A startup que nasceu em SC e já economizou R$ 5 bilhões com IA
As coisas andam agitadas na startup Indicium desde que ela passou por uma fusão com a inglesa Mesh-AI, em novembro.
Nos últimos três meses, os times vêm trabalhando na integração das operações, no lançamento de uma nova marca global e na consolidação dos números de impacto gerados em projetos anteriores.
O resultado dessa reorganização é a Indicium AI, marca que unifica as operações nas Américas e na Europa e posiciona a empresa como uma consultoria global dedicada exclusivamente a dados e inteligência artificial.
E os números que vieram à tona chamam atenção. De acordo com a companhia, os projetos de IA já geraram mais de 5 bilhões de reais em redução de custos e 1 bilhão de reais em novas receitas para clientes como Bayer, Burger King, PepsiCo, Roche, Experian, National Grid e EDF Energy.
“Nos últimos anos, a IA virou prioridade estratégica para todas as grandes corporações do mundo, mas ainda existe um abismo entre pilotos promissores e impacto real", afirma Matheus Dellagnelo, cofundador da empresa e CEO das Américas.
Na prática, a Indicium AI atua na modernização de plataformas de dados, estruturação de governança, construção de modelos e implantação de soluções de IA em áreas críticas como crédito, precificação, atendimento e operações.
A proposta é levar projetos do estágio de teste para produção, com operação contínua e métricas de desempenho.
Para 2026, a projeção é crescer 67%. No último ano, Indicium e Mesh-AI registraram crescimento combinado de 53%. A empresa reúne mais de 600 especialistas e mantém 27 vagas abertas.
Como a Indicium saiu de Santa Catarina e se tornou uma consultoria global de dados e IA
A Indicium foi fundada em 2017, em Santa Catarina, com foco em engenharia de dados. A inspiração veio de uma capa da revista The Economist que afirmava que dados eram o novo petróleo.
O fundador Matheus Dellagnelo tinha deixado a carreira de velejador profissional, com ouro no Pan de Guadalajara, para empreender. A lógica do esporte migrou para o negócio. “A gente analisava todas as variáveis possíveis para decidir o que fazer”, diz.
Ao contrário de startups que nasceram com produto próprio, a Indicium apostou no modelo de consultoria especializada. Oferecia diagnóstico, estruturação de arquitetura de dados, implementação e treinamento. Em 2023, faturou 32 milhões de reais.
A virada começou com a expansão internacional. Em 2024, a empresa recebeu uma rodada Série A de até 40 milhões de dólares da Columbia Capital — fundo que também investia na britânica Mesh-AI. No mesmo ano, transferiu sua sede para Nova York.
A aproximação entre as duas empresas evoluiu até a fusão formalizada em novembro. A partir daí, passaram a operar sob estrutura integrada, com presença em Nova York, Londres, Lisboa, São Paulo e Florianópolis.
“Nascemos no Brasil, mudamos nossa sede para Nova York em 2024 e conquistamos clientes de todo o mundo, mas nosso país segue com um papel estruturante dentro da Indicium AI como um dos principais pólos de talento, engenharia e liderança da empresa”, afirma Dellagnelo.
Como os projetos de IA da Indicium somaram 6 bilhões de reais em impacto financeiro
Segundo a empresa, o impacto acumulado chega a 6 bilhões de reais ao somar redução de custos e aumento de receita.
Os projetos envolvem modernização de sistemas de dados, construção de modelos preditivos e uso de IA generativa, inteligência artificial capaz de criar textos, códigos e análises a partir de grandes volumes de dados, aplicada a processos internos de grandes companhias.
Em alguns casos, a empresa afirma ter colocado iniciativas em produção em meses, com reduções de custo acima de 60%, aceleração de entregas em até quatro vezes e retorno médio sobre investimento de 300%.
O foco está em ambientes regulados e operações críticas, onde governança, auditoria e controle de risco são exigências permanentes.
“Quando a IA entra em produção, ela precisa resistir ao mundo real: auditoria, performance, mudanças de processo, qualidade de dados e gestão de risco. É nessa fase que a tecnologia deixa de ser promessa e vira ativo de negócio”, afirma Dellagnelo.
O plano: crescer 67% em 2026 e apostar tudo na transformação por IA
Com a nova marca, a empresa passa a se apresentar como uma consultoria global 100% dedicada a dados e IA. Kelly Manthey assume como CEO Global da Indicium AI. Jacob Parsons lidera a operação europeia.
“Grandes empresas em todo o globo estão investindo pesadamente em IA, mas muitas ainda têm dificuldade em transformar essa ambição em valor recorrente – especialmente quando entram em jogo requisitos de segurança, governança, integração de dados e confiabilidade operacional”, afirma Kelly.
A empresa mantém parcerias com Databricks, AWS, Microsoft, OpenAI e Anthropic e concentra sua atuação em setores como serviços financeiros, energia, saúde, indústria e varejo.
O grande desafio, claro, é conseguir se posicionar num mercado em que grandes consultorias disputam contratos de transformação digital. Na Indicium AI, a aposta é foco total em dados e inteligência artificial. Aliás, o novo petróleo.
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