‘A régua vai subir’: 60% das empresas não estão prontas para equipes com humanos e agentes de IA

Por Layane Serrano 18 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
‘A régua vai subir’: 60% das empresas não estão prontas para equipes com humanos e agentes de IA

A inteligência artificial já deixou de ser uma tendência distante e passou a ocupar espaço nas estratégias das empresas brasileiras. O próximo passo, porém, vai além do uso pontual de chatbots e ferramentas generativas. O desafio agora é incorporar agentes digitais (sistemas capazes de executar tarefas, analisar informações e trabalhar em conjunto com pessoas) ao dia a dia das organizações.

Mas a maioria das empresas ainda está longe disso. É o que mostra uma pesquisa da Skyone em parceria com a MIT Technology Review Brasil, que ouviu 265 líderes e profissionais envolvidos em áreas de tecnologia, inovação, negócios e gestão de pessoas.

Segundo o levantamento, 99% das empresas acreditam que agentes de IA terão papel central nos negócios nos próximos três anos. Apesar disso, 57% ainda não possuem orçamento dedicado à área e 74% estão em estágio inicial ou intermediário de adoção da tecnologia.

Mais do que uma questão tecnológica, o estudo aponta que a discussão sobre inteligência artificial se tornou um tema de gestão, liderança e organização do trabalho. O desafio agora é construir equipes híbridas, nas quais profissionais atuam ao lado de assistentes generativos, copilotos e agentes autônomos.

"Quando uma companhia diz que a tecnologia será estratégica, mas não separa orçamento, não define responsáveis e não conecta isso aos processos, ela fica no campo da intenção", afirma Felipe Wasserman, diretor de Marketing e Growth da Skyone. "Faz um piloto aqui, testa uma ferramenta ali, mas não cria estrutura para escalar."

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O problema não é a ferramenta

A pesquisa mostra que a principal barreira para escalar a IA não está no acesso às plataformas, mas na capacidade das empresas de integrar dados, processos e áreas de negócio: 40% dos entrevistados apontam a falta de integração entre departamentos como o principal entrave, enquanto 46% afirmam operar em estruturas fragmentadas entre negócio e TI.

Além disso, 59% das empresas afirmam não possuir infraestrutura adequada para sustentar iniciativas robustas de inteligência artificial em larga escala.

"O problema é que a tecnologia não resolve sozinha uma empresa desorganizada", diz Wasserman. "Se os dados estão espalhados, os sistemas não conversam e a liderança não sabe exatamente o que quer com IA, o projeto não escala."

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O líder do futuro terá que entender de IA

Se antes a transformação digital era delegada às áreas de tecnologia, agora ela passa a ser uma responsabilidade da liderança.

Para Wasserman, os executivos não precisam se tornar especialistas técnicos, mas terão de compreender como a IA impacta produtividade, experiência do cliente, processos e competitividade.

"O CEO precisa saber responder algumas perguntas básicas: onde a IA gera valor? Quais dados a empresa tem para sustentar isso? Como medir os resultados? A vantagem competitiva não estará apenas em ter acesso à tecnologia, mas em integrá-la ao funcionamento da empresa."

Nesse cenário, competências como pensamento crítico, gestão da mudança, aprendizado contínuo e capacidade de fazer boas perguntas se tornam ainda mais importantes.

Felipe Wasserman, diretor de Marketing e Growth da Skyone: "Assim como hoje é difícil imaginar alguém trabalhando sem internet ou e-mail, a IA deve se tornar uma camada cotidiana do trabalho" (MIT Technology Review Brasil /Getty Images)

O profissional terá um "copiloto"

O estudo aponta que 59% das empresas não se consideram preparadas para operar equipes formadas por pessoas e sistemas inteligentes nos próximos 12 meses.

Para o executivo da Skyone, a tendência é que, em poucos anos, praticamente todos os profissionais trabalhem com algum tipo de assistente de IA.

"Assim como hoje é difícil imaginar alguém trabalhando sem internet ou e-mail, a IA deve se tornar uma camada cotidiana do trabalho", afirma.

Na prática, esses sistemas poderão ajudar em pesquisas, análise de dados, produção de relatórios e automatização de tarefas repetitivas. O papel humano, porém, continuará sendo fundamental.

"A IA acelera a execução, mas o julgamento continua sendo humano."

O que aprender para continuar relevante?

Para os próximos anos, a recomendação não é dominar uma ferramenta específica, mas aprender a trabalhar em parceria com a tecnologia.

Segundo Wasserman, os profissionais mais valorizados serão aqueles capazes de combinar conhecimento de negócio com bom uso da IA.

"Curiosidade, pensamento analítico, comunicação, criatividade e capacidade de aprender rápido ganham ainda mais importância. O profissional mais relevante não será o que compete com a IA, mas o que sabe usar a IA para trabalhar melhor."

A régua vai subir

Embora algumas atividades repetitivas tendam a ser automatizadas, o executivo acredita que a principal mudança será no nível de exigência sobre os profissionais.

"A pergunta não é apenas se a IA substitui ou não substitui. Ela muda o tipo de contribuição esperada das pessoas. A régua sobe."

Nesse contexto, decisões envolvendo ética, cultura, gestão de pessoas e estratégia continuarão sendo responsabilidade humana.

"A tecnologia pode melhorar a análise, mas o julgamento final precisa continuar humano."

Para as empresas que desejam sair da fase dos testes, a lição é clara.

"No fim, a maturidade não está em fazer mais pilotos", diz Wasserman. "Está em conseguir conectar a IA ao trabalho de verdade."

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