Alckmin diz que Pix e sanções serão prioridades em encontro de Lula e Trump
O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou nesta terça-feira, 5, que o Pix e o risco de novas sanções comerciais estão entre as prioridades do encontro previsto para quinta-feira entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump.
Em julho de 2025, o governo de Donald Trump iniciou uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras classificadas como “desleais”, incluindo o Pix.[/grifar]
A iniciativa pode levar à adoção de novas sanções econômicas contra o Brasil[/grifar]. Para Geraldo Alckmin, a apuração “não tem muito sentido”, e ele afirmou ser necessário “esclarecer” o funcionamento do sistema de pagamentos.
"Essa é uma preocupação, é um dos pontos prioritários da conversa, precisamos deixar muito claro para sociedade, opinião pública, e inclusive americanos, que o Brasil e os Estados Unidos tem comércio de superávit, dos dez produtos que eles mais exportam para nós, oito tem tarifa zero", diz Alckmin em entrevista ao canal GloboNews, na qual destacou também o saldo positivo na relação comercial entre Brasil e Estados Unidos.
"O PIX é um sucesso. Traz segurança e é um avanço do ponto de vista tecnológico que o mundo inveja", declarou o vice-presidente sobre o sistema de pagamento.
A agenda do encontro também deve incluir temas econômicos fora da política tarifária, como minerais críticos. "O presidente Lula tem colocado que não tem tema proibido, então vamos conversar, big techs, terras raras, data centers, política tarifária, não tarifária, tem uma agenda importante".
Ele também enfatizou que não há razões para uma rivalidade política e comercial entre Brasil e EUA. Para Alckmin, o momento exige diálogo entre os representantes de cada país.
"O Brasil não é problema para os Estados Unidos. O que nós temos que fazer é um ganha-ganha, é fortalecer ainda mais a complementariedade econômica", declarou.
Negociações
Os presidentes Donald Trump e Lula, durante reunião na Malásia, em 26 de outubro (Ricardo Stuckert/PR)
Em fevereiro, o governo dos Estados Unidos formalizou convite ao Brasil para integrar uma coalizão internacional voltada à cadeia de fornecimento de minerais críticos. A proposta apresentada por Washington prevê cooperação em mineração e refino, com foco em insumos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras raras, além da criação de mecanismos de preço mínimo.
A viagem aos Estados Unidos foi definida na semana passada, após conversa telefônica entre Lula e Trump. Ainda em fevereiro, a Suprema Corte americana anulou o tarifaço de 50% imposto por Trump sobre produtos brasileiros. Dias após a decisão, o presidente norte-americano afirmou que seu governo mantém investigações sobre Brasil e China por práticas comerciais consideradas desleais.
Outro ponto previsto na pauta envolve a possível classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos. Autoridades brasileiras avaliam que essa medida pode trazer impactos à soberania nacional.
Em março, o Departamento de Estado norte-americano informou ao jornal O Globo que considera grupos criminosos brasileiros uma ameaça à segurança regional.
Novo Desenrola
O vice-presidente Geraldo Alckmin também abordou o programa Novo Desenrola, lançado na última segunda-feira, 4, como parte das ações do terceiro mandato do presidente Lula.
A iniciativa é a segunda voltada à renegociação de dívidas nesse período. "Você pode utilizar até 20% do que estiver depositado no FGTS e tudo tem controle. Impossível alguém pegar os 20% do Fundo de Garantia e não pagar a dívida, porque ele não vai pôr a mão no dinheiro. O dinheiro sai do FGTS para o banco que vai abater a dívida. É um conjunto de medidas que eu diria de justiça fiscal", afirmou o vice-presidente.
Chamado de Desenrola 2.0, o programa tem duração prevista de 90 dias e foco na renegociação de débitos em atraso. A proposta inclui descontos sobre o valor devido, definição de limites para juros nas renegociações e incentivo à substituição de dívidas com custos mais elevados por alternativas com taxas menores.
Podem aderir ao programa pessoas com débitos em atraso há pelo menos 90 dias, estudantes com parcelas do Fies em aberto, além de micro e pequenas empresas, aposentados e pensionistas.
A equipe econômica projeta que até R$ 58 bilhões em dívidas possam ser renegociados, considerando débitos antigos e recentes.
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