Adeus à matriarca da Ferrero: morre Maria Franca, herdeira do grupo aos 87 anos

Por Juliana Gardesani 18 de Fevereiro de 2026 👁 0 visualizacoes 💬 0 comentarios
Adeus à matriarca da Ferrero: morre Maria Franca, herdeira do grupo aos 87 anos

A empresária italiana Maria Franca Ferrero morreu aos 87 anos, na madrugada de quinta-feira (12/2), em sua residência na cidade de Alba, na província de Cuneo, no norte da Itália. Bilionária e figura central na história recente do Grupo Ferrero, ela ficou conhecida internacionalmente como a “imperatriz da Nutella”.

Viúva de Michele Ferrero, um dos nomes mais importantes da indústria mundial de confeitaria, Maria Franca teve papel decisivo na consolidação e na expansão do grupo familiar, transformando-o em uma potência global do setor alimentício. A companhia é responsável por algumas das marcas mais populares do planeta, como Nutella, Kinder, Ferrero Rocher e Tic Tac, presentes em dezenas de países.

A notícia de sua morte provocou forte comoção em Alba, pequena cidade italiana que abriga a histórica fábrica da Ferrero e é considerada o berço do famoso creme de avelã que conquistou consumidores em todo o mundo. A empresa é uma das principais empregadoras da região e exerce papel fundamental na economia local, além de representar um símbolo de orgulho para a comunidade.

Maria Franca se casou com Michele Ferrero em 1962, aos 24 anos. Antes da união, porém, fez questão de alertar o futuro marido de que “não gostava de chocolate” — frase que se tornaria uma curiosidade frequentemente lembrada em perfis sobre sua trajetória. Apesar disso, esteve ao lado do esposo na construção e no fortalecimento do império empresarial da família.

Com a morte de Michele, em 2015, Maria assumiu o controle integral do conglomerado. À frente da companhia, supervisionou uma estrutura que reúne cerca de 40 fábricas espalhadas pelo mundo, emprega quase 50 mil funcionários e movimenta um faturamento anual estimado em R$ 112 bilhões. Durante sua gestão, o grupo manteve o perfil de empresa familiar, mesmo diante da crescente competição no mercado global.

Homenagens

Autoridades italianas prestaram homenagens à empresária, ressaltando tanto sua capacidade de liderança quanto seu vínculo com a comunidade.

“Ela foi um modelo de empreendedorismo que nunca perdeu de vista a comunidade”, afirmou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, destacando o impacto social e econômico da Ferrero na Itália.

“Maria deixa um vazio imenso, que não se limita ao grande papel que sua empresa desempenhou na Itália e no mundo”, declarou a ministra das Reformas Institucionais, Elisabetta Casellati. “Para mim, ela foi uma presença marcante: uma mulher de rara bondade, de rara sensibilidade, uma mulher capaz de ouvir, com uma graça natural que nunca foi ostensiva. Sentirei muita saudade dela”, acrescentou.

Com a morte de Maria Franca Ferrero, o comando do grupo passa agora para Giovanni Ferrero, seu filho, que já ocupava posição de destaque na administração da companhia. O outro herdeiro do casal, Pietro Ferrero, morreu em 2011 após sofrer uma doença súbita enquanto andava de bicicleta na África do Sul, episódio que marcou profundamente a família.

A trajetória de Maria Franca se confunde com a própria história de expansão da Ferrero, empresa que saiu de uma pequena produção local no pós-guerra para se tornar uma das maiores fabricantes de doces do mundo. Sua gestão preservou os valores tradicionais da família, ao mesmo tempo, em que acompanhou a modernização e a internacionalização do negócio.

Com sua partida, encerra-se um capítulo importante da história empresarial italiana, deixando um legado que ultrapassa fronteiras e permanece presente no cotidiano de milhões de consumidores ao redor do planeta.

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