Abelardo de la Espriella: quem é o 'tigre' que Flávio Bolsonaro apoia na Colômbia
Um candidato milionário, que nunca foi da política, fala o que pensa, promete resgatar o orgulho pela pátria e tem uma legião de admiradores. O modelo, lançado por Donald Trump em 2016, está sendo testado agora na Colômbia, pelo advogado Abelardo de la Espriella. Ele recebeu apoio do senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência no Brasil.
Espriella e Flávio conversaram por vídeo na terça-feira, 26. "Fantástica e produtiva conversa com o próximo presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro, e seu irmão Eduardo. Falta muito pouco para que estabeleçamos uma frente comum contra a esquerda radical", publicou o colombiano no X. Flávio repostou a mensagem.
O candidato, de 47 anos, fez fortuna como advogado, defendendo autores de crimes polêmicos, como o de David Guzmán, que criou um esquema de pirâmide que atingiu 200 mil correntistas. Também defendeu traficantes, jogadores de futebol e Alex Saab, acusado de lavar dinheiro para o regime de Nicolás Maduro na Venezuela.
O advogado também fez carreira como empresário, e atua em negócios variados, como uma grife de roupas, vinho, rum, café e restaurantes.
Em seu site, Espriella se define como "um homem renascentista do século 21" e se compara a Leonardo da Vinci, por ter múltiplos interesses. Ele também escreveu livros, canta ópera e atuou em filmes e séries.
Agora, ele busca o cargo de presidente. Antes residente em Miami, entrou para a política, segundo ele, para impedir que a Colômbia seja "destruída" pela esquerda.
Na campanha, ele alterna entre ternos de corte impecável e roupas mais casuais, como um boné, que lembra o estilo de Nayib Bukele, de El Salvador, um presidente que admira.
Outra referência veio de Javier Milei. Ele diz ser "o tigre", enquanto o presidente argentino se compara a um leão.
Bandeira de Israel e garra de tigre em comício de Espriella em Barranquilla (Vanessa Romero/AFP)
As propostas
Espriella criou o movimento Defensores de la Patria, em 2025, e conseguiu reunir assinaturas para se registrar e disputar a Presidência, com foco no combate à violência.
Para combater as máfias no país que mais produz cocaína no mundo, propõe uma aliança militar com os Estados Unidos e Israel, a construção de megapresídios e defende o porte de armas.
"Em meu governo, bandido que não se submeter à Justiça será abatido", disse à AFP em fevereiro.
Também quer reduzir o tamanho do Estado, fazer reformas trabalhistas para flexibilizar as jornadas e cortar impostos das empresas.
O candidato afirmou que era preciso "estripar" a esquerda na Colômbia, embora depois tenha suavizado a declaração. Também fez comentários considerados homofóbicos e machistas, embora defenda maior igualdade e segurança para as mulheres.
Como estão as pesquisas na Colômbia?
Todas as principais pesquisas mostram Cepeda na frente no primeiro turno e uma disputa pelo segundo lugar entre Espriella e Valencia.
Segundo a AtlasIntel, Cepeda tem 39% dos votos, Espriella 37% e Valencia, 14%.
Para a Invamer, Cepeda tem 45%, Espriella 32% e Valência, 14%.
Em todos os estudos, haverá segundo turno, a ser disputado em 21 de junho. As pesquisas mostram um cenário apertado nesta etapa. Cepeda vencería, segundo o instituto Invamer, por 52% a 45%. Já Espriella vence na AtlasIntel, com 50% a 41%.
"As limitações de Cepeda estão se tornando mais visíveis a cada dia, e parece cada vez mais improvável que o impulso que Espriella criou vá se dissipar em 3 semanas", diz análise da consultoria Aurora Macro Strategies.
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