A startup que quer tirar vendedores da intuição e colocar dados no lugar

Por Júlia Arbex 25 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A startup que quer tirar vendedores da intuição e colocar dados no lugar

Da padaria de bairro a grandes indústrias, toda empresa quer vender, mas poucas sabem exatamente onde estão as melhores oportunidades. Felizmente, hoje, uma empresa cruza dados de mercado, identifica clientes em potencial e orienta vendedores sobre como abordar cada conta.

Fundada em 2020 em São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, a Driva faz tudo isso para 500 clientes pagantes e mais de 22 mil empresas que utilizam alguma de suas funcionalidades na versão gratuita. "A ideia é que os negócios experimentem a ferramenta, cresçam com ela e eventualmente migrem para os planos pagos", diz o CEO e fundador, Patrick Francisco.

A Driva está entre as empresas que mais crescem no Brasil. Em 2025, passou a integrar o ranking EXAME Negócios em Expansão após registrar receita operacional líquida de R$ 5,5 milhões em 2024, um avanço de 74% em relação aos 12 meses anteriores. No ano passado, o faturamento foi de R$ 12 milhões e a meta para 2026 é crescer 70%.

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O problema que a empresa se propõe a resolver é antigo, mas ainda comum nas empresas brasileiras: times comerciais que avançam mais na base da intuição do que de dados, com pouca visibilidade do mercado e dificuldade de priorizar onde estão, de fato, as melhores oportunidades.

"Todo mundo quer vender e crescer. E o que fazemos é ajudar as áreas de marketing e vendas a estruturar o crescimento usando dados", resume Livia Alves, CRO da companhia.

A atuação da Driva se concentra no B2B, e está organizada em três grandes frentes complementares. A primeira é a de inteligência de mercado, que cruza dados públicos e proprietários para mapear, com precisão, o tamanho e o perfil de um setor. Aqui, é possível encontrar empresas com o maior potencial de conversão e  criar estratégias de expansão mais assertivas.

A segunda camada é a geração de leads qualificados. A partir do perfil de cliente ideal de cada empresa, a plataforma cria listas de prospecção segmentadas, com base em critérios como localização, setor, porte e perfil dos decisores.

Os dados são organizados de forma a apoiar diretamente o time comercial, reunindo informações relevantes sobre as companhias e facilitando o engajamento e a abordagem dos potenciais clientes.

O terceiro ponto é o mais recente e está ligado ao uso de inteligência artificial no dia a dia comercial. A Driva desenvolveu um agente que funciona diretamente pelo WhatsApp, plataforma bastante utilizada pelo time de vendas.

A partir do CNPJ de uma empresa, a ferramenta reúne informações como site, LinkedIn e notícias recentes, gera um resumo com os principais dados do negócio, apoiando o vendedor na preparação dos contatos.

Os segmentos com maior concentração de clientes são tecnologia, serviços, incluindo escritórios de advocacia, contabilidade e consultorias, e indústrias. O porte preferencial são empresas a partir de 100 funcionários, embora a carteira inclua clientes de todos os tamanhos.

A Driva tem 75 funcionários distribuídos entre as áreas de tecnologia, produto, marketing, vendas, atendimento e administrativo.

Quem lidera a Driva

Patrick Francisco tem 37 anos, é engenheiro eletrônico, morou na Alemanha, onde trabalhou com sistemas de condutores, e também atuou em uma empresa de rastreamento veicular. Inquieto, sempre quis empreender.

Em meados de 2015, criou duas startups, uma de ensino online de música e outra de gestão de canais no YouTube. Nesse período, foi convidado para se tornar sócio de uma consultoria comercial e deixou os outros dois negócios. "Eu não sou de vendas naturalmente", admite. "Entrei na consultoria para aprender."

Foi nesse ambiente que percebeu o potencial do uso de dados aplicado às vendas. A ideia de criar uma empresa com esse foco foi amadurecendo até dar origem à Driva, pouco antes da pandemia. Ao notar que dados e análises eliminavam barreiras nas negociações, substituindo opiniões por fatos, Patrick começou a estruturar o que viria a ser o diferencial da empresa.

Atualmente, a Driva conta com outros quatro sócios. Entre eles está Lívia Alves, que lidera um time de 25 pessoas e foi inicialmente cliente da empresa antes de se tornar sócia. Natural de Recife, mora em Curitiba há cinco anos e acumula mais de 17 anos de experiência em crescimento e aquisição de clientes.

Também fazem parte do quadro societário Mateus Camargo, diretor de produtos; Wagner Rodrigues, diretor de tecnologia; e Gabriel Galvão, responsável pelas áreas financeira, administrativa e de atendimento ao cliente.

O capital inicial da Driva foi de aproximadamente R$ 100 mil e, até hoje, a empresa não conta com investidores externos. "Meu sonho no primeiro ano era não falir, como todo empresário", lembra Patrick. "Deu tudo certo, crescemos e, a cada ano, fomos elevando a régua."

O que vem por aí

A área de inovação quadruplicou de tamanho no último ano, refletindo a aposta da empresa em inteligência artificial como acelerador de desenvolvimento. A intenção é testar mais rápido, aprender com o que funciona e levar novos produtos ao mercado com mais agilidade.

Em relação à expansão internacional, a empresa já teve duas tentativas frustradas. Primeiro, com um modelo tradicional de vendas por telefone em espanhol, depois por meio de canais e parceiros. Nenhuma funcionou como esperado.

Ainda assim, o mercado externo não está descartado: a Driva já tem clientes no México, na Argentina e nos Estados Unidos, além de projetos pontuais em outros países. Por ora, o foco segue no mercado doméstico. "A gente entendeu que há muito espaço por aqui", conclui o CEO.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

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Em 2025, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2024.

São 470 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura total do evento de lançamento da edição 2025.

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