A ofensiva da Apple para colocar IA em todos os seus produtos
A Apple se prepara para espalhar inteligência artificial por toda a sua linha de produtos nos próximos dois anos, numa tentativa de recuperar o terreno perdido para Google, OpenAI e Anthropic na corrida da IA generativa.
Segundo o analista Mark Gurman, da Bloomberg, a empresa planeja para 2026 e 2027 a leva de lançamentos mais intensa de sua história, de uma Siri reconstruída a AirPods com câmera, óculos inteligentes e até um robô de mesa, todos amarrados pela mesma estratégia: tornar a assistente de IA o centro da experiência em cada aparelho.
O movimento coincide com a maior troca de comando da empresa em 15 anos. Em 1º de setembro, John Ternus assume como CEO no lugar de Tim Cook, que passa a presidente executivo do conselho.
A mudança, anunciada pela própria Apple em abril, coloca no topo um executivo vindo da engenharia de hardware, alguém de produto, não de operações ou finanças.
É uma sinalização clara de prioridade: depois de anos sendo vista como atrasada em IA, a Apple quer voltar a ser uma empresa definida pelos seus produtos.
A nova Siri como peça central
O ponto de partida da ofensiva é a Siri. Depois de tropeços sucessivos que viraram símbolo da dificuldade da Apple com IA generativa, a empresa lançou uma versão reformulada da assistente, agora capaz de indexar e entender os dados do próprio usuário para responder e agir com mais contexto.
A aposta da empresa é transformar essa assistente no fio que conecta todo o ecossistema. Em vez de tratar a IA como um recurso isolado de um ou outro aparelho, a Apple quer que ela esteja presente do iPhone ao HomePod, alimentada por mais dados e por novos sensores de hardware.
A Apple desenvolve AirPods com câmera integrada, cuja função é justamente capturar imagens do ambiente para abastecer a Siri com informação visual, um caminho para a IA "enxergar" o mundo ao redor do usuário. A previsão é que cheguem em 2027.
No mesmo movimento estão os primeiros óculos inteligentes da empresa, os Apple Spectacles, que disputariam o mercado de realidade aumentada hoje cutucado por Meta e pela Snap, esta última acaba de lançar os Specs por US$ 2.195. Inicialmente esperados para o fim de 2026, os óculos da Apple foram adiados e agora devem sair só no fim de 2027, segundo apurou Gurman.
Mais à frente, entre o fim de 2027 e 2028, a empresa prepara ainda um robô de mesa com braço mecânico, derivado do seu projeto de central para casa inteligente.
IA também nos aparelhos de entrada
A estratégia de "IA em tudo" não se limita aos produtos de ponta. A Bloomberg afirma que a Apple Intelligence, o pacote de recursos de IA da empresa, deve chegar a aparelhos mais baratos e ao restante do portfólio — entre eles um novo iPad de entrada com processador atualizado, além da Apple TV e do HomePod mini, ambos em fase avançada de testes com a nova Siri.
A ideia é levar a inteligência artificial ao maior número possível de dispositivos, e não apenas aos modelos premium.
O iPhone como espinha dorsal
No centro de tudo segue o iPhone, que comemora 20 anos em 2027. Segundo Gurman, a Apple deve lançar em setembro de 2026 o iPhone 18 Pro e o Pro Max, ao lado do seu primeiro dobrável, que o jornalista vem chamando de iPhone Ultra.
Para 2027, a expectativa é de uma segunda geração do iPhone Air na primeira metade do ano e, no segundo semestre, os modelos comemorativos, provavelmente iPhone 20 Pro e Pro Max, acompanhados de um dobrável de segunda geração, dos AirPods com câmera e dos tais óculos.
É um ritmo de lançamentos que, se confirmado, seria inédito para a empresa e daria a Ternus o ambiente ideal para imprimir sua marca. O novo CEO assumiu no último ano a supervisão da área de design — movimento que, em retrospecto, sinalizou sua ascensão — e tem como missão reconstruir um estúdio que perdeu influência e talentos na última década, desde a saída do lendário Jony Ive. Em conversa interna com funcionários, Ternus reforçou que o design seguirá essencial para a Apple.
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