A marca jovem que tem puxado o crescimento da Prada

Por Marina Semensato 7 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A marca jovem que tem puxado o crescimento da Prada

O Grupo Prada divulgou, nesta quinta-feira, 5, seus resultados financeiros de 2025. A companhia italiana registrou alta de 9% na receita, que chegou a € 5,72 bilhões, enquanto o lucro líquido avançou para € 852 milhões. O desempenho foi sustentado sobretudo pela Miu Miu: a menor e mais jovem marca do portfólio registrou crescimento de 35% no ano.

A margem de lucro, porém, recuou meio ponto percentual — reflexo da aquisição da Versace por quase € 1,3 bilhão, concluída em dezembro e já contabilizada nos resultados. Sem considerar a compra, o crescimento orgânico da receita foi de 8%. A expectativa é que a integração da marca aperte as margens em 2026, com melhora prevista só a partir de 2027, segundo a CEO Andrea Guerra.

A marca Prada, principal do portfólio, ficou levemente no negativo, mas deu sinais de recuperação no fim do período. As vendas no varejo da grife recuaram 1% em 2025, após quedas de 1,9% no primeiro semestre e de 0,8% no terceiro trimestre. A melhora veio no quarto trimestre, com leve alta de 0,4%.

Mesmo com o desempenho mais tímido da marca principal, o grupo manteve sua trajetória de cinco anos de expansão e alcançou o 20º trimestre consecutivo de crescimento.

Sucesso da Miu Miu

A alta de 35% nas vendas da Miu Miu em 2025 dá continuidade a uma sequência de expansão que já dura quatro anos e sucede o crescimento recorde de 2024. Naquele ano, a marca ultrapassou pela primeira vez a marca de € 1 bilhão em receita, alcançando € 1,37 bilhão — um avanço de 93% em relação a 2023.

O desempenho ajudou a impulsionar os resultados do Grupo Prada, que registrou faturamento de € 5,4 bilhões em 2024, alta de 18%, enquanto o lucro líquido avançou 25%.

Vale dizer que, no quarto trimestre de 2025, as vendas no varejo da marca avançaram 20%. O ritmo ficou abaixo do registrado nos períodos anteriores, mas ainda supera o da maioria das empresas do setor de luxo.

Em teleconferência com analistas, o CEO Andrea Guerra afirmou que a expectativa é manter o avanço da marca ao longo de 2026, embora tenha ressaltado as incertezas do cenário global. "Se tudo correr bem, chegaremos a dois dígitos no mercado da Miu Miu [em 2026], mas com a situação atual do mundo, as coisas podem ser diferentes", disse.

Varejo concentra vendas

Quase 90% das vendas do grupo vieram do varejo, mesma proporção registrada em 2024. O resultado está alinhado à estratégia da companhia de reduzir a exposição ao atacado, canal que oferece margens menores e menos controle sobre preços e apresentação dos produtos. Ao todo, o varejo gerou € 5,1 bilhões em receitas, com crescimento orgânico de 8,2%.

Regionalmente, as vendas avançaram em todas as áreas. O crescimento foi de 11% na Ásia-Pacífico (excluindo o Japão), 18% nas Américas, 15% no Oriente Médio, 5% na Europa e 3% no Japão.

Ao longo de 2025, a companhia também manteve investimentos estratégicos que somaram € 535 milhões. Entre os projetos citados estão novos espaços de eventos da Prada em Xangai e Singapura, uma loja em Nova York e a Prada Alexandra House em Hong Kong.

A Miu Miu também ampliou sua presença física, com lojas em Wuhan, Londres e Tóquio. O balanço encerrou o ano com dívida líquida de € 466 milhões, sustentada pela geração de caixa do grupo.

A "era Versace"

Durante anos, a Prada evitou grandes aquisições se concentrou no crescimento orgânico de suas próprias marcas. Mas isso mudou com a compra bilionária da Versace, a maior aposta da história do grupo, que agora deve ser o centro das atenções de investidores e analistas pelos próximos meses.

A grife italiana chega ao grupo após sete anos definhando sob o controle da Capri Holdings. Em 2025, a Versace faturou € 684 milhões (uma queda de quase 28% em relação a 2024, quando o total foi de € 952 milhões), resultado que deve se repetir em 2026.

O plano da Prada prevê uma reestruturação gradual da marca. Pieter Mulier assumirá a direção criativa a partir de julho e deve apresentar sua primeira coleção em 2027. Como parte do reposicionamento, o Atelier Versace também deve retornar ao calendário da Alta Costura. A companhia também deve simplificar a rede de lojas e diminuir a dependência de canais de desconto, para reforçar as vendas a preço integral.

"A aquisição da Versace representa um passo significativo na evolução estratégica do Grupo, agregando uma marca altamente distinta e complementar ao nosso portfólio e contribuindo para nossas ambições de crescimento a longo prazo", disse Patrizio Bertelli, presidente do conglomerado, em comunicado.

Segundo o CEO Andrea Guerra, a recuperação vai exigir tempo. "Com a aquisição da Versace, acolhemos uma marca com legado e reconhecimento. Essa nova jornada exigirá respeito, cuidado e paciência", afirmou.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: