A série da Netflix que mostra que você pode não conhecer seus próprios amigos
O gênero de true crime se tornou um grande sucesso em Hollywood e no Brasil, sobretudo no ano passado com títulos como "Tremembé" e "Os Donos do Jogo". Fora desse eixo, inusitadamente, um dos principais títulos da Netflix dessa semana veio da Dinamarca.
O país nórdico, conhecido pelas baixas taxas de criminalidade, lançou na última semana a série documental true crime "Um Amigo, um Assassino". Desde então, ela se tornou um dos títulos mais assistidos da plataforma no mundo e entrou no top 10 de 78 países desde seu lançamento, segundo o Flix Patrol.
Top 10 em 78 países
O desempenho da produção surpreende por se tratar de uma série em dinamarquês sobre um crime ocorrido em uma cidade pequena do país. No Brasil, chegou à quinta posição logo no segundo dia após a estreia. Nos Estados Unidos, alcançou a terceira posição no mesmo período.
A série de três episódios está entre as dez mais assistidas em mercados como Reino Unido, Alemanha, França, Itália, Espanha, Canadá e Austrália, entre outros — uma abrangência incomum para produções escandinavas.
Sobre o que é 'Um Amigo, um Assassino'?
A série acompanha a história de Philip Patrick Westh, um predador sexual que aterrorizou uma cidade pequena na Dinamarca.
O que torna o caso ainda mais perturbador é o ponto de vista escolhido pela produção. Três pessoas contam a história, Amanda, Nichlas e Kiri, que eram amigas próximas de Philip exatamente no período em que ele cometia os crimes, sem fazer a menor ideia do que acontecia.
O caso começa em julho de 2016, quando Emilie Meng, de 17 anos, desapareceu em Korsør, na Dinamarca. Seu corpo foi encontrado seis meses depois.
A investigação esfriou rapidamente, até que, em 2023, Philip foi preso por sequestrar uma menina de 13 anos. O DNA coletado durante essa investigação o ligou ao assassinato de Emilie e ao sequestro e tentativa de estupro de outra adolescente, de 15 anos, em 2022.
No computador de Philip, a polícia encontrou uma lista de planejamento de sequestros com nomes de meninas, idades, endereços e horários de ônibus. Durante o julgamento, a acusação afirmou que ele atropelou intencionalmente a menina de 13 anos enquanto ela andava de bicicleta e a levou para sua casa em Korsør, onde a manteve em cárcere.
Em junho de 2024, Philip foi condenado por assassinato, sequestro e estupro, e sentenciado à prisão perpétua. Tinha 33 anos na época do veredicto.
Para Nichlas, que foi amigo íntimo de Philip por 15 anos, a descoberta foi devastadora. "Passei mais tempo com Philip do que com qualquer outra pessoa na minha vida adulta", disse ele no terceiro episódio da série. Amanda, outra das protagonistas, resumiu o impacto do caso: "Vim a perceber que mesmo as pessoas em quem mais confiamos podem esconder um lado sombrio."
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