Alan Greenspan, ex-presidente do Fed, morre aos 100 anos
Alan Greenspan, economista que comandou o Federal Reserve por cinco mandatos consecutivos sob quatro presidentes dos Estados Unidos, morreu nesta segunda-feira, 22, aos 100 anos, segundo comunicado de sua esposa, Andrea Mitchell à NBC News.
Greenspan, que enfrentou crises e booms econômicos, é lembrado tanto por sua liderança quanto por decisões controversas que, segundo alguns críticos, contribuíram para a crise financeira global de 2007-2008.
“Alan faleceu em nossa casa, vítima de complicações da doença de Parkinson. Ele foi um gigante que ajudou a moldar a economia americana por décadas, sempre reconhecendo seus erros”, afirmou Mitchell em comunicado.
Ela destacou ainda a vida pessoal do economista: “Para mim, ele era meu marido, que moldou minha vida desde nosso primeiro encontro em 1984. Ele tinha paixão pelo beisebol, pelo Washington Commanders, tênis, golfe e música, especialmente jazz”.
Quem foi Alan Greenspan
Nascido em 6 de março de 1926, no bairro de Washington Heights, em Nova York, Greenspan se destacou desde cedo em matemática e música. Estudou economia na New York University, obtendo bacharelado em 1948 e mestrado em 1950, antes de iniciar doutorado na Columbia University sob orientação do economista Arthur F. Burns, futuro presidente do Fed.
Nos anos 1950, tornou-se associado da escritora Ayn Rand, cuja filosofia de objetivismo e capitalismo de livre mercado influenciou sua visão econômica. Após passar pelo setor privado, atuou como assessor informal de Nixon e mais tarde como presidente do Conselho de Assessores Econômicos do governo Ford.
Em 1987, foi nomeado por Ronald Reagan para presidir o Fed, enfrentando crises como a quebra da bolsa em “Black Monday”. A partir de 1991, conduziu a economia durante a expansão mais longa da história americana até então, passando por eventos como o estouro da bolha das “dotcom” e os ataques de 11 de setembro de 2001. Greenspan se tornou uma figura de grande influência e fama, descrito pela imprensa como “maestro” e “rock star” do mercado financeiro.
Após se aposentar em 31 de janeiro de 2006, Greenspan foi criticado pelo papel na crise de 2007-2008. Relatórios apontam que a desregulamentação do setor financeiro e a falta de controle sobre o mercado de crédito, políticas que ele apoiou, contribuíram para a recessão global.
Greenspan descreveu a crise como uma “tsunami de crédito uma vez a cada século” e reconheceu que o impacto foi maior do que imaginava.
Ele deixa legado como autor de livros e consultor, mantendo relações de respeito com presidentes de diferentes partidos, incluindo Clinton, George H.W. Bush e George W. Bush.
Entre suas honrarias estão a Legião de Honra da França, a nomeação como Cavaleiro Honorário do Império Britânico e a Presidential Medal of Freedom dos EUA.
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