Ação da Tesla sobe 4% após balanço melhor que o esperado no 1º tri
As ações da Tesla reagem positivamente ao balanço do primeiro trimestre de 2026 da companhia, divulgado na noite desta quarta-feira, 22. Os números saíram após o fechamento das bolsas nos Estados Unidos e vieram acima das projeções do mercado. Foi o segundo trimestre consecutivo em que o balanço superaram as expectativas.
No after hours, os negócios que ocorrem após o encerramento da sessão regular, as ações da Tesla, negociadas na Nasdaq, subiam 4%, para US$ 387,51.
Do lado dos investidores, os principais pontos positivos do balanço foram a recuperação da margem automotiva, que voltou a 21% após trimestres de pressão. A geração de caixa livre de US$ 1,4 bilhão ficou bem acima da expectativa do mercado, que projetava um consumo de caixa de quase US$ 1,9 bilhão.
O negócio automotivo, no entanto, ainda gera cautela. As entregas cresceram apenas 6% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, e o estoque global de veículos subiu para 27 dias, ante 15 dias no trimestre anterior. O mercado acompanha de perto se a aposta da empresa em inteligência artificial, robótica e carros autônomos vai gerar receita relevante antes que o negócio de elétricos enfrente uma concorrência ainda mais intensa.
O balanço da Tesla no detalhe
A Tesla reportou lucro líquido contábil de US$ 1,45 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na ajustada, que exclui efeitos não-recorrentes, o lucro foi de US$477 milhões, com alta de 17%. A diferença é explicada principalmente pelo pacote de remuneração em ações da empresa de Elon Musk, que somou $1,03 bilhão no período, e o aumento de despesas com inteligência artificial e robótica.
O lucro contábil por ação foi de $0,41, com alta de 52% ano a ano, ficando acima das projeções do mercado.
O lucro operacional, resultado gerado pela operação antes de juros, impostos e efeitos financeiros, e portanto o indicador mais direto da eficiência do negócio, somou $941 milhões, crescimento de 136% ante os $399 milhões do primeiro trimestre de 2025.
A receita total atingiu $22,4 bilhões (+16%). O segmento automotivo gerou $16,2 bilhões (+16%), com margem bruta de 21,1% — o maior nível em ao menos cinco trimestres. A administração atribuiu o avanço ao menor custo de materiais por veículo e ao crescimento das vendas e assinaturas de FSD (Full Self-Driving — sistema de direção autônoma supervisionada da Tesla), que encerraram o trimestre em 1,28 milhão de assinantes ativos, alta de 51% ano a ano.
Serviços e outros, segmento que inclui receitas de Superchargers (rede própria de recarga rápida), seguros e FSD, somaram $3,7 bilhões (+42%). Energia, que compreende os sistemas de armazenamento Megapack e Powerwall, recuou 12% para $2,4 bilhões, com volume implantado de 8,8 GWh ante 14,2 GWh no Q4 2025. A administração atribui a queda ao timing de implantação de projetos, sem sinalizar deterioração de demanda.
A margem bruta automotiva avançou de 16,2% no Q1 2025 para 21,1% no Q1 2026. Excluindo créditos regulatórios — receitas que a Tesla obtém ao vender certificados de emissão para outras montadoras —, a margem passou de 12,5% para 19,2%, avanço de quase 7 pontos percentuais. A administração atribuiu o desempenho a menor custo de materiais e ao crescimento das vendas e assinaturas de FSD.
O fluxo de caixa operacional foi de $3,9 bilhões (+83%) e o FCL (Free Cash Flow — caixa gerado após os investimentos, considerado o indicador mais limpo de geração de valor ao acionista) foi de $1,4 bilhão (+117%), mesmo com capex (investimentos em ativos fixos como fábricas e equipamentos) de $2,5 bilhões (+67%).
No trimestre, a Tesla investiu, principalmente, em infraestrutura de inteligência artificial, fábricas do Cybercab (o robotáxi da Tesla), Tesla Semi (caminhão elétrico) e Optimus (robô humanoide).
O caixa total encerrou o trimestre em $44,7 bilhões (+21%). A dívida com recurso direto à Tesla é praticamente inexistente, em apenas $2 milhões, com $9 bilhões adicionais em dívida não-recurso — modalidade vinculada a projetos específicos de energia e leasing, sem garantia da companhia como um todo.
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