Abono salarial deve encolher até 2030 e milhões perderão benefício; entenda
O abono salarial, benefício pago anualmente a trabalhadores formais de baixa renda, passará por mudanças graduais que devem reduzir o número de beneficiários até o fim da década. Pelas projeções do governo, cerca de 4,5 milhões de pessoas deixarão de receber o pagamento até 2030.
A alteração foi incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) enviado ao Congresso Nacional e faz parte de um esforço para conter gastos e redirecionar o benefício a trabalhadores de menor renda.
O que é o abono salarial
O abono salarial é um benefício anual pago a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e servidores públicos (Pasep), podendo chegar a até um salário mínimo, proporcional ao tempo trabalhado no ano-base.
Ele funciona como um complemento de renda para trabalhadores formais de menor remuneração, desde que cumpram requisitos como tempo mínimo de cadastro e atividade remunerada.
O que muda no abono salarial
Atualmente, têm direito ao abono trabalhadores que receberam, em média, até dois salários mínimos no ano-base, além de cumprir outros critérios, como tempo mínimo de trabalho formal.
Com as novas regras, o limite de renda deixa de acompanhar o salário mínimo e passa a ser corrigido apenas pela inflação.
Na prática, isso significa que, ao longo do tempo, menos trabalhadores se enquadrarão no critério, já que o salário mínimo tende a ter ganhos reais acima da inflação.
Redução será gradual até 2030
A restrição ocorrerá de forma progressiva. Veja como o limite de renda e o impacto devem evoluir:
Ao final do período de transição, o acesso tende a se concentrar em trabalhadores com renda próxima de até um salário mínimo e meio, tornando o benefício mais focalizado.
Por que o governo mudou as regras
Segundo o Ministério do Trabalho, a mudança busca garantir sustentabilidade fiscal e direcionar melhor os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
Apesar da redução no número de beneficiários em relação às regras antigas, o gasto total ainda deve crescer. A projeção é que as despesas com o abono passem de R$ 34,36 bilhões em 2026 para R$ 39,27 bilhões em 2030, impulsionadas pelo aumento do emprego formal.
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