A história da empresa criada por um dos herdeiros da JBS e que deve faturar R$ 10 bilhões em 2027

Por Layane Serrano 20 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A história da empresa criada por um dos herdeiros da JBS e que deve faturar R$ 10 bilhões em 2027

“O agro é o grande motor que move a economia brasileira.” A frase é de Fabrício Batista, CEO da JBJ Agropecuária, durante entrevista ao podcast De Frente com CEO, da EXAME, gravado diretamente da Fazenda Floresta, em Goiás, considerada a fazenda-modelo do grupo.

Filho de José Batista Júnior, um dos herdeiros da família fundadora da JBS, Fabrício lidera hoje uma operação que vai da criação de gado ao frigorífico, passando por genética bovina, confinamento, exportação e até cavalos milionários da raça Quarto de Milha.

Em pouco mais de uma década, a companhia saiu de um faturamento de cerca de R$ 100 milhões para R$ 6 bilhões em receita consolidada em 2025. Agora, a meta é ainda mais ambiciosa: chegar perto dos R$ 10 bilhões até 2027.

“A gente acredita muito no agro e no Brasil. Acreditamos muito na produção da proteína vermelha para os próximos anos,” diz Fabrício.

A origem da JBJ Agropecuária – e a relação com a JBS

A JBJ Agropecuária nasceu oficialmente em 2012, após a saída de José Batista Júnior da JBS (executivo que é um dos filhos do fundador da JBS, empresa que ele liderou por mais de duas décadas). Parte do acordo envolveu ativos rurais, que deram origem à nova operação agropecuária da família em Goiás.

“A JBJ são as iniciais do Júnior, José Batista Júnior. Com essa mudança, ele veio para Goiás e começou a JBJ Agropecuária”, afirma Rodrigo Terra, diretor financeiro do grupo.

Na época, eram apenas três fazendas e um modelo tradicional de pecuária. Hoje, a empresa possui 14 fazendas espalhadas entre Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, somando cerca de 150 mil hectares produtivos e mais de 250 mil cabeças de gado estáticas.

“Nós atuamos principalmente no Centro-Oeste. Goiás, Tocantins, onde enxergamos grande potencial não só para pecuária, mas para integração lavoura-pecuária”, afirma Fabrício.

Do confinamento ao frigorífico

A JBJ atua em praticamente toda a cadeia da pecuária: cria, recria, confinamento, genética, frigorífico e exportação.

Hoje, a empresa trabalha com mais de 500 mil animais por ano em confinamento, operação que Fabrício define como uma das maiores da América Latina.

“Hoje a JBJ termina ou engorda mais de 500 mil animais todo ano. É uma super operação de confinamento”, diz.

O grupo também controla a Prima Foods, braço industrial da companhia, com três frigoríficos localizados em Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Juntas, as unidades têm capacidade para abater cerca de 2 mil animais por dia cada uma.

Grande parte da produção é destinada ao exterior. Segundo Fabrício, aproximadamente 70% da carne produzida é exportada, principalmente para China, Oriente Médio e Chile.

“Hoje, de 100% das exportações que nós fazemos, 50% vão é destinado para o mercado chinês. Depois vem o Oriente Médio que tem consumido muita carne vermelha”, diz o CEO. “Temos apostado no final em três mercados: asiático, Oriente Médio e América do Sul.”

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“A produção de carne vermelha não cresce com o consumo”

Na visão de Batista, o Brasil deve assumir um papel cada vez mais estratégico no abastecimento global de proteína bovina nos próximos anos. Isso porque, segundo ele, o avanço populacional mundial, combinado à limitação da produção em alguns países, deve ampliar a demanda por carne brasileira no mercado internacional.

Neste cenário, o Brasil se destaca por conta das vantagens naturais e da capacidade produtiva do agronegócio nacional.

“A gente vê cada vez mais a população mundial crescendo e a produção você não vê crescendo na mesma velocidade”, afirma Batista.

Para o executivo, poucos países possuem as condições estruturais que o Brasil reúne hoje para ampliar a oferta de proteína animal em larga escala.

“O Brasil é um país fantástico. Ele é um país, eu digo até abençoado. A gente tem clima, nós temos terras férteis, nós temos água”, diz. “O Brasil com certeza caminha para ser o grande fornecedor dessa proteína vermelha.”

A aposta em genética

Uma das principais frentes de crescimento da companhia está na genética bovina e equina. O objetivo é acelerar produtividade, melhorar qualidade e produzir mais no mesmo espaço físico.

“Para produzir mais no mesmo espaço, você precisa colocar tecnologia genética”, afirma Terra.

Segundo ele, a evolução genética permitiu reduzir significativamente o ciclo do gado.

“Antigamente no Brasil o boi era abatido com quatro anos e meio. Hoje, no nosso confinamento, estamos abatendo boi entre 24 e 30 meses”, diz Fabrício.

No caso dos cavalos, o grupo investe em biotecnologia, fertilização in vitro e seleção genética de alta performance.

“Hoje a gente preza muito pela biotecnologia. É inovação e uso de tecnologia na criação dos cavalos”, afirmou Fabrício.

Na Fazenda Floresta, onde foi gravado o podcast da EXAME, o grupo opera um laboratório próprio de reprodução animal.

“Aqui não tem nenhum garanhão, todos os cavalos são feitos em laboratório”, afirma Fabrício.

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O negócio dos cavalos milionários

O braço de cavalos nasceu de uma paixão pessoal de Fabrício. Durante a pandemia, ele decidiu profissionalizar a atividade e transformar o hobby em negócio.

“Eu trouxe gestão para dentro da criação de cavalos”, afirma.

Hoje, a JBJ Ranch promove um dos maiores leilões de cavalos de raça do mundo, considerado pela empresa o segundo maior do mundo no segmento – e segue rentável.

O evento faturou cerca de R$ 130 milhões em 2025 e bateu recorde neste ano, alcançando R$ 257 milhões em negócios.

Os números chamam atenção. Alguns animais chegam a ultrapassar dezenas de milhões de reais.

“O recordista de preço deste ano foi um garanhão americano chamado Inferno Sixty Six que teve 50% vendido por R$ 44 milhões”, afirma Fabrício.

A divisão de genética e cavalos já representa entre 10% e 15% do faturamento do grupo, com carteira estimada em cerca de R$ 600 milhões neste ano, segundo o diretor financeiro da JBJ.

Texas, exportação e expansão internacional

A internacionalização também faz parte dos planos da companhia. Em 2024, o grupo adquiriu um rancho em Pilot Point, no Texas, considerado um dos principais polos da raça Quarto de Milha nos Estados Unidos.

“O Texas é o berço da raça. Lá estão os melhores animais e as maiores centrais genéticas”, diz Terra.

Segundo Fabrício, o objetivo é transformar a operação em uma plataforma global.

“A ideia é criar cavalos no Brasil para fornecer para a América do Sul e criar nos Estados Unidos para atender América do Norte e Europa”, afirmou.

O executivo também não descarta ampliar a atuação internacional da companhia para proteína animal.

“Talvez o caminho natural seja internacionalizar a marca também dentro da produção de proteína, como fez a JBS”, diz Fabrício.

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