Água-viva? Telescópio James Webb descobre galáxia com ‘tentáculos’ no Universo

Por Vanessa Loiola 9 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Água-viva? Telescópio James Webb descobre galáxia com ‘tentáculos’ no Universo

O telescópio espacial James Webb (JWST) identificou uma galáxia-água-viva com longas caudas de gás a cerca de 8,5 bilhões de anos-luz da Terra, considerada a mais distante desse tipo já observada. A descoberta, realizada por pesquisadores da Universidade de Waterloo, no Canadá, oferece novas pistas sobre como as galáxias evoluíram quando o Universo ainda estava em uma fase mais jovem de sua história.

O termo galáxias-água-viva é usado porque esses sistemas apresentam estruturas alongadas que lembram tentáculos. Esse formato surge quando o objeto cósmico atravessa regiões densas do espaço e parte do seu gás é empurrada para trás, formando caudas extensas visíveis em observações astronômicas.

As medições indicam que o objeto é visto como existia há cerca de 8,5 bilhões de anos, período em que o Universo tinha pouco mais da metade da idade atual. Para os pesquisadores, o achado sugere que o ambiente cósmico daquela época pode ter sido mais dinâmico do que se imaginava.

Galáxias-água-viva e as caudas de gás no espaço

Galáxias desse tipo se formam quando atravessam aglomerados repletos de gás extremamente quente. Ao se deslocarem em alta velocidade, o material presente no ambiente exerce uma força sobre o sistema — fenômeno conhecido como pressão de ariete.

Esse processo remove parte do gás do disco galáctico e cria fluxos alongados que se estendem para trás da estrutura principal. As caudas podem alcançar grandes distâncias e ajudam os astrônomos a compreender a interação entre galáxias e o ambiente ao redor.

A equipe identificou o objeto ao analisar dados do campo COSMOS (Cosmic Evolution Survey Deep), uma região do céu estudada por diferentes telescópios.

Essa área foi escolhida por estar distante do plano da Via Láctea, o que reduz interferências causadas por poeira e estrelas próximas. Além disso, a região não possui objetos muito brilhantes em primeiro plano, permitindo observações mais detalhadas do universo profundo.

Os cientistas calcularam que a galáxia apresenta desvio para o vermelho de z = 1,156, medida usada para estimar distâncias cósmicas e determinar quanto tempo a luz levou para chegar até a Terra.

Formação de estrelas

Apesar de ter uma estrutura de disco semelhante à de outros sistemas, os pesquisadores identificaram aglomerados azulados brilhantes ao longo das caudas de gás.

Esses pontos luminosos correspondem a estrelas jovens, cuja formação provavelmente ocorreu fora da região central da galáxia. O processo acontece quando o material removido do sistema se condensa ao longo das caudas e dá origem a novos astros.

Fenômenos desse tipo já foram registrados em galáxias-água-viva mais próximas, mas são raros em objetos localizados a distâncias tão grandes no Universo.

Novas pistas sobre o Universo primitivo

A descoberta também traz novas informações sobre as condições do Universo bilhões de anos atrás. Modelos anteriores indicavam que, nesse período, os aglomerados de galáxias ainda estavam em formação e que processos capazes de remover gás seriam menos comuns.

Os dados obtidos pelo James Webb sugerem que essas interações podem ter ocorrido mais cedo do que se imaginava. Esse tipo de processo pode ajudar a explicar a origem de muitas galáxias com baixa formação estelar observadas atualmente em aglomerados.

Para aprofundar a investigação, os pesquisadores solicitaram mais tempo de observação com o telescópio James Webb, com o objetivo de analisar o objeto com maior detalhamento e compreender melhor como ambientes densos influenciaram a evolução das galáxias ao longo da história do cosmos.

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