Airbus cai 5% após projetar entregas abaixo do esperado; Boeing ganha fôlego
A Airbus vinha navegando em céus mais tranquilos do que sua rival americana Boeing, mas o jogo parece estar mudando e o mercado começou a sentir mais impactos nesta quinta-feira, 19, com as ações da companhia europeia caindo cerca de 5%.
O motivo do nervosismo dos investidores não foi uma queda drástica, mas sim uma projeção que veio um pouco abaixo do esperado. A Airbus anunciou que pretende entregar 870 aeronaves comerciais em 2026, enquanto os analistas do mercado já contavam com algo em torno de 880 unidades.
Já a Boeing começou a mostrar sinais de recuperação e, pela primeira vez desde 2018, a fabricante americana superou a Airbus em número de pedidos em 2025. O que continuou no início de 2026, quando ela entregou mais aviões e fechou mais contratos líquidos do que a concorrente europeia em janeiro.
Analistas do UBS chegaram a classificar à CNBC que o desempenho da Airbus no começo do ano estava "materialmente mais fraco" do que o projetado. O problema é que a empresa enfrenta uma falta de motores da Pratt & Whitney, o que acaba travando o ritmo de expansão da produção.
Impacto negativo sobre as projeções de 2026
O CEO da Airbus, Guillaume Faury, afirmou ao canal que a incapacidade da fornecedora, subsidiária da RTX, de cumprir o volume de motores encomendado tem impacto negativo sobre as projeções de 2026 e sobre o ritmo de expansão produtiva. A culpa, assim, não é da falta de interessados.
A demanda global por aeronaves comerciais continua robusta e sustenta o aumento contínuo da produção, disse o executivo em comunicado divulgado pela CNBC. Faury ressaltou, também, que a questão dos motores "é o assunto mais importante que estamos abordando."
Além deste ponto de atenção, problemas com painéis de fuselagem atrasaram as entregas em janeiro. A meta de produzir 75 aeronaves de corredor único por mês, que era esperada para 2027, acabou ficando só para o final daquele ano ou até depois. A meta anterior previa atingir esse patamar já em 2027.
Airbus tem 'revés temporário de execução'
Apesar da turbulência nas ações, o quarto trimestre da companhia registrou lucro ajustado antes de juros e impostos (Ebit, em inglês) de € 2,98 bilhões, acima da estimativa de € 2,87 bilhões, de acordo com o consenso citado pela CNBC. O resultado foi 17% superior a igual período do ano anterior.
Contudo, a receita de € 25,98 bilhões ficou um pouco abaixo do que o mercado desejava, em torno de € 26,5 bilhões. Além disso, em 2025, o Ebit totalizou € 7,13 bilhões, com receita de € 73,4 bilhões. Para 2026, a Airbus projeta Ebit ajustado de, em média, € 7,5 bilhões, além de 870 entregas comerciais.
Analistas do Barclays ouvidos pela CNBC classificaram o cenário como um "revés temporário de execução". Eles acreditam que a trajetória de crescimento da Airbus no longo prazo continua intacta e que o início de ano é naturalmente mais devagar no setor, não servindo de base para grandes conclusões.
Em janeiro de 2026, a Airbus entregou 19 aeronaves e registrou 49 pedidos líquidos, enquanto a Boeing reportou 46 entregas e 103 pedidos líquidos.
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: