Afinal, o balanço da Vale foi bom ou ruim? Entenda o que causou prejuízo
Unidades de metais básicos da Vale no Canadá foram detratoras do balanço da companhia no quarto trimestre de 2025. O impairment desses ativos, termo das demonstrações financeiras para baixa contábil, somou US$ 3,4 bilhões e contribuiu com prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões da companhia no período.
Excluindo esses efeitos não recorrentes, a mineradora teria apresentado lucro líquido de US$ 1,464 bilhão, com alta de 68% na comparação anual.
Mas, afinal, o balanço da empresa mais negociada na bolsa brasileira foi bom ou ruim?
Na baixa contábil, não há saída de dinheiro do caixa da empresa. Via de regra, o valor de um ativo no balanço é calculado com base no quanto ele vai render de dinheiro ao negócio no futuro. Se a expectativa é de que o ativo vai gerar menos recursos, esse valor é ajustado para baixo no balanço e impacta no resultado final.
No caso da operação canadense da Vale Base Metal (VBM), a revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo do níquel foi o motivo para uma das baixas contábeis do balanço. Porque houve uma segunda.
Nesse caso, a Vale tirou do balanço um "abatimento" de imposto que até então esperava receber: US$ 2,8 bilhões.
Metais "do bom"
Se o níquel jogou contra o resultado da companhia, o mesmo não pode ser dito de outros metais. O BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) observa que a VBM teve um lucro operacional acima das expectativas. E faz a leitura de que uma exposição crescente ao cobre começa a ganhar peso relevante na tese de investimento da mineradora.
No ano passado, a Vale anunciou que estava fazendo uma revisão estratégia das operações da VBM no Canadá, com possível venda de ativos de exploração e mineração.
A Vale (VALE3) anunciou nesta quinta-feira que iniciou uma “revisão estratégica” das operações da subsidiária Vale Base Metals no Canadá, o que inclui uma possível venda de ativos de exploração e mineração no país.
Reação negativa do mercado
O mercado não reagiu aos números do quarto trimestre da Vale. Os papéis recuam forte nesta sexta-feira, 13, mas ainda acumulam alta de mais de 20% no ano. O rali da mineradora na bolsa chegou ao fim?
"Acreditamos que uma parcela relevante do viés mais construtivo recente para a Vale está mais associada a posicionamento macro do que a uma melhora estrutural no mercado de minério de ferro", dizem os analistas da Genial.
"A rotação de capital estrangeiro para ações brasileiras tem beneficiado fortemente as large caps, com a Vale se destacando como principal destino de fluxos passivos e macro, dado que é o papel de maior peso no Ibovespa".
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