito privado - além de ser um mercado ainda pouco explorado institucionalmente", afirma Italo Fais, sócio da TAG Investimentos.
Uma mudança regulatória recente reforça essa tese. Com a Resolução 175 da CVM, autarquia que regula o mercado de capitais, parte dos precatórios federais passou a ser enquadrada como direitos creditórios padronizados dentro de FIDCs — ampliando o acesso de fundos e investidores a esse tipo de ativo.
“O precatório deixou de ser uma curiosidade jurídica. Ele está se tornando um produto financeiro de verdade, com estrutura, governança e liquidez”, afirma o CEO Bruno Guerra. A aposta agora é de escala — e de consolidar um mercado que ainda é pouco explorado institucionalmente no Brasil.
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