Agrishow 2026 começa nesta segunda com crédito no radar e maior peso político
Começa nesta segunda-feira, 27, em Ribeirão Preto (SP), a 31ª edição da Agrishow, principal feira de tecnologia para o agronegócio da América Latina.
O evento deve reunir cerca de 200 mil visitantes e mais de 800 marcas expositoras, entre nacionais e internacionais — na edição de 2025, a feira movimentou R$ 14,6 bilhões em intenções de compra.
Mais política, em razão das eleições de 2026, a feira deve contar com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) nesta segunda. Na terça-feira, 28, Romeu Zema, governador de Minas Gerais, deve comparecer ao evento.
Para este ano, o destaque está na digitalização do campo, com soluções voltadas à agricultura de precisão, uso de drones, sistemas de automação, GPS e análise de dados integrados a máquinas como tratores e colheitadeiras — a proposta é ampliar a eficiência e a produtividade no setor.
A estrutura do evento também foi ampliada, com acréscimo de 12 mil metros quadrados e a participação de aproximadamente 100 empresas estreantes. Entre as melhorias estão novas ruas asfaltadas, reforma de banheiros e ampliação da rede elétrica.
Para a edição deste ano, a organização investiu em mudanças logísticas para otimizar a circulação no evento. Entre as medidas estão a alteração da entrada de autoridades pelo Instituto Agronômico (IAC) e a criação de um caminho exclusivo para pedestres que chegam de ônibus.
Outro destaque é o lançamento de um aplicativo oficial com inteligência artificial, que promete melhorar a experiência dos visitantes dentro do recinto — a ferramenta busca facilitar o acesso às informações e otimizar a jornada durante a feira.
Crédito no agro
Neste domingo, 26, durante a abertura do evento, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) anunciou a criação de uma linha de crédito de R$ 10 bilhões para a compra de máquinas e implementos agrícolas. Segundo ele, os recursos devem ser liberados em até três semanas, com taxas de juros reduzidas.
“São R$ 10 bilhões para financiar trator, implementos, colheitadeiras, enfim, toda a parte de máquinas agrícolas, pela própria Finep”, afirmou na abertura do evento.
A iniciativa dá sequência à primeira fase do programa, direcionada ao setor de caminhões, cujos recursos foram totalmente consumidos em cerca de 90 dias, evidenciando a forte demanda por crédito no segmento. Nesta nova etapa, batizada de Move Agricultura, os financiamentos terão taxas de juros em um dígito e serão operacionalizados.
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), disse que a prioridade do governo é estruturar um Plano Safra robusto, com maior volume de recursos e condições mais acessíveis ao produtor rural. Em 2025, o governo lançou um Plano Safra de R$ 516,2 bilhões.
“Primeiro, buscamos um novo recorde no nosso Plano Safra, mas com a consciência de que, mais importante do que assegurar um valor expressivo de recursos, é conseguir trabalhar com uma taxa compatível, que viabilize o acesso dos nossos produtores a esses recursos”, afirmou o ministro.
Apesar do anúncio, representantes do setor alertaram para os desafios enfrentados pelo agronegócio. O presidente da Agrishow, João Carlos Marchesan, mencionou a pressão sobre os custos de produção e pediu maior previsibilidade nas políticas públicas, além de atenção especial ao desenho do próximo Plano Safra.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: