‘A IA não substitui pessoas’: como essa executiva leva tecnologia para decisões em saúde

Por Gabriella Uota 13 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘A IA não substitui pessoas’: como essa executiva leva tecnologia para decisões em saúde

Suellen Rodrigues construiu a carreira em uma fronteira cada vez mais estratégica: a conexão entre ciência, políticas públicas, saúde, governança e negócios. Farmacêutica, mestre em Política Pública Internacional e executiva com mais de duas décadas de experiência, ela atua hoje como diretora para a América Latina na MSD, multinacional americana do setor farmacêutico.

Além da atuação corporativa, Suellen também ocupa posições em organizações da sociedade civil, como o Instituto Pactuá e o MIPAD (Most Influential People of African Descent). Sua trajetória é marcada por uma preocupação central de transformar temas técnicos e complexos em decisões capazes de gerar impacto real para pessoas, pacientes e sistemas de saúde.

Foi com esse olhar que ela decidiu cursar o PIACC, Programa de Inteligência Artificial para C-levels, Conselheiros e Acionistas da Saint Paul. Agora, inicia também o FECC, Finanças Estratégicas para C-Level e Conselheiros, em busca de ampliar repertório para decisões de alta liderança.

IA exige mais do que tecnologia

Para Suellen, a inteligência artificial já entrou definitivamente na agenda dos executivos, mas o debate, segundo ela, não pode ser reduzido à adoção de ferramentas.

A questão central está em como incorporar a tecnologia com governança, ética, privacidade e responsabilidade. Em setores altamente regulados, como a saúde, a IA precisa ser avaliada não apenas pelo ganho de eficiência, mas pelo impacto que pode gerar em decisões clínicas, científicas e institucionais.

Na empresa em que atua, Suellen conta que já existem ferramentas aprovadas de inteligência artificial para uso interno, com diferentes níveis de privacidade da informação. Elas apoiam desde tarefas simples, como resumos de reuniões, até processos de automação e análise com inteligência generativa.

O ponto, afirma, é preparar as pessoas para usar essas soluções de forma crítica.

O que o PIACC provocou na liderança

No PIACC, Suellen encontrou um ambiente voltado a executivos, conselheiros e acionistas que precisam entender como a IA afeta estratégia, cultura de dados, negócios, ética, LGPD, conselhos e implementação de projetos.

Para ela, a experiência foi importante justamente por reunir líderes de diferentes áreas e níveis de maturidade tecnológica. A troca com outros executivos ajudou a tirar a discussão do campo abstrato e levá-la para a prática.

Segundo Suellen, o programa provocou reflexões sobre como transformar conhecimento em aplicação imediata. Não apenas pelo networking, mas pela forma como os temas eram discutidos a partir da realidade de quem toma decisões.

Esse aprendizado, diz ela, já foi levado para projetos na empresa e também para sua atuação em organizações não governamentais.

Saúde, dados e acesso

Na área da saúde, o uso de IA envolve desafios específicos. Busca científica, validação de metodologias, análise de evidências e incorporação de tecnologias são processos complexos, que exigem rigor técnico e responsabilidade.

Suellen observa que a tecnologia pode reduzir barreiras de acesso à informação científica, antes muito dependente de bases restritas e estruturas institucionais. Mas isso não elimina a necessidade de avaliação humana.

Suellen Rodrigues, diretora para a América Latina, Executiva em Saúde, Mentora e Conselheira

A pergunta, segundo ela, não é apenas se uma inovação existe. É se ela entrega valor, se respeita diretrizes internacionais e se pode chegar com segurança a sistemas como o SUS ou a ministérios da Saúde de outros países.

Liderar também é permitir testes

Para Suellen, organizações que desejam avançar em inteligência artificial precisam criar segurança para testar, aprender e corrigir rotas.

“A gente não muda nada sem a premissa de que pode errar e melhorar”, afirma.

Ela defende a criação de protótipos e entregas de curto prazo, capazes de envolver mais pessoas e acelerar mudanças. Essa lógica vale para diferentes gerações. Suellen rejeita a ideia de que jovens sejam naturalmente mais abertos à tecnologia e profissionais experientes sejam mais resistentes.

O que faz diferença, diz, é cultura, educação anterior, repertório e abertura ao aprendizado contínuo.

Por que finanças entraram na jornada

Depois do PIACC, Suellen inicia o FECC, programa da Saint Paul voltado a líderes que precisam tomar decisões financeiras com impacto estratégico, mesmo sem formação técnica na área.

Para ela, o interesse não está em se tornar especialista financeira, mas em compreender melhor os fluxos de dinheiro, a alocação de recursos, a governança e a leitura dos resultados.

Essa leitura é especialmente relevante para quem atua em saúde. Inovação, acesso, sustentabilidade e impacto dependem também de decisões financeiras bem estruturadas.

Suellen lidera uma equipe formada majoritariamente por mulheres na área da saúde, responsável por parte relevante do orçamento de um departamento científico. Para ela, isso representa orgulho e responsabilidade.

O novo repertório da alta liderança

A trajetória de Suellen mostra que liderar em ambientes complexos exige mais do que domínio técnico — exige capacidade de conectar áreas, interpretar riscos, dialogar com diferentes setores e tomar decisões com impacto de longo prazo.

Na saúde, essa equação ganha peso adicional: cada escolha pode afetar acesso, tratamento, sustentabilidade dos sistemas e vida de pacientes. Acelerar importa. Mas acelerar com governança, ética e responsabilidade importa ainda mais.

A trajetória de Suellen Rodrigues mostra que inteligência artificial não é apenas tecnologia — é repertório estratégico para quem toma decisões complexas. O PIACC foi criado justamente para líderes que querem entender como aplicar IA com visão de negócios, governança e impacto real. Conheça o programa que está preparando executivos para a próxima era da liderança.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: