Álbum da Copa: maior livraria do Brasil quer faturar R$ 140 milhões com figurinhas
De quatro em quatro anos, o Brasil para, e não é só para ver jogo. Para muita gente, a Copa do Mundo começa antes mesmo do apito inicial, com o ritual de abrir pacotinhos, trocar repetidas e correr atrás da figurinha difícil. Em 2026, esse fenômeno deve ganhar ainda mais força: o álbum da Panini chega maior, com mais seleções, mais páginas e quase 1.000 cromos.
Por trás da brincadeira, há um negócio bilionário em movimento. E, para a Livraria Leitura, a maior rede do país, ele pode representar um salto relevante no faturamento.
A empresa se prepara para vender cerca de 20 milhões de pacotes de figurinhas ao longo do ciclo da Copa, um volume que, na prática, pode gerar algo próximo de R$ 140 milhões em receita, uma vez que os pacotes serão comercializados por R$ 7.
“É uma venda muito substancial”, diz Marcus Teles, CEO da rede. “A Copa traz um crescimento à parte para a gente, acima de 10% no faturamento.”
Impacto no faturamento
A lógica das figurinhas é conhecida: margem apertada, mas volume gigantesco. E é justamente esse volume que transforma um produto aparentemente trivial em um motor relevante de receita.
No caso da Leitura, o impacto é tão grande que entra quase como uma “temporada” própria dentro do calendário da empresa. Em um ano típico, a rede projeta crescer entre 8% e 9% nas lojas existentes. Com a Copa, esse número ganha um impulso extra de mais de 10% — apenas com a venda de álbuns e figurinhas.
E isso acontece mesmo com uma margem menor do que a de livros ou papelaria. “Figurinha tem uma margem mais apertada. Mas, para nós, faz parte do negócio principal”, afirma Teles. O segredo está na recorrência. Durante meses, consumidores voltam às lojas repetidas vezes — para comprar mais pacotes, trocar figurinhas ou completar a coleção. É tráfego garantido.
Para dar conta da demanda, a Leitura se apoia em uma posição consolidada no mercado. A rede é uma das maiores revendedoras da Panini no Brasil e já trabalha com colecionáveis durante todo o ano, incluindo mangás, cards e outras linhas. Ou seja: a Copa não é um desvio de rota, é uma amplificação de algo que já faz parte do core business.
Quando a livraria vira ponto de encontro
Há ainda um efeito menos óbvio — mas igualmente importante: o impacto no fluxo de lojas. Durante a Copa, livrarias deixam de ser apenas pontos de venda e passam a funcionar como espaços de encontro. Clientes voltam com frequência, interagem, trocam figurinhas e acabam consumindo outros produtos.
É um comportamento parecido com o que acontece em outras categorias que a Leitura explora, como jogos de tabuleiro e mangás, produtos que criam comunidade.
No fim das contas, a figurinha cumpre um papel duplo: gera receita direta e puxa vendas indiretas. E isso acontece em um momento em que a rede segue em expansão. Em 2025, a Leitura cresceu cerca de 15% e chegou a 133 lojas. Para 2026, a expectativa é abrir ao menos mais 10 unidades.
Qual é a história da Leitura
Tudo começou em 1967, quando os primos Emídio e Lúcio Teles abriram um sebo na Galeria Ouvidor, no centro de Belo Horizonte.
O nome original era "Lê", uma referência às iniciais dos fundadores. O negócio cresceu e, nos anos 1980, Marcus Teles, irmão de Emídio, entrou na operação. Hoje, ele comanda a maior livraria do país.
O grande salto veio em 1998, com a primeira megastore no BH Shopping. Dois anos depois, a Leitura saiu de Minas e abriu a primeira loja em Brasília.
Uma das grandes sacadas da rede foi apostar em um modelo de sócio-gerente, parecido com o que Outback e Coco Bambu fazem na área de restaurantes. Quem assume uma unidade vira dono de uma parte do negócio e cuida da operação no dia a dia. Hoje, 70% das lojas funcionam assim.
“Se o dono da loja está ali, ele percebe o que o público quer. Se for uma loja perto de faculdade, pode trazer mais livros didáticos. O resultado? As vendas sobem”, afirma Teles.
Assista ao Choque de Gestão, reality show de negócios da EXAME
Nenhum comentário disponível no momento.
Comentários
Deixe seu comentário abaixo: