Acordo entre EUA e Irã: o que se sabe dos termos até agora

Por Daniel Giussani 15 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Acordo entre EUA e Irã: o que se sabe dos termos até agora

Estados Unidos e Irã chegaram a um entendimento para encerrar a guerra entre os dois países, anunciaram neste domingo, 14, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif — que atuou como mediador —, e o presidente americano, Donald Trump.

O acordo ainda passará por uma cerimônia formal de assinatura, prevista para a próxima sexta-feira, 19 de junho, na Suíça, e por um período adicional de negociações.

A seguir, o que já se sabe sobre os termos, segundo autoridades dos dois lados.

Fim das operações militares, incluindo no Líbano

Em publicação no X, Sharif afirmou que os dois lados declararam o fim "imediato e permanente" das operações militares em todas as frentes, incluindo no Líbano.

O premiê agradeceu o empenho de Washington e Teerã, além do apoio do Catar, da Arábia Saudita e da Turquia no esforço de mediação.

Segundo ele, uma série de reuniões ocorrerá ao longo desta semana para preparar as conversas técnicas e a cerimônia de assinatura.

Reabertura do Estreito de Ormuz e fim do bloqueio naval

Pelos termos do rascunho do memorando, segundo uma autoridade iraniana ouvida pela agência Reuters, o Irã reabriria imediatamente o Estreito de Ormuz a todas as embarcações comerciais, enquanto os Estados Unidos suspenderiam o bloqueio naval aos portos iranianos.

A passagem, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, ficou em grande parte fechada desde o início da guerra.

Trump confirmou esse ponto ao declarar o acordo "completo" e autorizar a abertura livre de tarifas do estreito e a retirada imediata do bloqueio naval americano.

"Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir!", escreveu o presidente.

Limites ao programa nuclear iraniano

No campo nuclear, segundo um alto funcionário iraniano ouvido pela Reuters, o Irã se comprometeria a não produzir nem adquirir armas nucleares e a manter o atual estágio de seu programa — sem ampliar o enriquecimento de urânio nem expandir instalações — até que um acordo final seja fechado.

A descrição americana do mesmo ponto é mais dura: um alto funcionário da Casa Branca afirmou que o entendimento 'leva ao desmantelamento do programa nuclear iraniano' e à retirada e destruição do material nuclear enriquecido do país, com um regime de inspeções que torne o compromisso verificável e duradouro.

Um acordo futuro permitiria ao Irã diluir seu estoque de urânio altamente enriquecido em território iraniano, com o mecanismo a ser definido nas negociações.

Liberação de US$ 25 bilhões e alívio econômico

O rascunho prevê a liberação de US$ 25 bilhões em ativos iranianos congelados, por meio de uma combinação de transferências diretas em dinheiro, mecanismos de cooperação regional e linhas de crédito financeiro.

Os EUA, em coordenação com aliados da região, também preparariam um plano de reconstrução e desenvolvimento para o Irã, a ser negociado com Teerã em até 60 dias.

O funcionário americano frisou que o Irã não receberia alívio de sanções ou benefícios financeiros de imediato. Segundo ele, o país seria "recompensado economicamente" apenas se cumprisse suas obrigações, sendo então reintegrado à economia mundial.

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