A jogada da Amazon com a FIFA para dominar as vendas online na Copa do Mundo 2026
A Amazon Brasil quer disputar mais do que cliques durante grandes eventos esportivos — quer transformar a jornada completa do torcedor durante a Copa do Mundo. Do pré-jogo à comemoração em casa, a companhia aposta em conveniência, curadoria e velocidade de entrega para transformar datas do Mundial em um motor de vendas.
Para isso, a companhia lançou nesta terça-feira, 7, a “Central da Torcida”, uma página dedicada a produtos voltados aos fãs de esportes, com foco em ofertas de produtos para atender a qualquer necessidade dos torcedores durante as partidas da Copa e, posteriormente, em outros eventos.
“A gente quer estar presente em toda a jornada do torcedor, antes, durante e depois dos jogos da Copa”, afirma Ricardo Perez, diretor de varejo da Amazon, em entrevista exclusiva à EXAME.
"Por isso, a página ‘Central da Torcida’ foi elaborada como um destino recorrente para o consumidor, não apenas para um evento específico".
A iniciativa reúne desde eletrônicos — como TVs e sistemas de áudio — até álbuns de figurinhas licenciado, produtos de decoração temática e itens de vestuário.
Por outro lado, a carta na manga da Amazon é a oferta de produtos licenciados exclusivamente pela FIFA. A parceria posiciona a varejista online como a única no Brasil a oferecer esta seleção de produtos, além de marcar uma vantagem competitiva diante dos concorrentes na briga pela liderança das vendas durante a Copa.
"É um grande diferencial. A linha de produtos licenciados pela FIFA funciona como uma chancela de qualidade e um forte atrativo para os grandes fãs da Copa. Além de produtos exclusivos, trazemos variedade de itens para qualquer necessidade. Isso reforça que o cliente encontrará um portfólio amplo e relevante na página", declara Perez.
"Central do Torcedor": página especial no marketplace da Amazon para oferta de artigos esportivos e outros itens para os fãs de esporte. (Amazon/Divulgação)
Na prática, a estratégia combina amplitude de portfólio com personalização da oferta — um movimento que responde a um comportamento já consolidado no e-commerce. “O consumidor não quer mais navegar por múltiplas páginas para montar a experiência dele. Ele quer encontrar tudo em um só lugar, com curadoria e facilidade de decisão”, diz Perez.
A empresa também aposta na influência digital como alavanca de vendas. A Central contará com vitrines personalizadas de 16 criadores de conteúdo parceiros do programa de Associados, que indicam produtos diretamente ao público. “Esses criadores têm um papel importante porque ajudam a traduzir o catálogo em recomendações reais. Isso aumenta a confiança e encurta o caminho até a compra”, afirma.
Outro eixo da estratégia está na recorrência de campanhas promocionais. A página terá ofertas contínuas e ativações em datas como 5.5 e 6.6, buscando capturar picos de demanda ao longo do calendário.
O plano de vendas para a Copa do Mundo está integrado à estrutura logística da companhia, para garantir que os produtos alcancem compradores de qualquer região do país o mais rápido possível, segundo o executivo.
A Amazon já investiu mais de R$ 55 bilhões no Brasil na última década, o equivalente a aproximadamente R$ 15 milhões por dia. Esses investimentos contemplam diversas frentes, principalmente logística, tecnologia, computação em nuvem. Em 2025, a empresa ultrapassou a faixa de 250 centros logísticos em todos os estados do Brasil, sendo 17 centros de distribuição. No mesmo ano, foram adicionados mais 100 centros logísticos na nossa rede.
"A estratégia para a Copa do Mundo também é sustentada pelos investimentos da Amazon no Brasil, com expansão logística, aumento do portfólio — hoje com mais de 180 milhões de produtos — e maior capilaridade de entrega, inclusive em regiões onde outras empresas não chegam".
Sem limites
Ricardo Perez explica que a tática de vendas com a "Central da Torcida" não se prende a um ticket médio específico, pois o foco está em um portfólio amplo, com produtos para todos os perfis e faixas de preço.
"A lógica é atender desde produtos mais acessíveis até itens de maior valor agregado. O ticket médio varia de forma natural: eletrônicos concentram itens mais caros, enquanto categorias como livros tendem a ter preços mais baixos".
Do outro lado da tela, a campanha representa uma grande oportunidade para os sellers e parceiros fidelizarem clientes e expandirem alcance de vendas.
Ricardo Perez, diretor de Varejo na Amazon Brasil (Amazon/Divulgação)
"Estamos trabalhando para sedimentar a presença dos sellers na plataforma para que todos possam encontrar um ambiente de ganha-ganha. São projetos de fomento e benefícios focados em impactos de longo prazo, não necessariamente apenas para a Copa do Mundo. Mesmo assim, para a ocasião dos jogos, o momento é de grandes possibilidades", ressalta.
De olho no desafio da rápida entrega diante das diferenças regionais e de condições de infraestrutura, a empresa vai dispor de todos as suas opções de entrega e serviços especiais, como o recém-lançado Amazon Now.
"A operação de logística combina diferentes modalidades de entrega, incluindo opções mais rápidas como o Amazon Now, dependendo da região e do tipo de produto. A tendência é ampliar tanto o número de itens elegíveis quanto a cobertura desse serviço", esclarece.
E acrescenta: "A empresa reconhece os desafios de infraestrutura no país, especialmente fora do eixo Sul-Sudeste. Para enfrentar isso, tem ampliado sua rede logística — incluindo regiões periféricas, favelas e comunidades ribeirinhas da Amazônia. Queremos aumentar a velocidade e a cobertura, com iniciativas que vão de entregas no mesmo dia até opções em poucos minutos".
A força do esporte no Brasil
Embora a página "Central da Torcida" tenha sido elaborada para os fanáticos por futebol, ela sintetiza o desejo da Amazon de ir além do faturamento com a Copa. A meta de longo prazo da companhia de Jeff Bezos é ganhar protagonismo com na venda de artigos esportivos na internet, tanto em períodos de grandes eventos esportivos — como NFL, NBA e campeonatos femininos —, quanto nas necessidades dos "ratos de academia".
Segundo o diretor de varejo, essa ambição ganhou tração após o desempenho de vendas e ampliação de público com a categoria de esportes do marketplace na Black Friday.
"Desde então, investimentos nessa iniciativa, considerando o tamanho da paixão dos brasileiros é por esportes, especialmente futebol. Por isso, a proposta é fazer parte dessa experiência", explica. "A celebração vai além dos 90 minutos de jogo, por isso queremos conquistar os compradores com uma seleção exclusiva, pegando carona em eventos esportivos que acontecem ao longo do ano e customizando o serviço em todos os momentos".
A companhia não detalha o tamanho do investimento com a iniciativa e projeção de vendas. Mesmo assim, os esforços acompanham o crescimento das vendas de produtos esportivos no Brasil ao longo dos anos. O varejo esportivo movimentou R$ 16,3 bilhões no comércio eletrônico em 2024, alta de 42,3% em relação a 2023, informa o levantamento da Neotrust Confi, especializada em soluções de inteligência para o varejo digital.
Entre as categorias, os calçados lideraram com folga, somando R$ 9,9 bilhões em faturamento — avanço de 65% no período. Também registraram crescimento vestuário, bicicletas e produtos para academia, com altas de 45%, 5,3% e 19%, respectivamente. O vestuário esportivo cresceu 38,8% no e‑commerce brasileiro, impulsionado por fatores como o retorno de grandes atletas a clubes e campanhas de marketing ligadas a times.
Copa do Mundo como movimento catalisador
Para a Amazon, a Copa do Mundo funciona como um acelerador de tendências já em curso no varejo digital — especialmente na categoria esportiva.
“O esporte tem um componente emocional muito forte, e isso se traduz diretamente em consumo. Em momentos como a Copa, esse comportamento se intensifica e cria uma oportunidade relevante para o varejo”, diz Perez.
Segundo ele, o movimento também amplia o escopo competitivo do setor. “A concorrência não está só entre varejistas tradicionais. Hoje, disputamos atenção com marketplaces, marcas próprias, plataformas digitais e até criadores de conteúdo. Por isso, a diferenciação passa por experiência e conveniência.”
Apesar do impulso trazido pela Copa, a empresa vê a página "Central da Torcida" como um projeto estrutural. A ideia é manter a página ativa para diferentes eventos esportivos ao longo dos anos.
No pano de fundo, a iniciativa reflete uma disputa mais ampla no e-commerce: menos sobre preço isolado e mais sobre quem consegue organizar melhor a experiência de compra.
"A 'Central da Torcida' é vista como uma iniciativa de longo prazo, que vai além da Copa do Mundo. A ideia é adaptar a página para acompanhar diferentes eventos esportivos nos próximos anos", esclarece o diretor de varejo. "A proposta é consolidar esse espaço como referência para o consumidor se preparar para esses momentos, criando uma relação contínua com o público".
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