A nova empreitada do ex-CEO da Ambev: um energético natural de erva-mate

Por Daniel Giussani 11 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A nova empreitada do ex-CEO da Ambev: um energético natural de erva-mate

Bernardo Paiva poderia ter seguido muitos caminhos ao deixar a presidência da Ambev, a maior cervejaria da América Latina, em 2019. Conselhos de administração, investimentos ou novos cargos em grandes empresas estavam no horizonte natural de um executivo com quase três décadas na companhia.

Ele escolheu outro caminho: criar um energético.

A aposta se chama Machu Picchu Energy, uma marca de bebidas fundada nos Estados Unidos que acaba de iniciar operação no Brasil. A proposta é disputar espaço em um mercado dominado por gigantes como Red Bull e Monster com uma fórmula baseada em erva-mate, maca peruana e cafeína de origem natural.

O projeto nasceu depois da saída de Paiva da Ambev, onde trabalhou por 28 anos e começou como estagiário. “Depois de 28 anos na Ambev eu queria empreender do zero, sentir o frio na barriga”, afirma. “Eu encontrei na categoria de energético um veículo para esse sonho.”

O plano agora é transformar o Brasil no principal mercado da marca. O lançamento começou de forma gradual, com presença inicial em redes como St. Marche, Mambo, Hortifruti e Prezunic, além de vendas pela Amazon.

A expectativa da empresa é faturar entre 5 milhões e 8 milhões de reais em 2026, primeiro ano completo da operação no país. A partir daí, a estratégia é expandir para outros mercados da América Latina.

Do comando da Ambev ao empreendedorismo

A decisão de criar uma empresa própria veio após quase três décadas dentro da Ambev. Paiva entrou na companhia em 1990, ainda quando a empresa era a Brahma, e acompanhou de perto o processo de expansão que transformou o grupo em uma das maiores empresas de bebidas do mundo.

Durante esse período, passou por diferentes áreas e posições executivas até chegar à presidência da companhia. A experiência acumulada ao longo desse período moldou a forma como ele decidiu estruturar o novo negócio.

Ao deixar a empresa em 2019, Paiva avaliou diferentes caminhos possíveis. Preferiu voltar ao início da cadeia de criação de um negócio. “Eu tinha outras opções. Poderia entrar em conselhos ou fazer outras coisas, mas tinha esse sonho de empreender do zero”, afirma. “Queria realmente sentir o frio na barriga de criar algo novo.”

A escolha por continuar no setor de bebidas veio naturalmente. Segundo ele, além de conhecer profundamente a indústria, o segmento ainda oferece espaço para inovação em categorias que crescem rapidamente.

Foi nesse contexto que surgiu a ideia da Machu Picchu Energy. O foco da empresa é desenvolver um energético com ingredientes naturais, inspirado em bebidas à base de erva-mate consumidas tradicionalmente no sul da América do Sul. A fórmula combina extrato de erva-mate, cafeína proveniente de café verde e maca peruana, ingrediente tradicional da alimentação andina. O produto também é vendido como zero açúcar e zero calorias.

A proposta surgiu a partir de uma percepção sobre o próprio mercado de energéticos. Apesar do crescimento global da categoria, muitos consumidores abandonam o consumo ao longo do tempo.

“As pessoas gostam de energéticos, tomam bastante, mas também reclamam dos efeitos”, afirma Paiva. “Muitos são feitos com cafeína sintética, taurina sintética e adoçantes sintéticos.”

Segundo ele, esse movimento cria uma lacuna no mercado. “As pessoas vão deixando de tomar energético depois dos 25 anos porque começam a ter mais noção do que consomem”, diz.

A aposta da Machu Picchu é justamente ocupar esse espaço com uma alternativa baseada em ingredientes naturais. “A gente está trazendo uma solução que é natural, zero açúcar e zero calorias, mas que entrega a energia que as pessoas procuram”, afirma.

A Califórnia como laboratório da marca

Antes de chegar ao Brasil, a empresa decidiu testar o conceito em um dos mercados mais competitivos do mundo: a Califórnia, nos Estados Unidos. O estado americano é visto por muitas empresas de consumo como um centro de tendências, especialmente em categorias ligadas a saúde, bem-estar e estilo de vida.

“A Califórnia gera muita tendência de lifestyle e consumo”, afirma Paiva. “Lançamos a marca lá para testar diferentes modelos e entender qual era o melhor produto.”

O processo envolveu ajustes na formulação e no posicionamento da bebida até chegar ao modelo atual. Segundo o executivo, a experiência no mercado americano serviu como um laboratório para validar o conceito da marca.

“A Califórnia foi um laboratório”, diz. “Lá a gente testou o produto no mercado mais competitivo do mundo.”

Mesmo com o lançamento no país, a empresa não pretende acelerar rapidamente a expansão nos Estados Unidos. A estratégia é crescer de forma gradual naquele mercado enquanto concentra esforços em outras regiões.

O plano para crescer no Brasil

Com o modelo testado, o próximo passo da empresa passou a ser a expansão internacional. O Brasil aparece no centro dessa estratégia. “A gente quer que o Brasil seja o mercado mais importante da Machu Picchu”, afirma Paiva.

A entrada no país começou por São Paulo e Rio de Janeiro, com distribuição em redes de supermercados de perfil premium e foco em consumidores considerados formadores de opinião. A estratégia é construir marca antes de ampliar a presença nacional. A empresa busca inicialmente consumidores que já têm afinidade com produtos ligados a bem-estar e estilo de vida ao ar livre.

“Começamos com uma distribuição mais seletiva porque queremos construir a marca primeiro”, afirma a diretora de marketing da empresa, Carolina Bassili.

A ideia é que, à medida que a marca ganhe escala, a distribuição avance para outros canais e regiões do país.

Produção no Brasil e expansão na América Latina

Apesar de ter sido criada nos Estados Unidos, a Machu Picchu decidiu produzir o produto vendido no Brasil localmente.

A fabricação é feita em parceria com a Poty, empresa localizada no interior de São Paulo e especializada em produção de bebidas para outras marcas.

Segundo a companhia, a erva-mate utilizada na bebida é comprada de fornecedores no Paraná. O mesmo ingrediente também abastece a produção da marca nos Estados Unidos.

“Nos Estados Unidos a gente produz para o mercado americano e no Brasil a produção é local”, afirma Bassili.

No médio prazo, o país pode se tornar um hub de produção para outros mercados da região.

A empresa avalia expandir para países da América Latina, especialmente aqueles com tradição no consumo de erva-mate, como Argentina e Uruguai. A estratégia é usar a base brasileira para apoiar essa expansão.

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