A volta dos bigodes: tendência de moda ou nostalgia dos anos 1970?

Por Luiza Vilela 25 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
A volta dos bigodes: tendência de moda ou nostalgia dos anos 1970?

Se as barbas "hipsters" dominaram a última década como um símbolo de virilidade rústica, o tapete vermelho do Oscar 2026 mostrou que agora é a hora de voltar com o bigode.

De Leonardo DiCaprio a Michael B. Jordan, passando pelo visual quase imperceptível de Timothée Chalamet, o bigode solitário (sem a companhia da barba) emergiu como o acessório definitivo da temporada. Quase como um manifesto de estilo que transita entre a nostalgia dos anos 1970, a ironia digital e uma nova exploração da identidade masculina pela moda.

Historicamente, o bigode sempre foi um marcador de autoridade e "aspereza". Do rigor militar britânico de 1912 — que proibia soldados de rasparem o lábio superior — à estética dos policiais, bombeiros e trabalhadores da construção civil dos anos 1970, o pelo facial era um emblema de dureza. Mas na transição dos anos 1980 até o início dos anos 1990, muito por causa dos filmes adultos, virou mais um sinal de "canastrismo" do que de masculinidade viril.

Após um exílio que durou dos anos 1990 até meados de 2010, ele ensaiou um retorno tímido e irônico com os movimentos de "Movember", até que a pandemia de covid-19 acelerou o processo: isolados, muitos homens aproveitaram para experimentar versões de si mesmos que o ambiente corporativo tradicional ainda costumava vetar.

E começou meio como uma brincadeira antes de, de fato, voltar a ser um estilo.

Ryan Coogler, winner of the Best Original Script Award and Michael B. Jordan, winner of the Best Actor in a Leading Role Award for “Sinners” ((Photo by Frazer Harrison/Getty Images)

Identidade, ironia e a 'maquiagem masculina'

Para as novas gerações, o bigode volta como uma dupla identidade de estilo: é másculo, mas não se leva tão a sério. Joey Goldman, um DJ conhecido no Instagram como @joeywiththemustache, aponta que o pelo no lábio superior "não serve para nada, é apenas diversão".

Mas a comunidade LGBTQIA+, especialmente de homens gays, já o vê como sinônimo de personalidade. O bigode é uma conexão com a linhagem de libertação sexual de destinos como Fire Island, ajuda na identificação de possíveis parceiros e evoca uma identidade própria da comunidade como um todo.

No caso do estilo heterossexual, ele serve quase como uma maquiagem masculina. E foi amplificado pelo cinema recente, muito além e antes do Oscar de 2026. O "bigode de Maverick" em Top Gun, ostentado por Miles Teller, gerou uma febre no TikTok e redefiniu o que é ser cool em 2024. Dali para frente, milhares de vídeos de homens com uma rotina de cuidados para o bigode apareceram na rede chinesa. O estilo começou a aparecer no rosto dos famosos.

French-US actor Timothee Chalamet attends the 98th Annual Academy Awards at the Dolby Theatre in Hollywood, California on March 15, 2026. (Photo by ANGELA WEISS / AFP via Getty Images) (ANGELA WEISS / AFP via Getty Images)

E estilo à parte, o pelo acima do lábio também pode transformar o rosto de forma mais técnica, como uma ferramenta de contorno facial. Um bigode bem aparado pode encurtar um rosto muito longo ou dar peso a um lábio superior fino. Bons exemplos são Ryan Coogler e Leonardo DiCaprio.

Como moda, o retorno do bigode poded ser justificado pela busca por essa masculinidade viril e funcional, mas um pouco "canastra". É o visual masculino moderno que quer parecer que pode consertar um carro, ao mesmo tempo em que escreve poesia em um bar mal iluminado e escolhe um boom look com tudo combinando, sem desleixo. O retorno do rústico, mas com uma consciência de moda apurada.

Apesar da onipresença no Dolby Theatre, o bigode continua sendo um divisor de águas. É o "ame ou odeie" da estética masculina. Enquanto mulheres como a escritora Kate Lindsay questionam se todos os homens não ficariam melhores com um, outras, como Hailey Bieber, já declararam guerra pública ao visual de seus parceiros. E é esse potencial de gerar o chamado "ick" (uma repulsa repentina) que, curiosamente, o mantém atraente: ele não é para todos.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: