A fusão de R$ 7,9 bilhões: o que esperar do grupo Petz Cobasi neste ano?
A união entre Petz e Cobasi inaugura um novo capítulo no varejo pet brasileiro. Juntas, as duas redes somaram R$ 7,9 bilhões em faturamento em 2025 e agora iniciam 2026 com o objetivo de transformar a fusão em ganho de eficiência e crescimento sustentável – mesmo em um cenário não tão otimista.
À frente do novo grupo, Paulo Nassar acompanha esse movimento desde a origem. Foi ele quem, aos 18 anos, junto com mais dois irmãos, decidiu abrir a primeira loja da Cobasi, em 1985, atendendo a um sonho do pai de criar um negócio agropecuário em São Paulo. O que começou como uma pequena loja de ração para grandes animais evoluiu, ao longo das décadas, para um dos principais players do setor pet no país.
Agora, como CEO da companhia combinada, ele assume o desafio de integrar duas gigantes, e liderar o que se tornou a maior empresa do segmento no Brasil.
“A fusão, mais do que tudo, é um momento de transformação. Estamos combinando culturas, estratégias e equipes”, afirma Nassar em entrevista ao podcast "De frente com CEO, da EXAME".
Um grupo bilionário, e em integração
O novo grupo reúne uma operação robusta: são mais de 500 lojas, cerca de 15 mil funcionários, além de clínicas, centros estéticos e hospitais veterinários espalhados pelo país.
Mas, para o executivo, o tamanho não é o principal desafio do momento.
“O nosso grande foco agora é a integração. Crescer sem integração não gera valor”, diz.
A companhia estruturou um verdadeiro “plano de guerra” para a fusão, com milhares de tarefas mapeadas para unificar operações, sistemas e processos. A expectativa é capturar entre R$ 200 milhões e R$ 260 milhões em sinergias de Ebitda nos próximos cinco anos, com os primeiros ganhos já a partir de 2026.
A fusão e suas contradições
A fusão entre Petz e Cobasi, que reúne duas das maiores redes do varejo pet do país, tem sido alvo de questionamentos por parte de concorrentes, especialmente sobre possível concentração de mercado. O tema chegou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), responsável por analisar a operação.
À frente do novo grupo, Nassar contesta as críticas e afirma que a oposição à fusão partiu de apenas um concorrente.
“Apenas um concorrente se opôs formalmente no Cade, com justificativas infundadas”, diz.
Segundo o CEO, os dados do setor mostram um cenário diferente: mesmo com a união, o grupo responde por cerca de 10% do mercado, ainda dominado por pequenos pet shops, que segundo ele representa cerca de 50% do setor pet no Brasil.
“Esse é um mercado pulverizado, com milhares de lojas de bairro. Há espaço para todos,” diz. “Falar em monopólio é um absurdo”.
Do boom da pandemia à “ressaca” do setor
O crescimento recente do setor também ajuda a explicar o momento atual.
Durante a pandemia, a adoção de animais disparou, impulsionando o mercado. Mas o movimento não se sustentou no mesmo ritmo.
“As pessoas passaram a adotar muitos pets. Foi um fenômeno mundial. Mas depois houve uma desaceleração”, afirma.
O pós-pandemia trouxe ainda um efeito colateral: o aumento do abandono de animais, especialmente com a volta ao trabalho presencial.
Hoje, segundo o CEO, o mercado “anda de lado”, mas continua promissor no longo prazo.
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2026: um ano mais cauteloso para o varejo
O contexto econômico, no entanto, exige prudência.
Nassar aponta dois fatores que devem impactar o desempenho do varejo em 2026:
“A gente acredita que o varejo não deve crescer muito neste ano”, afirma.
Ainda assim, ele vê o setor pet como mais resiliente do que outras categorias.
“Somos um varejo de alta frequência. As pessoas não deixam de cuidar dos seus animais, independentemente do cenário”, diz o CEO.
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Impacto social como parte do negócio
Além da estratégia comercial, o grupo também aposta em iniciativas sociais. Programas como o Cobasi Cuida e o Adote Petz já viabilizaram a adoção de mais de 132 mil animais e apoiaram mais de 320 ONGs.
“Ambos os programas ampararam mais de 300 mil animais ao longo do tempo”, afirma.
Digital e marcas próprias no centro da estratégia
Se há um ponto de vantagem competitiva para o grupo, ele está no digital. Antes da pandemia, o e-commerce representava cerca de 12% a 15% das vendas. Hoje, já supera 40% do faturamento total.
“Capturamos essa mudança de comportamento porque já estávamos preparados”, diz.
Outro vetor de crescimento são as marcas próprias, que já representam: 14% das vendas na Petz e 8% na Cobasi.
“A gente quer ampliar o portfólio de produtos exclusivos. Isso aumenta margem e fidelização,” diz o CEO que comentou que uma das apostas são produtos sazonais, como panetones e agora ovo de Páscoa de frango.
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A ambição: liderar na América Latina
No fim, o plano vai além da fusão. A meta é transformar a companhia no principal ecossistema pet da região apostando em inovação e integração do que cada empresa tem de melhor:
“Queremos construir o melhor ecossistema para pets da América Latina”, diz Nassar.
No curto prazo, porém, o desafio é outro: fazer a fusão funcionar.
Com faturamento bilionário e liderança no setor, o novo grupo entra em 2026 com o desafio de provar que a escala construída até aqui pode, de fato, se traduzir em eficiência, crescimento e vantagem competitiva.
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