Ação do Bradesco desaba após balanço: entenda o motivo
As ações do Bradesco (BBDC4) operam em forte baixa nesta sexta-feira, 6, no day after do balanço da companhia no quarto trimestre de 2025. A baixa já havia sido antecipada pelos ADRs (American Depositary Receipts), ativos do banco negociados em bolsa americana, que tombaram mais de 5% após a divulgação dos resultados.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), os papéis BBDC4 caíam 4,9%, a R$ 20,12, pressionando também o Ibovespa, que operava em terreno negativo.
O lucro líquido recorrente do banco atingiu R$ 6,5 bilhões no quarto trimestre de 2025. A cifra veio levemente acima do consenso, que projetava a linha final do balanço em R$ 6,4 bilhões. O resultado é 20,6% maior que o registrado um ano antes.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROAE) do banco veio em 15,2%, com crescimento de 0,5 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre e de 2,5 pontos percentuais ano a ano.
Mas não foram as principais linhas do balanço que abalaram a percepção do investidor sobre o banco. Para o UBS, o problema foi o guidance, as projeções para os resultados de 2026.
Para a carteira de crédito, que atingiu R$ 1,09 trilhão em 2025, a previsão é de crescimento entre 8,5% e 10,5%. A margem financeira líquida está prevista entre R$ 42 bilhões e R$ 48 bilhões. Para as receitas com prestação de serviços, a previsão é de crescimento entre 3% e 5%. As despesas operacionais, por sua vez, devem avançar entre 6% e 8%. Em operações de seguros, o primeiro guidance do ano mira crescimento entre 6% e 8%.
Em resumo: o Bradesco espera que os gastos avancem em menor velocidade, mas também projeta desaceleração de ganhos, tanto em crescimento de carteira como de receitas.
Para o UBS o guidance do Bradesco é conservador em demasia e ficou abaixo das expectativas.
O banco afirma que a qualidade do crédito foi uma surpresa positiva, sem deterioração do índice de inadimplência para empréstimos acima de 90 dias (que ficou estável entre um trimestre e outro).
Os analistas do Itaú BBA partilham dessa mesma visão. E notam que desde que o banco iniciou seu processo de transformação, tem ficado próximo do teto de seus guidances. "Dada a trajetória sólida de receita e disciplina de crédito, mantemos confiança nas projeções a medida que o ano a avança", escreveram os analistas da casa.
O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) também fez uma boa avaliação do portfólio do banco e do controle de custos da companhia. Porém viu o crescimento das provisões e resultados da parte de seguros como pontos fracos.
As provisões para perdas esperadas (PDD) cresceram 20,5% em relação ao ano anterior, para R$ 10,06 bilhões. A alta foi de 7,4% em relação ao terceiro trimestre.
O lucro líquido da área de seguros caiu 1% em relação ao terceiro trimestre, para R$ 5,6 bilhões. Na comparação anual, houve crescimento de 2,1%.
"O ambiente operacional para bancos brasileiros em geral tem sido muito forte, com vários bancos de médio porte apresentando atualmente retornos sobre o patrimônio líquido (ROE) acima de 30%. Nesse contexto, acreditamos que havia alguma esperança de que o Bradesco pudesse surpreender de forma mais expressiva em seus resultados, o que não se concretizou", afirmam os analistas do BTG.
Os autores do relatório, no entanto, reconhecem que não dá para dizer que o banco não está entregando o que prometeu. O Bradesco está em processo de transformação digital e a administração já disse várias vezes que o processo é step by step. Mas o BTG acredita que o valor de mercado do banco pode ter crescido mais rápido do que os seus fundamentos.
"De maneira resumida, o Bradesco terminou 2025 em melhor forma na comparação com o começo do ano. De maneira geral, o banco continua seguindo um claro caminho de recuperação a um passo de cada vez, com resultados melhorando trimestre após trimestre e rentabilidade ficando gradualmente mais alta", diz o relatório do BTG.
Mas os analistas ressalvam que o ritmo dessa recuperação em 2026 pode frustrar expectativas, dada a forte valorização que os papéis acumularam recentemente.
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