A mãe é executiva de IA. O filho tem 5 anos. Juntos, criaram um jogo em poucos minutos
O que você precisa saber:
Em uma manhã comum, Lena Hall foi acordada pelo filho de 5 anos com um anúncio firme: ele queria criar um jogo. Diretora de estratégia de desenvolvimento e IA da Akamai Technologies, Lena teve uma ideia que une as duas pontas da sua vida — o trabalho com inteligência artificial e a maternidade.
Em vez de explicar ao menino que programação é coisa de adulto, ela entregou uma folha de papel, pediu que ele desenhasse cada fase e personagem do jogo imaginado, e abriu o aplicativo Codex, da OpenAI, no modo de ditado por voz.
Em poucos minutos, o jogo saiu da cabeça da criança e ganhou vida na tela — sem que ele soubesse digitar uma única linha de código.
A história, contada por Lena ao Business Insider, alimenta um dos debates mais quentes do momento: até onde a inteligência artificial deve fazer parte da infância. Se a tecnologia já apresenta desafios para adultos, o que dizer das crianças? Para Lena, a resposta passa menos pela ferramenta e mais pelo papel da mãe ao lado.
Lena fez questão de que o filho passasse mais tempo desenhando o jogo no papel do que interagindo com a IA (Imagem ilustrativa/Freepik)
"Queria ver se uma ferramenta de programação por voz conseguiria transformar a ideia de uma criança pequena em algo jogável, mesmo sem ela ter conhecimento técnico", conta. A escolha do Codex, com modo de ditado, foi proposital: o menino não precisaria saber ler ou escrever para criar.
A criança explicou em voz alta como queria que o jogo funcionasse. "Ele disse que queria um jogo em que digitar uma palavra transformaria o usuário em um personagem", descreveu Lena. Com alguns erros pelo caminho — corrigidos em novas conversas entre o menino e a IA — o jogo ficou jogável.
A facilidade que permitiu a Lena guiar o filho está cada vez mais acessível também para pais que querem entender IA antes dos filhos. O Pré-MBA em Inteligência Artificial da EXAME reúne, em quatro aulas online, os fundamentos da tecnologia que já chegou às escolas, aos jogos e à rotina das famílias.
O papel da mãe: presença, não programação
Lena conta que sua função durante todo o processo foi de suporte emocional e mediação, não técnica. A regra mais importante que estabeleceu: deixar claro ao filho que a IA não é uma pessoa.
"Isso é importante porque as crianças são naturalmente predispostas a formar laços emocionais e atribuir qualidades humanas às coisas que reagem a elas", afirma.
Para ter ideia, no Brasil, 84% das crianças de 9 a 17 anos já usam internet, segundo a pesquisa TIC Kids Online 2024 do Cetic.br. E e o uso de IA generativa entre adolescentes cresceu mais de 300% no último ano.
O cenário é semelhante nos EUA. Por isso, Lena também garantiu que o tempo de tela não fosse excessivo. O resultado mais importante, segundo ela, é que o filho passou mais tempo desenhando o jogo no papel do que conversando com a máquina. A IA entrou apenas na etapa final, como ferramenta de execução — não como parceira criativa.
O Codex, da OpenAI, permite criar código por meio de comandos de voz — inclusive para usuários sem conhecimento técnico (Getty Images)
O que esse caso ensina sobre IA e infância
A experiência de Lena aponta para um caminho que especialistas em educação digital têm defendido: a IA na infância funciona quando há um adulto presente como ponte, traduzindo a tecnologia, estabelecendo limites e protegendo a criança de criar vínculos confusos com a máquina.
Não é sobre proibir. É sobre acompanhar. E para os adultos — especialmente mães e pais que querem entender essa nova realidade antes de decidir o que liberar para os filhos — dominar o básico de IA deixou de ser opcional.
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