A história por trás do desfile de Pharrell Williams para a Louis Vuitton

Por Gustavo Frank 26 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A história por trás do desfile de Pharrell Williams para a Louis Vuitton

Com Paris enfrentando temperaturas em torno de 40°C, Pharrell Williams usou uma imensa queda d'água para criar a impressão de uma onda se formando como pano de fundo do desfile masculino da Louis Vuitton primavera-verão 2027. A construção tinha oito metros de altura e mais de 37 metros de largura, e a água foi fornecida pela Eau de Paris, empresa responsável pela rede aquática da cidade.

O chão da Cité Internationale Universitaire de Paris foi coberto de areia fina para a ocasião — a passarela cortava o espaço no estilo de um boardwalk. Do outro lado da onda, dunas esculpidas com o nome Louis Vuitton emolduravam uma trailer prateada de aspecto futurista, evocando a liberdade de viver na estrada em busca da próxima grande ondulação.

O espaço antes do desfile: bancadas de madeira reaproveitadas da temporada anterior e a onda de 37 metros ao fundo (Divulgação)

Na plateia, estavam presentes os embaixadores da marca Jeremy Allen White, Jackson Wang e J-Hope. O calor extremo que paralisava a capital transformou a névoa da onda num alívio involuntário e certeiro. Depois do show, a areia foi doada para as quadras de vôlei de praia do próprio campus da universidade.

Do wetsuit ao paletó

Os primeiros wetsuits assinados pela maison saíram acompanhados de pranchas de surf revestidas pelo monograma da grife (Divulgação)

A coleção trouxe os primeiros wetsuits assinados pela maison, com o monograma estampado em equipamentos de mergulho funcionais. Os modelos saíram da onda carregando pranchas de surf sob medida revestidas pelo monograma icônico da grife. Casacos de malha canelada e casacos robe de bouclé foram inspirados nos agasalhos que surfistas vestem depois de uma sessão fria. Camisas havaianas e bermudas jeans dividiam os looks com paletós de alfaiataria estruturados e ternos relaxados, a combinação que já virou assinatura de Pharrell à frente da casa.

Pharrell desenvolveu fios de cashmere em parceria com a Loro Piana para construir malhas e introduziu parkas de couro macio junto de grafismos em trompe l'oeil. As decorações de superfície traziam bordados intensos, monogramas multicoloridos e pele de cobra. Entre as peças de couro, havia jaquetas de pitão pintado à mão e um crocodilo azul empoado.

O padrão como obsessão

Suéter de cashmere desenvolvido com a Loro Piana e Speedy em rosa: a coleção misturou alfaiataria relaxada com referências da cultura do surf (Divulgação)

Nos acessórios, saíram Keepall duffels em rosa desbotado, uma bolsa em formato de sapo e Alma satchels em amarelo manteiga. Alguns dos fios de cashmere foram desenvolvidos com a Loro Piana, terceira maior grife do grupo LVMH, atrás da Louis Vuitton e da Dior.

Sobre a coleção, Pharrell resumiu sua lógica em poucas palavras: "Se eu não consigo fazer o melhor do que é possível, estou desperdiçando o tempo de Bernard Arnault e o meu próprio. Não faço por moda, faço por padrão."

O cenário ambicioso de cada desfile virou marca registrada do período de Pharrell à frente da casa. Na edição primavera-verão 2026, o processo de pesquisa na Índia resultou numa versão gigante de Cobras e Escadas criada em parceria com Bijoy Jain, do Studio Mumbai, no Centre Pompidou, show que depois virou documentário. A temporada anterior foi ambientada em torno de um hotel prefabricado projetado com o estúdio japonês Not a Hotel, instalado no Bois de Boulogne. As cadeiras de madeira usadas no desfile desta semana foram reaproveitadas daquela edição.

Após o show, a grife revelou que a Coral Gardeners, organização de conservação oceânica da Polinésia Francesa, fará parte da agenda da marca como parte do roadmap Regeneration 2030. A iniciativa prevê o plantio de mil corais no sítio de restauração Tiaia e a recuperação de 250 metros quadrados de habitat de recife em 2026. Atletas da World Surf League vão monitorar os esforços de restauração durante o Tahiti Pro, em agosto, dando à grife um retorno direto de quem vive mais próximo do oceano.

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